quinta-feira, 26 de março de 2020

NÃO POSSO ME CALAR

NÃO FICO CALADO
Aristophanes Pereira
         Essa hecatombe grandiosa(desculpem o pleonasmo), mortífera e destrutiva, certamente, vai ficar na História, com algum nome marcante. Também, só num tempo futuro, será melhor compreendida, sem as distorções das avaliações contemporâneas, carregadas de pressa, facciosismo e emoções.
         Iniciada, modestamente, em novembro de 2019, no interior da China, a doença, que viria a ser chamada de Covid-19, se alastrou pelo país. A experiência chinesa em lidar com essas epidemias de estranhos vírus da Família Corona, logo montou uma reação nacional eficiente, mas, dessa vez, realçada por um rigoroso isolamento social de milhões de pessoas, em detrimento de uma freada em sua grandiosa economia. É o pouco que sabemos da misteriosa China, que, felizmente, já festeja a progressiva normalidade social e a retomada das atividades produtivas. Em menos de cinco meses!
         Qual efeito dominó, com pequenas defasagens, os países, mundo afora, foram sendo derrubados pelo nova doença viral. Sua abrangência é planetária, mas as formas de percebê-la, interpretá-la e combatê-la, não têm sido uniformes, por conta das múltiplas diferenças entre países e regiões.
         Um traço singular de seu pernicioso perfil é o fato de a doença Covid-19, atacar como uma força resultante de três componentes:(1) a própria natureza letal do novo vírus, (2) a dispersão cibernética, em tempo real, das reportagens e narrativas informativas e (3) a politização tendenciosa da pandemia. Não menos singular é o fato de o vetor inicial de dispersão da doença ter sido viajantes abastados, conduzidos por velozes aeronaves, adentrando gigantescos aeroportos de países ricos.
         O sucesso da China, ao superar, em pouco tempo, a dispersão da doença, a despeito da pouca informação liberada, parece ter sido a implantação severa do chamado  “protocolo de isolamento social”, combinado com um conjunto de instrumentos logísticos, nas áreas de recursos humanos, sanitários, hospitalares, e de prontidão no isolamento assistido de doentes.
         O preço da rigorosa aplicação desse protocolo, copiado e aplicado por diversos países, foi a parada brusca das atividades produtivas, na indústria, no comércio, nos serviços, na educação, e em tantas outras, movimentadas pelos humanos, com exclusão aleatória de alguns “setores essenciais”. Esse corte violento, sem precedentes, inimaginável pelos mais ousados roteiristas de filmes de ficção, começa a “dividir a casa” dentro de cada país, entre os que pregam o rigor do protocolo, a qualquer custo, e os que sustentam a sua moderada aplicação seletiva, preservando as atividades econômicas, cujo colapso ceifa, também,  silenciosamente, vidas humanas, notadamente entre os milhões que não podem parar de trabalhar, na busca do pão-de-cada-dia.
         O Brasil – com suas tristes peculiaridades de uma sociedade profundamente marcada pelas diferenças, entre uns poucos bem assistidos e milhões de “diaristas” – enfrenta o grave dilema de aplicação do “protocolo de isolamento social”, em sua maior extensão, ou sua aplicação seletiva, liberando o exercício de atividades que preservem a grande e diversificada máquina de sustentação do país.
         Lamentavelmente – sem trazer para cá imbróglios assemelháveis de outros países – mergulhamos, estupidamente, naquela terceira componente da “politização tendenciosa da pandemia”. De um lado, o Presidente Bolsonaro, bem intencionado, porém traído pelo estilo tosco do “capitão”, adverte a nação sobre o custo incomensurável da obediência cega ao protocolo.  De outro, mídias televisivas e jornalísticas, “capitaneadas”, respectivamente, pela TV-Globo e o Estadão, se esforçam, além dos limites do senso lógico e da honestidade profissional, em moldar os fatos, na forma de seus interesses, dividindo, vergonhosa e insensatamente, “a casa”, com a pregação subversiva do desmanche da Presidência da República. Foi o que aconteceu, ontem, na edição de uma hora e meia do “Jornal Nacional” e, hoje(26/3), no ferino editorial do Estadão(BOLSONARO PASSOU A SER AMEAÇA À SAUDE PÚBLICA).
         Minha autoridade para falar é, somente, a vivencia de um idoso indignado e a insuspeita isenção de quem ocupa a mais elevada classificação no grupo de risco da maldita doença. Não fico calado!! Termino, repetindo o que disse, em publicação de 12 do corrente(AS DUAS PÓLVORAS CHINESAS):
         A sensatez, neste grave momento de verdadeira guerra, deveria nos levar à pronta montagem de um equilibrado “estado maior” multidisciplinar, para assessoramento e enfrentamento integral e coerente das ações e políticas públicas”.

