terça-feira, 15 de setembro de 2020

O BLEFE

O BLEFE DO NOVO CORONA VIRUS

Aristophanes Pereira

         Já são mais de nove meses de convívio com esse malsinado vírus, que dissemina a doença Covid-19, originário do populoso interior da China. Nesse curto período, por padrões históricos, ele bateu recordes de propagação e de contágio, alojando-se em quase todos os países do mundo, e marcando dolorosas presenças em seus cemitérios.

         Os momentos mais graves da doença foram atingidos no trimestre abril-maio-junho (2020), com o atingimento dos pontos mais altos da curva de mortalidade, em importantes países do primeiro mundo, notadamente no continente europeu.

         Esse cenário é bastante conhecido de todos, e não carece ser revisitado e explicado. No momento, estamos na expectativa, para ovacionar o vencedor da corrida pela produção, plena e confiável, da primeira vacina. Olhando pelo retrovisor, e avaliando os estragos, de dimensões planetárias, constatamos que esses estragos foram mais elevados do que o esperado, na relação causa e efeito. Para tanto, muito contribuiu a exacerbada, veloz e distorcida divulgação midiática da doença, apertando mais o botão do pânico do que o da sensatez científica, sem menosprezar a deletéria componente de interesses personalistas, políticos e mercantis.

         Para ilustrar esse descaminho, lembro uma historinha: Ao observar um foco de incêndio, no cinema lotado, o esperto “lanterninha” providencia a suspensão da exibição e, do palco, sem denotar pânico, avisa: “Atenção! Estamos realizando um treinamento contra incêndio. Sigam as instruções, e saiam pelas portas indicadas nas laterais e em frente. Primeiro crianças e idosos”. Tudo terminou bem, e o pessoal viu e cinema pegar fogo, já do lado de fora.

         Sei que o mundo não é um cinema, mas comportamentos racionais de governos e meios de divulgação menos alarmantes poderiam ter se associado de maneira mais construtiva e com união de esforços, no entendimento e enfrentamento da Covid-19.  Muito países procederam assim. Aliás é curioso lembrar como a própria China soube lidar competentemente com a “sua” doença. Um exemplo, ou um mistério?!

         Posso parecer um “engenheiro de obra acabada”, mas nem tanto, pois a obra ainda não está acabada, nem sequer bem avaliada. Ainda há muito o que se estudar, para projetar futuros meios de enfrentamento de novas pandemias, que certamente ocorrerão. Nas consequências médico-sanitárias e nos avassaladores desdobramentos socioeconômicos.

         No momento em que escrevo(14/9/20), valho-me de um mapa estatístico do Google(*), onde estão anotados 459 locais do mundo(países, territórios, ilhas, etc.), com as respectivas informações sobre TOTAL DE CASOS, CASOS POR MILHÃO DE HABITANTES, RECUPERADOS e MORTOS. Encabeçados pelos TOTAIS MUNDIAIS, registram-se 29.114.771(total de casos), 3.744(casos por milhão), 19.673.771(recuperados) e 926.576(mortos).  Tem gente que não gosta muito de estatística e enaltece, com gozação, erros deploráveis de interpretação. Mesmo assim, é melhor com elas do que sem elas.

         Posições singulares ocupam o Brasil e a China(Mainland China), nesse mapa do Google. Enquanto nosso país está em 3º lugar, dentre os que ostentam maiores ocorrências de casos, com 4.335.066 casos, assombrosa relação de 21.513 casos, por milhão de habitantes, e 131.736 mortes, a China fica na 87ª posição, marcando 85.194 casos, um modesto índice de 61 casos por milhão e 4.634 mortes. Ou seja: o Brasil tem 28 vezes mais mortes do que a China!

         Esses números, além de nos pedirem uma reflexão, nos permitem inferir que a Covid-19, no plano mundial, somente infectou, ostensivamente, 0,42%(29.114.771/7.000.000.000)  da população mundial e matou pouco mais de 0,01%(926.576/7.000.000.000)  dessa mesma população. Não é um apocalipse, ou fim dos tempos, mas deixo para o leitor curioso fazer seus ajuizamentos, nas comparações com outras pandemias do passado, ou recorrentes mortalidades anuais, por doenças conhecidas como gripe(influenza), doenças cardíacas, diabetes e outras. 

