domingo, 8 de setembro de 2019

IDEOLOGIA DE GÊNERO por Aristophanes Pereira

DESVENDANDO A IDE0LOGIA DE GÊNERO
Aristophanes Pereira

              Nas falas e escritos especializados, de quaisquer atividades – Economia, Direito, Sociologia, Religiões, Futebol, etc. – a dinâmica das línguas e a constante evolução de comportamentos sociais e de instrumentos tecnológicos criam termos e expressões que, nem sempre, são amplamente assimilados e compreendidos, e ficam confinados nos espaços culturais e científicos de cada “turminha”.
         Na minha leiguice, em relação a certas modernidades, desconhecia, até pouco tempo, o significado da expressão “ideologia de gênero”. Passava por ela, desinteressadamente. Depois, reconheci que é expressão complicada, jovem, pretensiosa e carrega uma forte dosagem de claudicante teorização, relativamente a uma gama de comportamentos sexuais dos humanos. Aplica-se a conceitos que pretendem construir a ideia de que não existem apenas os gêneros masculino e feminino, mas um elenco diversificado de outros gêneros, fundados no princípio de que o sexo biológico é distinto do sexo assumido(identidade de gênero). Ser homem, ou mulher, não dependeria, apenas, do corpo biológico em sua totalidade, mas de padrões culturais e comportamentais. Como toda teoria, foi desenvolvida para tentar explicar realidades já existentes, mas não comprovadas, ou bem compreendidas.
         A insofismável realidade do binômio universal sexo-gênero remonta a eras primordiais e foi logo capturada pelos dogmas religiosos, como a historinha de Adão e Eva. A despeito de sua ululante realidade, foi embrulhada em segredos, tabus, hipocrisias, preconceitos, ritos e tolerâncias romanceadas. Somente no último quartel do século passado irromperam, num crescendo, as realidades e verdades sobre comportamentos sexuais que, até então, se escondiam sob o manto dominante e exclusivista dos dois gêneros: masculino e feminino.
         Sou um vivente híbrido, com 69 anos de Século XX e mais os contemporâneos 19 do XXI. Como testemunha ocular da História, recordo, na minha própria linha do tempo, situações que configuram aquele antigo e enrustido estado de coisas, no âmbito dos comportamentos sexuais de pessoas e no entendimento de instituições.
         Apesar da gritante obviedade biológica do sexo, vetor da reprodução e da vida, comportamentos sexuais só eram assumidos no restrito espaço do “natural e sagrado” acoplamento entre homem e mulher. Variações desse padrão se escondiam numa caixa-preta misteriosa, de fantasias, histórias mal contadas, segredos de alcova e regras de conduta, sem contraditório, transmitidas de geração para geração. Meninos e meninas separados. Homossexualidade de lésbicas, eunucos, pederastas e avulsos, deplorada e comentada em segredinhos irônicos. Virgindade, virtude suprema da mulher, só rompida no sagrado casamento. Meretrício e bordéis – mal necessário – eram escapes sabidos mas não questionados. Práticas individuais secretas chegavam com a puberdade, mas combatidas, pelos “malefícios” e citações bíblicas de Onam. A “camisa-de-vênus”, guardada no fundo de gavetas, se justificava pela não ampliação da prole. Pessoas mais escolarizadas recorriam a ensinamentos ginecológicos, nas leituras do bestseller “Nossa vida sexual”, do Dr.Fritz Kahn. E as leituras, além dos clássicos, conheciam a sexualidade em livros como “Iracema, a virgem dos lábios de mel”, de José de Alencar, e ousavam um pouco mais com A Carne, de Júlio Ribeiro.
         Esse mundo de sexualidade cerceada – em práticas e em gêneros disciplinados e acatados compreensivamente – não era um inferno insuportável, nem motivo de conflitos, discussões e repulsas coletivas. Era assim. Era uma época. Parecia tudo tranquilo e imutável.
         Eis que o fogo-de-monturo de duas guerras mundiais, com seus horrores e quebra de paradigmas comportamentais, os movimentos migratórios, o cinema, o avião, a Televisão, num processo revolucionário crescente, lançam as bases do feminismo, rebentam a caixa-preta dos acidentes sexuais e denunciam a ditadura dos dois gêneros, masculino e feminino.        
         É sobre essa realidade, abafada e deturpada durante séculos, por variados disfarces e artimanhas, que se procura, nos dias correntes – em gradações diferenciadas, em países e culturas diversas, num mundo sem fronteiras e em meio a conflitos de gerações e muros de religiosidade – elaborar teorias, no modelo da ideologia de gênero, para explicar e consolidar o entendimento de um novo projeto de sexualidade e coexistência entre diversas identidades de gênero, condensadas na sigla LGBTQ+ e outras mais confusas, que o Google explica.
         O leitor notará a dificuldade de exploração ampla e compreensiva deste tema. Ousei faze-lo movido por minha inquietação intelectual, quando me defrontei, esta semana, com alguns fatos e episódios que aguçaram a minha curiosidade sobre o recorrente tema da sexualidade: O seriado futurista “Years and Years” há pouco iniciado pela HBO, ressalta a explicita relação matrimonial entre três “homens”, num triângulo amoroso cheio de inquietações... No filme “Bohemian Rhapsody”, a biografia do vocalista Fred Mercury, da banda Queen, trata menos de música, preferindo enfatizar a instabilidade de gênero do cantor, que atinge o clímax, quando diz à sua amiga e esposa: “Eu acho que sou homossexual...” E aqui no Brasil, ainda permeia no noticiário, a proibição da apostila de ciência, que trata de diversidade sexual nas escolas, fato que o Governador de São Paulo repudia, dizendo que “não aceitamos apologia à ideologia de gênero”, enquanto no Rio de Janeiro, o Prefeito censura o “beijo gay”, desenhado num livrinho de HQ, exposto na festejada Feira do Livro.
         Por tudo isso, não podemos fazer cara de paisagem, nem jogar para debaixo do tapete o momentoso tema da ideologia de gênero e a consequente definição da diversidade de gênero. Penso que o primeiro capítulo deve ser o inarredável dever-de-casa, entre pais e filhos. Um pouco mais tarde, o estudado na escola, sem teorias duvidosas e tendenciosas e, mais adiante, soltos no rebuliço mundano, cada um tome seu rumo.