Jaboatão dos Guararapes(PE), 26/3/20
 Imagem copiada do Blog Marcos L. Lucherini, no Google.

PEDINDO VÊNIA AO AMIGO ARISTOPHANES, AUTOR DO TEXTO ACIMA, E NA MESMA LINHA DE RACIOCÍNIO INCLUO UM VÍDEO DE DÉBORA G. BARBOSA (DO YOUTUBE) SOBRE A PRINCIPAL MÍDIA BRASILEIRA DO MOMENTO QUE DE PATRIOTA NÃO TEM NADA:

 
QUEM TEM QUE PARAR É GLOBO, NÃO O BRASIL
 

19 comentários:

Blog do Ed disse...

O centro do Rio de Janeiro e os bairros vizinhos, como Glória. Catete ,Laranjeiras, Botafogo, Humaitá, Santa Tereza, etc. possuem prédios de condomínios, de vários andares, com existência centenária. Sem dúvida, alguns, neste momento em que escrevo, apresentam, problemas em seu sistema de esgoto. Esse problema exige solução imediata. Se todos os serviços estão paralisados, como contratar empresa para solucionar o problema? Se conseguir quem conserte, como comprar o material para a obra de reparo, se todas as lojas de material de construção estão fechadas? A solução de sobrevivência ao covid-19 impossibilita a sobrevivência aos mais comezinhos problemas da vida cotidiana.
Edgardo Amorim Rego

lourival josé do carmo rezende disse...

Mudando um pouco de assunto. A Anabb pediu para a PREVI 12 meses de suspensão do empréstimo simples como muitos estão dizendo? Que eu saiba seria 3 meses no máximo, como nos anos anteriores. Se a Anabb pediu os l2 meses ela só atrapalhou os participantes.Como pode um Fundo de Pensão denominado o maior da América Latina negar a suspensão, sendo que a Petros que é muito menor concedeu aos seus funcionários? Vai entender.

Unknown disse...

"Mudando um pouco de assunto. A Anabb pediu para a PREVI 12 meses de suspensão..."

Hipóteses:

- sabiam que a PREVI RECUSARIA mas ficaram bem na foto.
- por que não pedem ANTECIPAÇÃO DE TUTELA liberando os Depósitos Judiciais da Ação IRRF 1-3 Previ?
- SE a SRF já reconheceu o direito e em 2013 emitiu Portaria autorizando retificações da DIRF, que história e essa da SRF ficar RECORRENDO?
- estariam litigando o Nujur da ANABB e SRF, agradando o Banco Depositário?

Avisei o Rei Davi

Marco Antonio Orlando disse...

Isso mesmo! Se forem 3 meses o prejuízo alegado seria de 3 milhões e não 12 milhões, conforme informa a ANABB. Quanto ao BB até banco privado está oferecendo suspensão por 60 dias e o BB só oferece renovação de empréstimos para aumentar seu estoque, com juros maiores.

Cadé disse...