         Sabe-se, no caso de diversas doenças, que o nosso organismo exerce suas próprias defesas e se livra sozinho da enfermidade. Na Covid-19, estimam os Infectologistas que, “de dez infectados, oito se recuperarão naturalmente’’. Assim, temos uma elevada chance estatística de 80% saírem ilesos, no confronto com o maldito vírus. Recordando, também, no plano mundial, aqueles números de 0,42% da população mundial infectada e de 0,01% de mortos, parece-me que o “jogador” Covid-19, tinha chances pouco significativas de ganhar o jogo, mas blefou, virou a mesa e bagunçou tudo, com ajuda do dono do cassino.

         Na confusão, os medos hipocondríacos têm levado muitas pessoas, mundo afora, a utilizarem – sem evidências científicas claras e confiáveis –  alguns remédios e mezinhas que o “achismos” de alguns profissionais, governantes populistas e estudos sem estofo acadêmico, elegem para o tratamento, ou prevenção da Covid-19. Sem pretender discutir a correção desses comportamentos, apenas acomodamo-nos àquele velho dito popular: O que não mata engorda. Eu, também, diariamente, tomo  mel de abelha com suco de limão e a raspa de 3 bundinhas de tanajura.  Xô, Corona Vírus!

Jaboatão dos Guararapes(PE)15/09/20

(*)https://news.google.com/covid19/map?hl=pt-PT&gl=PT&ceid=PT%3Apt-150

 


 

 

7 comentários:

eudes disse...

O pior ainda está por vir. Quem perdeu parentes e amigos sabem.
Aconselho usarem máscaras. Afinal,não é só um vírus inofensivo como outros.

Blog do Ed disse...

Nos meus 94 anos estou em casa, isolado, receoso de qualquer contato, Não é apenas o horror da morte. É que a morte, vítima do corona vírus 19 parece ser extremamente dolorosa. A imprensa noticiou que um músico, desses conhecidos, teria preferido morrer a ter passado pelo sofrimento que passou.
Edgardo Amorim Rego

antonia disse...

Falem qualquer coisa que não vai mudar meu modo de pensar e agir. Tenho família e preciso peservá-la, então, só saio para tarefas essenciais, com todas as precauções, tipo: máscara, álcool gel, 70 etc. E só confio em alguma coisa após vacinada.

Ari Zanella disse...

O fato é que ninguém tem certeza de nada. Eu aceitaria vacinar-me com a vacina Oxford (a meu ver de maior credibilidade).

Cadé disse...

Gente! Eu acredito que é a maior crise mundial que eu vivi. O mais grave é que estamos vivendo sob esta tensão. Ouvir/ler sobre a morte de colegas/amigos já era muito triste, principalmente quando estamos no grupo de risco, hoje ficou ainda mais triste. Sequer podemos velar/despedir do amados amigos. Por fim, o isolamento nos impõe restrições e mudanças de comportamentos. Para não sentir ainda mais os efeitos do isolamentos necessário, eu adotei algumas mudanças de hábito. Pela manhã, dedico ao estudo da Biblia. As 11 hs vou à academia. Á tarde, estudo até as 15 hs, em seguida seleciono um dos meus cantores preferidos e fico ouvindo músicas boas. Sinto muito falta do convívio com os meus filhos, netos, amigos, e principalmente dos meus alunos. Por oportuno, registro que evito ao máximo assistir televisão aberta. Uma solução, que acredito amenizar os efeitos danosos, é evitarmos os hipocondriacos, esvaziar a mente, ouvir musicas e procurar cantar, e ficar em estado de oração (sempre pensando no Criador). Pois, nesta crise temos que ser vigilante (caso contrário seremos vítimas das tentações de satanás). Também, procuro manter os contatos com os amigos, colegas e amizades, sempre em dia (com sabedoria). Haja vista que além dos problemas provenientes da pandemia, ainda temos que aprender a conviver com os riscos das redes sociais (faço uma seleção minuciosa daquilo que vou ler). Desejo a todos os colegas que o Criador esteja 24 horas sendo abençoados pelo Criador. Temos que sê forte e corajoso, pois Aquele que nos criou também nos protegerá. Fiquemos com Deus.
Cadé

Miro disse...

https://www.infomoney.com.br/negocios/brandao-assume-presidencia-do-bb-e-indica-que-privatizacao-nao-esta-na-pauta-do-governo-que-quis-gestor-no-comando/

Sérvio Rugga disse...

138.000 mortos. Olhando só números e percentuais estatísticos, como aqui apresentado, tudo é irrelevante. Para que viver tanto e continuar insensível, sem a benevolência e compassividade cristã que nos e ensinada desde o berço? Vivemos tempos pré apocalípticos, parece.