sexta-feira, 23 de outubro de 2020

ENTRE O MAR E O ROCHEDO

 

ENTRE O MAR E O ROCHEDO, UM GENERAL ESMAGADO E O POVO ESCANTEADO

Aristophanes Pereira

As notícias sobre fatos e ocorrências contemporâneos tomam forma, se decompõem, ou se transformam, tão rapidamente, aqui e mundo afora, que pode incorrer em grave equívoco, quem busca interpretá-las, com retidão e boa fé. Enquanto são notícias fúteis, tudo bem. Dá pra suportar, e eventuais distorções caem no deboche popular. Entretanto, quando emanam de pessoas, entidades, instituições e autoridades, supostamente infalíveis, ou, pelo menos, confiáveis e responsáveis, podem causar danos irreparáveis e, até, criminosos, por deformações conceituais, falsidades, presunções sem base científica, ou leviandades oportunistas.

        Essa observação generalizada ganha força e mais graves dimensões, quando a “notícia” é propalada no âmbito de um estado de coisas vulnerável à manipulação da informação e carente de orientações consistentes. Piora mais, se avalizadas e promulgadas por autoridades, com poder de decisão, em momento como o que vivemos, vitimados pelo flagelo de uma doença pandêmica, traiçoeira e mortal. Esse o cenário que bem se aplica ao Brasil, em particular, depois de experimentarmos 10 meses assustados e tumultuados pela Covid-19, navegando por incertezas, desgovernos, incompetências e deliberadas confusões, que nos alçaram a patamares desoladores, com números acima de cinco milhões de doentes e mais de 150 mil mortos, numa proeminência vergonhosa perante o mundo.

É rudimentar o conceito de vacina, aprendido desde sua curiosa e histórica criação, há cerca de 125 anos, destinada a prevenir a varíola – a popular bexiga – doença contagiosa, assustadora e letal. Criança, nos anos 30, ainda carrego no braço direito a tênue cicatriz deixada pelo arranhão da vacina salvadora. Depois, no correr da vida, sofri os medos de doenças graves e temidas, na época, como tuberculose, sarampo, raiva, tétano, coqueluche, papeira, poliomielite, gripe, febre amarela, difteria, hepatite, entre outras, que novas vacinas, felizmente, domaram, além de muitas moléstias, que os antibióticos viriam a debelar, ou diminuir a letalidade.

Na contramão, são episódios de triste memória as divergências alimentadas pela ignorância e por interesses políticos, que ocasionaram, em alguns momentos, conflitos cruentos e retardatários, em protestos contra a disciplina científica e repudio à vacinação universalizada. Foi o caso, para prevenção da varíola, no Rio de Janeiro, configurando o motim conhecido como Revolta da Vacina(1904), ao final superado pela determinação e ciência do infectologista Oswaldo Cruz(1872-1917), hoje um nome que orgulha a Medicina brasileira.

Por diversos caminhos e meios – com recursos abundantes, novas tecnologias, intensa pesquisa cientifica, esforços heroicos e associações humanitárias, sem fronteiras – já divisamos, com proximidade, algumas vacinas promissoras, para conter o “velho” corona vírus e sua nova onda que se espraia pela desleixada Europa. Enquanto isso, no Brasil, na esteira daqueles números macabros, e na reedição de deploráveis atitudes de mesquinhos interesses políticos, pinimbas eleitoreiras e paixões ideológicas, polarizam-se posições, no embate autofágico e antifederalista do presidente da república e 27 governadores. Embate, sustentado por “tuitadas” levianas, que culminou em arroubos autoritários, na castração de nossa Saúde Pública e na desmoralização de mais um ministro, desta vez com farda de general.    

São naturais e toleráveis oposições pontuais de pessoas, ou pequenos grupos de convicções ortodoxas, à vacinação contra certas doenças e sob determinadas condições. A cobertura de 100% do universo é praticamente inatingível. O Brasil, que tem posição elogiável como “vacinador”, em numerosas campanhas bem sucedidas, desfruta de uma notável resiliência na aceitação dos procedimentos de vacinação, com o empenho e suporte de instituições de reconhecida competência cientifica, como o Instituto Oswaldo Cruz(Rio de Janeiro), Instituto Butantan(São Paulo), Instituto de Infectologia Emilio Ribas(São Paulo), dentre muitas outras instituições assemelhadas, acreditadas, no país e no exterior.

Nesse contexto, parece-me de pouca sensatez imaginar que a milenar China(não importa a cor do gato...), com a evidência de seu prestígio mundial e, no caso, a associação com o nosso competente e valoroso Instituto Butantã, esteja urdindo, sob os olhos aguçados da  comunidade cientifica mundial, o que seria uma mentira descomunal, na fabricação e aplicação da nova vacina CoronaVac, do laboratório  Sinovac.