Caríssimo mestre Aristophanes, o senhor foi muito feliz nas palavras de seu artigo. Com sua vênia, gostaria de registrar a minha opinião de pesquisar sobre o tema.
Em primeiro lugar, enfatizo que o Grupo Globo, que antes estava demitindo e se adaptando a realidade sem os contratos de publicidade com o governo federal. Agora, vibra com o sucesso que vem alcançando em suas atividade jornalística e publicitária. É fácil de observar que o grupo não cita nenhuma ação positiva do governo atual. No entanto, as atrapalhadas e as precipitações administrativas que o "capitão" comete. São evidenciada ao extremo.
Concordo com a sua visão de que estamos sendo vítima da politização de um fato econômico e financeiro de grande proporções. Basta observar atentamente que existe um grupo que prega o "quanto pior melhor". É perceptível a intenção destes partidários torcendo que os caminhoneiros parem o Brasil. Ou seja, tudo aquilo que possa contribuir para uma "guerra social" entre esquerda x direita; e outras divergências sociais.
Em tempo, eu registro que não me agrada o comportamento do presidente Bolsonaro. Ele não é dotado da habilidade de usar as palavras e nem de controlar suas emoções. Porém, eu concordo com ele. Temos de combater a pandemia sem querer destruir o meu querido Brasil. Aqui faço um registro, eu não militar, nunca fui simpatizante de ditadura militar. Mas eu AMO o meu país.
Por fim, agradeço aqueles que leram o meu desabafo até o fim. Peço desculpa aqueles que pensam contrario a mim. Mas, é importante que estamos combatendo uma pandemia em que não dispomos de remédios para curar os enfermos; o isolamento social é uma boa estratégia, mas sozinho não resolve; o nosso pais ainda continua com os mesmos problemas sociais (morre centenas por falta d'agua, com a violência urbana e de diarreia); não adianta simplesmente pregar: vá morrer em casa; faça a quarentena em casa. Os dirigentes e jornalistas deste país tem que lembrar que o Brasil é um Continente. Aquilo que deu certo em outros países nem sempre dará aqui.
Terminando, eu acrescento que temos de cuidar de todos os brasileiros. Vamos cuidar daqueles mais vulneráveis. Juntos venceremos. Vamos cuidar da criança sem joga-la fora com bacia e tudo. É hora de união e não de divisão. Deus proteja o Brasil.
Cadé

Ari Zanella disse...

rafa deixou um novo comentário sobre a sua postagem "NÃO POSSO ME CALAR":

Se a ANABB pediu 12 meses então pode ter havido prévia combinação para a resposta (?)
Acho que a ANABB colocou a bola na marca do pênalti e a resposta foi óbvia.

Jorge Teixeira - Araruama (RJ) disse...

O Presidente da Cooperforte, em vídeo gravado e disponível no youtube (https://www.youtube.com/watch?v=_wgcDB8PQdc), informa que a assembleia da cooperativa será realizada por vídeo conferência em 05.04.2020. Nesta assembleia serão disponibilizadas as sobras referentes ao exercício de 2019. Informa também que, a partir de abril, as taxas de juros dos empréstimos serão reduzidas. Todo mundo caminhando na direção de minimizar os problemas que atingem em cheio a faixa etária mais suscetível às consequências, muitas vezes fatais, dessa pandemia. Só o maior fundo de pensão da América Latina que não adotou nenhuma medida que beneficiasse os aposentados e as pensionistas do “PB-1”. Será que teremos a distribuição dos malfadados bônus de remuneração variável para os membros da diretoria executiva em 2020?

Odan disse...

- MORRAM ODORICOS!!!!!!!!!!!!!

Batista disse...

O processo 1/3 Previ. no qual participo, transitou em julgado em 2017.
Após atualização pela Contadoria da Vara Federal, resolveram migrar o processo (físico)para o PJe.(processo eletrônico).
Nesse processo, as partes não precisam ir até a Vara. Disseram que era mais rápido.
As partes devem se pronunciar se concordam com a digitalização, ou se acrescentam algo que julgam, essencial.
Até agora não vi a cor do "vil metal", pelo jeito vai demorar.

"Assim caminha a humanidade"

Batista

Flávio David leite disse...

Quer dizer que o esgoto dos prédios cariocas é mais importante que a prevenção de vidas humanas? É mais uma bizarrice do festival de bizarrices que vemos aqui todo dia.

Unknown disse...

Talvez os nossos tratamentos virão o desfecho da ação 1/3 Previ

Blog do Ed disse...