Jaboatão dos Guararapes(PE), 7/9/19.

 Crédito de imagem: DEPOSITPHOTOS, no Google.

4 comentários:

Paulo disse...

Fica difícil comentar um texto tão bem escrito e de uma profundidade inominável. Entretanto, me arriscarei nesse mundo do politicamente correto.
Quando seres humanos adultos, com a personalidade formada, a despeito de sua história de vida, decidem optar por experiências quaisquer (respeitado o direito do outro) é problema exclusivo seu.
Agora, quando crianças em formação são expostas a práticas que em sua imensa maioria não têm apoio da parcela maior da sociedade, há algo de muito errado.
Democracia, Estado Democrático de Direito e muitos outros conceitos defendidos e não praticados, empurram a população contra a parede obrigando a engolir comida muito indigesta.
Lembro quando certo jogador famoso, flagrado num episódio sobre esse tema numa delegacia, teve a sexualidade do seu filho questionada,ameaçou meio mundo com processo judicial.
Plebiscito. Assim como foi o do desarmamento.
O que não é admissível é que uma única caneta coloque em xeque as influências que os pais querem que cheguem aos seus filhos.
Se não já fosse suficiente a existência de uma cleptocracia empobrecendo economicamente, intelectualmente regiões mundo afora, vem chegando um verão tenebroso onde nem a escolha do super herói será permitida, caso não se enquadre nesse "admirável" mundo novo.

Cadé disse...

