sábado, 5 de outubro de 2019

A CASSI AJUDOU NESSA CIRURGIA, ELA NÃO PODE ACABAR POR FALTA DE ACORDO. JAMAIS!


MORREU DO QUE EU PODERIA TER MORRIDO
Aristophanes Pereira
         Meu PC tem uma configuração que insere, repentinamente, notificações de chegada de novas mensagens, na caixa de e-mail, mesmo quando estou navegando em outra página. Foi assim, de supetão, que soube, Segunda-Feira, dia 30/9, do falecimento do Luiz Geraldo Vieira. Triste surpresa. Um velho companheiro, de minha geração, conhecido desde o começo da década de 60, quando cheguei em Recife. Alegrava as noites de Sábado, com seu notável programa “Noite de Black Tie”, no qual o quadro “Cadeira de Engraxate”, entrevistava, com delicado humor e competência, personalidades da maior expressão e contemporaneidade. Foi líder de audiência, durante anos, na TV Jornal do Commercio, emissora pernambucana que fincou marcos de pioneirismo na televisão brasileira, tecnicamente restrita, na época, a alcances locais. De lá para cá, encontros profissionais, ou casuais, que sempre se alongavam pelos bate-papos animados e ricos de causos e histórias pitorescas. Cara legal, leve, memorável. Construiu muito. Requiescat In Pace.
         A notícia da morte de Luiz Geraldo trazia a informação, talvez pouco percebida, de que tinha sido “vítima de ruptura de aneurisma na Aorta”. Mais um choque que me tocou, porque morreu do que eu poderia ter morrido, tempos atrás: aneurisma na Aorta.
         Falo desse assunto com os cuidados de um leigo respeitador da competência dos profissionais e autoridades médicas. Entretanto, meu atrevimento deve ser tolerado, porque sou um paciente desse maligno e traiçoeiro transtorno biológico, sobre o qual tive a ousadia de juntar, no correr de meu tratamento, anotações em um livreto, não publicado, que intitulei: “ANEURISMA – O discreto matador. Ele pode estar dentro de você”(2017).
         Vale recordar que o sistema de vasos por onde circula o sangue é assemelhável a uma instalação hidráulica, numa analogia simplista. É fácil perceber que qualquer defeito nessa instalação, provoca acidente vascular que merece cuidados, de variadas formas e gradações. É um fluxo contínuo e vital! Quando para morremos, e quando morremos para. 
         O aneurisma é uma bossa, ou calombo, que se forma, paulatinamente, em qualquer trecho de uma artéria, de qualquer calibre. O mais comentado e divulgado é o aneurisma cerebral”, que ocorre em estreitas artérias que irrigam o cérebro, e muito conhecido como “derrame”, quando se dá um rompimento. Não é tão letal, mas, frequentemente, deixa sequelas, e quase todos sabemos de parentes e amigos vitimados. Diferentemente, o aneurisma, quando localizado em segmentos da aorta torácica e abdominal, é doença mortífera, porém silenciosa, assintomática, progressiva, pouco realçada, confundida, cujo tratamento é, por isso, negligenciado.
         Até uns 20 anos atrás, descobrir que se tinha um aneurisma na aorta – no trecho que começa na parte superior do coração e, fazendo um arco para trás, desce pelo tórax até o abdome – era diagnóstico, paradoxalmente, ótimo e péssimoÓtimo, pela surpreendente descoberta do maligno distúrbio, assintomático, escondido e letal. Péssimo, pela limitada perspectiva de tratamento, desconhecimento médico especializado e precariedade da necessária reparação cirúrgica. A grave decisão de operar era uma “roleta russa”, entre esperar o fatal rompimento e as escassas possibilidades de sucesso de uma complexa cirurgia aberta, geralmente em pacientes vulneráveis e de idade avançada.
         Nas duas últimas décadas, felizmente, muito se evoluiu, graças aos avanços da tecnologia instrumental(imagens e aparelhos minimamente invasivos) e  das capacitações  médicas, no campo da radiologia intervencionista. Infelizmente, esses avanços ainda se ressentem de freios, no que respeita a custos elevados, escassa infraestrutura hospitalar, limitação de especialidades intervencionistas e de suporte e, principalmente, desconhecimento e confusão diagnóstica, por parte dos portadores assintomáticos da doença e – por que não dizer ?! – por expressivo número de profissionais ainda não motivados pelos desafios dos distúrbios aneurismáticos da grande e vital adutora sanguínea: a Aorta.
         No meu caso, em 2015, quando constatamos, por um exame de Ângio Tomografia Computadorizada, a presença de dois aneurismas contíguos, na região da aorta descendente(Tórax), acendemos o sinal amarelo, e passamos a monitorar a evolução do “calombo”, que ofereceria perigo de eminente rompimento, quando seu diâmetro ultrapassasse em 50% o diâmetro normal, naquele trecho. Foi o que aconteceu. No final de 2017, me submeti à inadiável cirurgia de reparação do trecho comprometido(TEVAR-Thoracic Endo Vascular Aortic Repair - Vide figura) com sucesso e... garantia de 10 anos.
         Haveria muito, ainda, o que comentar, entretanto encerro, aqui, com a advertência do Prêmio Nobel(2004),  Aaron Clechanover,  que ensina: “É mais lógico lidar com as doenças, buscando mudar atitudes para preveni-las, do que trata-las”.

