quarta-feira, 24 de junho de 2020

FOGUEIRA DE SÃO JOÃO

O “MELÉ 142”
Aristophanes Pereira
         Pelo que vejo e pelo que sei, de vivência e por meu próprio sentimento, a quase totalidade dos 210 milhões(pouco mais, ou pouco menos) dos cidadãos brasileiros não vive, obsessivamente, preocupada com as ameaças que dizem pairar sobre a nossa “Democracia”. Estão lá, no Preâmbulo e no Artigos 1º, de nossa atual Constituição, exuberantes declarações de que a República Federativa do Brasil é instituída como um "Estado Democrático", formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constituindo-se em "Estado Democrático de Direito". E tem mais: outros três artigos, do 2º ao 4º, com seus parágrafos e alíneas, definem fundamentos, poderes, objetivos e relações que devem ser satisfeitos e respeitados para a conformação do Brasil como nação soberana e democrática. Só faltou desenhar!     
         Essa a contundente e pétrea disposição constitucional, em que acreditam – por aprendizado, por ouvir dizer, ou porque não se importam –  aqueles milhões de brasileiros, homens, mulheres, crianças, estudantes, profissionais, ocupados e desocupados, aposentados, pensionistas e, principalmente, os soldados que juraram, por patriotismo e profissionalismo, defender a Constituição e suas emendas. 
         A despeito disso, uns poucos 300, de um lado, e 301 de outro, digladiam-se, em protestos confusos, incoerentes e antagônicos, pregando com absurdas palavras de ordem, bandeiras coloridas, foguetórios e puxões de corda, ora o desmonte, ora a defesa do nosso “Estado Democrático de Direito”. Para tanto, pedem a distorcida intervenção das Forças Armadas, definidas consoante reza um enigmático e extenso “Artigo 142”(Caput, 3 parágrafos e 10 itens), da prefalada Constituição. Enquanto isso, no país real, grassa, sem cuidados, uma crise de vastas dimensões, na Saúde, na Educação, na Segurança, na Economia e redondezas. Enfim, ignoram um abismo profundo e letal, do qual só nos livraremos com união, concórdia e ações inteligentes. 
         Na verdade, essas tão, levianamente, requisitadas Forças Armadas, são compostas por três grandes comandos diferenciados –   Exército, Marinha e Aeronáutica – que incorporam, cada um com suas especialidades e estruturas bélicas, centenas de milhares de homens e mulheres armados, equipados, instruídos e treinados. Encontram-se espalhados, estrategicamente, por todo o território nacional, e alguns em nobres missões de paz no exterior. Agem harmonicamente, e dificilmente se dividem, pois são de formação avessa à cizânia. Portanto, vamos deixar de devaneios e mimimi, com essas enganosas, dissimuladas e hipócritas hermenêuticas e cavilosas interpretações do endeusado "Artº.142"
         Os mais recentes decifradores desse “artigo-chave”,  na sequência de uma   competente e oportuna ‘Liminar’, proferida pelo Ministro Luiz Fux, do STF, dizem, na palavra do presidente do STF, que “as FFAA(sic) sabem muito bem que o artigo 142 da Constituição não lhes confere o papel de poder moderador”; enquanto uma “nota tripartite”, não menos suprema, assinada por um improvisado “triunvirato” (Pres. Bolsonaro, Vice Mourão e Ministro Fernando Azevedo), enfatiza o que está lá no 142: “as FFAA destinam-se à defesa da pátria, à garantia dos Poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. Mas lembram, com indisfarçável tom ameaçador, que as Forças Armadas “estão sob a autoridade suprema do Presidente da República” e, já partindo para a ignorância, proclamam que elas “não cumprem ordens absurdas, como p. ex. a tomada de Poder. Também não aceitam tentativas de tomada de Poder por outro Poder da República, ao arrepio das Leis, ou por conta de julgamentos políticos”. Confesso que não entendi esse confuso e contraditório jogo de palavras. Vou esperar o “sábio tempo” esclarecer.
         Parece que o “142”, pelas versáteis e enganosas interpretações que lhe conferem, tornou-se a carta mágica do “melé”, ambicionada por todo jogador que quer trapacear, pra montar sua jogada. Conforta-me o entendimento de que existe uma verdade subjacente, um outro universo, “o consenso” de um Estado Maior Conjunto”, onde se vigia e se respeita a trajetória de “um ponto crítico", acima da “autoridade suprema do Presidente da República”, e só “eles” decidirão qual o momento de “atravessar o Rubicão”. E como cultivam a perigosa arte da guerra e da surpresa, “isso” é um segredo militar e constitucional.  Releiam a História, esquecidos! E voltem para cuidar do abismo profundo.
Jaboatão dos Guararapes, 24/06/2020

                                             A POSE DO TRIUNVIRATO - Foto de Marcos Correa - site da UOL

                               ESTADO MAIOR CONJUNTOS DAS FORÇAS ARMADAS (EMCFA - 2018)
 

17 comentários:

WILSON LUIZ disse...