Sopesadas as razões de cada lado, nesta briga mesquinha entre o mar e o rochedo, lamento, e fico triste, pela melancólica rendição do obediente general de brigada, vencido pelo abuso de autoridade de um capitão – sabidamente inconsequente e indisciplinado –  passível de falta, por “exercício” reincidente e irregular da medicina. E que o bom senso prevaleça, nas gestões dos governadores benignamente consorciados, em favor da vacina, sob a tutela de uma ANVISA, que já dá mostra de independência e altivez. O povo agradecerá.

Jaboatão dos Guararapes-PE,23/10/20.


                                                         Imagem do Google.

12 comentários:

Blog do Ed disse...

Este texto tem marca genética... A ANVISA decidirá as vacinas que merecem confiança e podem ser aplicadas no Brasil. Os poderes competentes , e o Poder Judiciário, dizem, já afirmou que quer decidir isso, expressarão a vontade do Povo Brasileiro sobre a matéria objeto deste artigo. Isso é democracia, convívio social são, compatível com a dignidade e a felicidade humana.
Edgardo Amorim Rego

Unknown disse...

Naninanão!

A pressa do Dória em vender seu Pastel Coronavac ma feira da Anvisa é flagrantemente constrangedor e revelador.

Revela que o PSDB PT Globo & Mídia estão a serviço PCC Chinês.

O Capitão está certo.

Seria como contratar a Raposa a cuidar do Galinheiro.

rosaalegre0@gmail.com disse...



Pelo amor de Deus. Os senhores têm ideia de como se empregam as pessoas na Anvisa ? Que texto esquerdopata, terrível, de quem não entende absolutamente nada !

sss disse...

Quanta estupidez, meu Deus.

Edjoal disse...

Simples, não tome a vacina, tome cloroquinha, ainda mais sendo velho, quanta ignorancia.

Aristophanes disse...

Unknown e Rosaalegre.
Não tenho paixões. A História está se desenrolando, e logo mais esse capítulo estará resolvido. Aguardemos.

Unknown disse...

"China fecha acordo com a Sueca AstraZeneca para fornecer vacina contra covid-19 para população chinesa.

A CHINA COMPROU VACINA DA SUÉCIA PARA SUA POPULAÇÃO, ERA PRA USAR A VACINA Q ELES PRODUZIRAM, NÃO USAM PQ SABEM DO RISCO DA VACHINA, MAS VENDERAM PARA O GOVERNADOR DÓRIA USAR NOS PAULISTAS COMO COBAIAS "

COMPARTILHAR ESSA NOTÍCIA É UM DEVER

🇧🇷🇧🇷🇧🇷⚔️🇨🇳🇨🇳🇧🇷

https://www.folhadapolitica.com/2020/08/china-fecha-acordo-com-sueca.html?m=1

sss disse...

Sr. Aristophanes Pereira, pode-se postar esta mensagem nas redes sociais?

Aristophanes disse...

Prezado sss.
Agradeço a sua prestigiosa atenção. O amigo Ari Zanella, gentilmente, divulga meus artigos aqui no seu valoroso Blog, e eu, concomitantemente, posto-os na minha página no Face Book. Mas fique à vontade para acrescentar a divulgação, por seus meios e iniciativa. Abraço cordial. Aristophanes.

Aristophanes disse...

Pela pertinência, aproveito este espaço e a oportunidade, para reproduzir trecho de comentário(cuja mensagem integral guardo comigo) de um médico infectologista, ao acusar a sua receptividade ao meu artigo, a saber:

(...) “Faço parte do grupo da pesquisa clínica da vacina chinesa (Coronavac), no Instituto de Infectologia Emílio Ribas em São Paulo, hospital em que trabalho atualmente. Ansioso pelos resultados do estudo, que em breve serão divulgados. Sou investigador da vacina e bolsista pelo Instituto Butantã. Nosso centro de pesquisa contribuirá com 1.000 voluntários. Todos são da área da saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas etc.) Todos precisam atuar no atendimento de pacientes com a Covid-19. Ao todo são 16 centros espalhados pelo país. No Brasil serão um total de 13.000 voluntários nesse estudo que está na fase 3. Nosso país dará uma grande contribuição para o Mundo.
Tenho vivido o momento culminante da minha vida como médico e infectologista. Muito aprendizado e histórias para contar. Muitos desfechos felizes e alguns tristes. Perdi alguns colegas.(GAA).”

Marco Antonio Orlando disse...

Acho que a única coisa evidente nessa briga pela vacina é mais uma vez a ganância dos governantes para se aproveitarem da desgraça alheia para mais uma vez superfaturarem a compra da vacina, seja ela qual for, como já fizeram com os respiradores. Político não briga pelo povo, só visa o seu próprio enriquecimento, mesmo que isso seja a custa de milhares de vidas.

Blog do Ed disse...

Vi em um vídeo um Primeiro Ministro da Dinamarca e mulher lavando os pratos e arrumando a casa. Entendo que esse Mujica, ex-presidente do Uruguai não se enriqueceu no poder e governou unicamente para o bem do povo uruguaio. Creio infelizmente , e me parece estampar-se no rosto dos políticos brasileiros, que a política é um meio de vida de enriquecimento próprio.
Edgardo Amorim Rego