Dr. Flavio
Sei que o senhor é muito inteligente e muito sábio. Mas, sua respeitável manifestação informa que o digno senhor nada entendeu da minha mensagem. O senhor acha que alguém pode sobreviver num prédio onde os apartamentos estejam inundados por fezes? Em minha longeva existência aqui no bairro de Copacabana, já tive oportunidade de deparar-me com essa situação em apartamento de pessoas abastadas. Mas, siga sua vida em paz e muita felicidade, sem corona vírus.
Edgardo Amorim Rego

Aristophanes disse...

Prezado decano, amigo e colega Ed.

Admiráveis a sua tolerância e fino trato. Mas ignorância madura e grosseria gratuita, misturadas com leite, tornam a bebida indigesta, e depois vai entupir as latrinas da vida.
Abraço solidário. Aristophanes

João disse...

Srs!

Na linha de raciocínio do Cadé, acima, eu também "não sou militar nem simpatizante da ditadura militar"; mas sou muito simpatizante da ORDEM e da DISCIPLINA, coisa que há muito falta nesse país!

E àqueles que pregam o caos, a desgovernança, e são concordes ao pensamento "todos em casa", vamos ver o que pensarão quando a geladeira e a despensa estiverem vazias! Não adianta irem ao supermercado: este estará vazio, porque a indústria não produziu, porque as máquinas estavam paradas, porque o caminhoneiro não transportou os grãos, porque o agricultor não colheu... porque TODOS ESTAVAM EM CASA!

Era isso!

Ademar disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ademar disse...

Parabens Cadé pelo seu sensato comentário, concordo plenamente com voce.

Ari Zanella disse...

Sua resposta foi postada para o seu tema de interesse no Sistema de duvidas do site ANABB.

Pergunta:
Prezado Senhor Presidente da ANABB Tendo em vista que a ação do IR/Previ está em fase de execucão, venho sugerir para que solicitasse ao juízo a liberação destes recursos em virtude das circunstâncias atuais por que os associados desta Associação estão passando, seja pelo poder aquisitivo achatado, tabela IR não corrigida, uma grande maioria sendo idosos - além de que a pandemia pode trazer maiores dificuldades financeiras, além de que o confinamento pode reduzir a imunidade fisiológica. Agradecemos pelas providências Saudações

Resposta:
Prezado colega, em atenção a sua mensagem, informamos que a ação coletiva IR PREVI (nº 14460-60.2010.4.01.3400) obteve julgamento favorável em primeira e segunda instâncias e está tramitando no TRF1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região). Em face das decisões favoráveis aos associados, a União interpôs recursos especial e extraordinário ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) e STF (Supremo Tribunal Federal), que aguardavam exame de admissibilidade pelo TRF1. Por meio do exame de admissibilidade, o TRF1 analisa se os recursos serão encaminhados ou não aos tribunais superiores. Assim, esclarecemos que, em decisões publicadas em 29/01/2020, o TRF1 não admitiu os recursos interpostos pela União que buscavam limitar a abrangência da ação, considerando que as decisões favoráveis aos associados estão em consonância com a jurisprudência do STJ e STF. No entanto, conforme previsto no Código de Processo Civil, a União ainda pode recorrer das d ecisões por meio de Agravo aos tribunais superiores. Cumpre ressaltar que a ANABB está verificando a possibilidade de se promover uma execução provisória contra a União para dar impulso na ação, no entanto, somente após a finalização de tais recursos é que ocorrerá a formação do crédito. Colocamo-nos à disposição para maiores informações que julgar necessário. Agradecemos o seu contato.

Atenciosamente, Natalia Alcantara
Atendimento ao Associado
ANABB/VIREF

Unknown disse...

Para acompanhar o andamento da ação 14460-60.2010.4.01.3400(1/3 Previ) no site do Trf1 tem que ter nervos e estômago de AÇO

PreviPlano 1 disse...

Porf. Ari,
permita perguntar através desse seu precioso espaço, o seguinte: A Anabb pediu a Previ para suspender um ano, 12 parcelas, do ES. Soube que a previ negou. Que tal ela, a Anabb, pedir para suspender apenas três parcelas? Outra coisa: Seria interessante que a Anabb reproduzisse a resposta oficial da Previ para todos os aposentados tomarem conhecimento.

Grato.