MUCH ADO ABOUT NOTHING(muito barulho por nada), peça teatral de William Shakespeare

Estamos atravessando uma enorme crise sanitária e econômica, e o que mais se discute, inclusive em nossos blogs, é a guerra ideológica, quem é contra a democracia, quem não é, o presidente posando de perseguido, o congresso e o STF chamados de golpistas, realmente somos uma republiqueta de bananas podres.

País surreal, este onde somos obrigados a viver. Está atravessando a pior pandemia dos últimos cem anos sem ministro da saúde, com 25 “técnicos” militares, tem um presidente criminosamente omisso, cuja estratégia para lidar com o vírus é samba de uma cloroquina só e tenta jogar no colo de prefeitos e governadores o preço político da crise, falando que por ele todos voltariam ao trabalho, posição que defende desde o início. Tenho para mim que o supremo tribunal federal decidiu pela autonomia de prefeitos e governadores porque anteviu o desastre que seria Bolsonaro deixar a coisa correr solta.

O presidente perdeu a oportunidade, que às vezes coloca-se à frente de um dirigente, o de poder enfrentar uma crise que os transforme em estadistas.
Para isto, é preciso ter a coragem de assumir o comando das ações, abrir mão de suas vaidades, unindo os esforços de todos para uma estratégia unificada, foi assim que fizeram os líderes das nações que melhor se saíram; é duro sermos humilhados por Paraguai, Uruguai, Argentina...

Enfim, é querer muito que alguém que foi um militar indisciplinado se transforme em líder. Sua biografia passará pela nossa História não como estadista, mas como um asterisco de pé de página, um incidente.

Satisfação pelo retorno do mestre Aristophanes.

Unknown disse...

MEMÓRIA FRACA DE UM COMUNISTA:

"O que “causa espécie”, é o Presidente não visitar Hospitais"

Me espanta que esquerdopatas repetem o mesmo discurso, depois de 18 anos do PT desviando 500 Bi do BNDES, arrasar a economia, aparelhando os DOIS PUDERES que se protegem para VOLTAR ao PODER EXECUTIVO e MAMAR, MAMAR...

O OCIDENTE foi atacado pelo VÍRUS CHINÊS!

NÃO VI NEM OUVI os Comunistas Lula, Dilma, DORIA, MAIA... pedirem DESCULPAS pelo COVID19 enviado pela CHINA...a mesma que vocês veneram.

E ainda temos que tolerar Pseudo Torcedores Corintianos e Palmeirenses PAGOS para marchar mascarados pela "Democracia"!

Democracia é o POVO NO PODER e BANDIDOS na Cadeia?

Será que tem 399 + 11 vagas no DF?

Flávio disse...

Caro Ari,

Precisamos mais informações das chapas que vão concorrer a dir. de segiridade
que está a 8 anos com representantes do PT. Precisamos mudar com urgencia

abraços

Valdemar flavio fagundes

Chumbinho disse...

Qual é a chapa para eleição da Previ que tem veiculação com os que estão hoje comandando os destinos da mesma?
Qual será a chapa que os ex-colegas indicam?

Ari Zanella disse...

Para a eleição na PREVI eu indico a CHAPA 2 MAIS UNIÃO do colega Lazzarotto. A chapa 1 é continuação do atual diretor de Seguridade. Ademais, o seu candidato já é conselheiro deliberativo na própria PREVI além de fazer parte de sindicato. Haja tanto emprego para o cara!

Ari Zanella disse...

Isso amigo Flávio!

Por isso, é CHAPA 2 MAIS UNIÃO na cabeça!

Chumbinho disse...

Foi o que imaginei meu caro professor Ari Zanela. Também vou de Chapa 2 MAIS UNIÃO.

Blog do Ed disse...

Nesta eleição para a PREVI até agora só recebi uma propaganda da chapa 1. Muita gente sorridente. Nada da chapa 2. Acho que o dinheiro está curto.
Edgardo Amorim Rego

Unknown disse...

Vou de chapa 2!!!

Paulo disse...

Colega Wilson, concordo com cada palavra sua!Vc descreveu tudo o que eu queria falar.Parabéns, colega!

Unknown disse...

vou também chapa 2

Unknown disse...

Vai ser igual ao samurai na Cassi. Vamos mudar os atores e tudo vai ficar a mesma coisa, se não piorar! Triste mas, é a minha concepção.

Marco Antonio Orlando disse...

Voto chapa 2.

Gilb disse...

Bom dia, gostaeia de saber se alguem pode me informar em qual data tenho renivar o ES p que a parcela pule o mes, venha só no mes seguinte. Ex.:pule julho e cobre agosto.
Desde já agradeço.
Gilberto.

Ari Zanella disse...

Caro Gilberto,

Eu sempre fazia desse modo: Fazia a solicitação depois do dia 25 e antes do dia 30/31 para que o crédito ocorresse no mês seguinte. Nesse caso a prestação que seria cobrada no mês em que houve o crédito iria para o mês seguinte.

Quando você realiza o ES no site da PREVI, antes de CONFIRMAR, aparece um RESUMO da operação e ali aparece a data do mês da primeira parcela a ser debitada.

Miro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Miro disse...

https://valor.globo.com/politica/noticia/2020/06/27/mpf-denuncia-gestores-dos-fundos-petros-funcef-e-previ-e-pede-reparao-em-triplo.ghtml