Caríssimo Mestre Aristophanes Pereira, eu te parabenizo pelo brilhante texto. É um trabalho intelectual fruto da sua inquietação, como confessas no corpo da matéria. A questão é complexa. Embora não tenha vivido tanto quanto você, vivendo aprendi e vi muitos "casos", como se diz em nosso querido Nordeste. O fato é que as variedades de sexos sempre existiram. A polarização entre macho e fêmea. Comportamento de macho e de fêmea, acredito que são frutos de educações domesticas passadas. Pois, sempre houve mulheres com predominância de comportamento masculino, e vice e versa. É claro que a teoria médica, ainda vai separar o ser humano em masculino e feminino. Porém, com os avanços tecnológicos, sociais e políticos a tendência é que todos aqueles que não estejam satisfeito em sua classificação de masculino e feminino, se libertaram. As mudanças tendem a acontecerem. Processo normal de evolução natural. O problema que eu vejo, é que o fato de alguém assumir a sua preferencia sexual, não lhe dar o direito de reduzir os direitos dos outros. Principalmente, das crianças, pois, uma coisa é um adolescente, um adulto escolher a sua preferencia e assumi-la. Outra bem diferente é incentivar as crianças, em fase assexuada, a assumirem uma opção sexual, apenas para atender interesses dos adultos responsáveis pela sua educação. Outro ponto, muito sério, é o pessoal que se diz pertencer ao grupo LGBT, querer fazer uma revolução sexual, em que mostra o heterossexual como sendo uma pessoa anormal. O normal continua e continuará sendo a existência do gênero feminino e masculino. Caso contrário, ao nascer o bebê seria classificado: criança com genitálias feminina mas com comportamento masculino, e vice e versa. Isto não seria possível. Ademais, eu concordo com todos os adultos que se sentirem desconfortáveis em seu gênero sexual que se assuma. Afinal! A verdade nos liberta. Porém, vamos respeitar os direitos dos outros. A liberdade deles é uma bandeira válida. Porém, que eles respeitem as liberdades dos demais. O mundo quando foi criado pelo grande arquiteto do Universo, criou o homem e a mulher.
Eu sou do gênero masculino. Sou muito satisfeito com o meu sexo. Admiro demais as mulheres. Pouca coisa supera uma mulher fêmea, carinhosa, corajosa, conselheira, daquelas que ler com os olhos e nos repreende quando fazemos algo errado. Ademais, no mundo ainda existem funções especificas para o homem e para a mulher. O homem jamais terá condições de gerar filhos. Apenas para citar um exemplo.
Por fim, todo radicalismo é nocivo a uma convivência pacifica. Respeitem os direitos de nossas crianças, a opinião dos nossos velhinhos, e nos aceitem por sermos diferentes daqueles que pertencem ao grupo LGBT. Afinal! O Sol nasce para todos. Caso você tenha opções sexuais diferentes, aceites aqueles que continuam como heterossexuais. Respeitem os nossos espaços que certamente os vossos espaços serão respeitados. Mas, se partirem para o confronto, ninguém ganha. Apenas haverá mais guerras, mais intolerância entre as pessoas.
As mídias respeitem as famílias. A imprensa, os meios de comunicação não tem o direito de inundar os ambientes domésticos com propagandas sexuais diferentes. Todos nos somos iguais perante as Leis, então respeitem-nos.
Cadé

Blog do Ed disse...

Saboroso e inteligente texto!
Edgardo Amorim Rego

Unknown disse...

"sss disse...
Vai sonhando, marcelino.
07/09/2019 21:00"

Não é sonho.

É REALIDADE.

Ao SUL do Ipiranga SEMPRE vivemos no MELHOR PAÍS DO HEMISFÉRIO SUL, quiçá do MUNDO:
- PR-SC-RS são auto-suficientes, com altos índices de IDH;
- sequer temos exploração de petróleo como no Sudeste, RJ-SP-ES-BA... que lhes renderam exclusividade de Royalties por décadas.

SP, pode ser até melhor, mas carrega toneladas de problemas e de corruptos.

Já mais ao NORTE, não sei se "sonham" com SECESSÃO.

Para, pelo menos, 15 Governadores brancos, eleitos acima de MG, acostumados ao voto de cabresto de um povo escravizado desde 1777, a SECESSÃO é um PESADELO que levaria gordas fatias da arrecadação da República.