Jaboatão dos Guararapes, 4/10/2019
FIGURA – Endoprotese, na aorta descendente, com fluxo sanguíneo previamente redirecionado através de ponte/prótese entre as artérias Carótida e Subclávia esquerdas, (Adaptado pelo autor de um desenho original da University of Michigan Health Center-2010).

6 comentários:

Aristophanes disse...

Ari.
Oportuna a sua lembrança da CASSI.Nao mencionei no texto porque foi destinado a publico externo. Aqui, registro que a parttcipacao da CASSI, conquanto rigorosamente negociada, foi fundamental e indispensavel para a preservacao de minha vida.Grato.Aristophanes

Mamesi disse...

Minha mãe faleceu de Derrame cerebral, e meu pai faleceu de Aneurisma na Aorta.
Quando eu disse para um médico em Ribeirão, que meu pai tinha falecido disso, ele só fez assim: Hummmmmmm.... tenho medo, ainda mais sabendo que é silenciosa.

Paulo disse...

Como sempre desconfiei de números, estatísticas e dados do governo, vem uma bomba aí: a Câmara dos Deputados aprovou uma mudança no cálculo do número de desempregados no país, com os cálculos de hoje, algo em torno de 12,6 milhões de pessoas.Seguem as Mudanças:
Projeto muda definição do que é um desempregado em pesquisas do IBGE
Por exemplo, quem trabalha e não recebe em dinheiro, mas em produtos, passa a ser considerado desempregado
Quem recebe algum benefício social, como o Bolsa Família, também deve ser considerado desempregado
O projeto ainda não está valendo porque depende de aprovação também no Senado
Taxa de desemprego hoje é de 11,8% (12,6 milhões de pessoas), e isso pode aumentar com as mudanças.

Com essas mudanças, estimo uma massa de desempregados entre 30-40 milhões, pois não faz sentido algum considerar alguém que recebe um benefício social como empregado!Pelo contrário, esse indivíduo recebe uma miséria, e está sendo pessimamente amparado pelo governo.Em tempo, parabéns pela mudança, falar a verdade e de números reais implica conscientização pelas mudanças!

torbes gambarra disse...

Quem tiver emprestimo bb credito funci no banco do brasil aproveitem que a taxa para renovação em 96 meses caiu para 0,97 a.m e em 120 meses para 1,12 a.m; é so fazer a simulação e renovar ai voce escolhe em baixar a prestação ou adiar o pagamento até o mes de abril/2020.

Trader anônimo disse...

Estimado Professor Ari, colegas de chat,

Logramos colar no "Terceira Via" os seguintes fragmentos de texto:


SEGUNDA HIPÓTESE: O HODIERNO CAPITALISMO BURSÁTIL É UMA CONSPIRAÇÃO CUJO PRINCIPAL OBJETIVO É TRANSFERIR RIQUEZAS

II.1.Primeiros indícios de que o principal objetivo do hodierno capitalismo bursátil é a transferência de riquezas: o surgimento de extravagantes cotações durante longos períodos de tempo (Textos G.1 - G.6.)

II.2. O verdadeiro “fundamento” da Bolsa de Valores é a exploração dos trabalhadores (Textos I.1 - I.8)

PONTOS PRINCIPAIS dos itens II.1. e II.2. (Textos L.1 - L.3.)

Portanto, sugerimos começar a leitura pelos Textos L.1., L.2., L.3.

Trader anônimo

P.S.: os textos das colagens anteriores estavam truncados e/ou inconclusivos.

Ari Zanella disse...

Agradeço penhorado ao ex-colega endividado sobre o episódio contado no blog do colega Medeiros. Estou evitando falar sobre esse assunto aqui no meu blog. Obrigado a todos, especialmente ao nobre colega Medeiros.