sexta-feira, 27 de setembro de 2019

A VIDA EM DOIS MIL E CINQUENTA

DERRETENDO GELEIRAS ENTRE GERAÇÕES
Aristophanes Pereira
         A conhecida “Pirâmide Etária”, aquele gráfico, um tanto complicado, que mostra o perfil etário de um conjunto populacional, já está perdendo a forma de pirâmide, em muitos países ricos e de boa qualidade de vida. Aqui no Brasil, apesar dos pesares, essa tendência não piramidal está, também, ocorrendo, e projeta-se que, num futuro próximo, ai por 2050, não mais representaremos uma pirâmide, mas um contorcido retângulo.
         Não vou buscar as boas causas desse fenômeno, nem investigar todas as possíveis consequências. Quero realçar, apenas, alguns aspectos da questão e, de pronto, refutar aquela falácia de jovens que dizem, quando encontram um bem posto octogenário: ”Ah! Queria eu chegar, assim, a essa idade”! Vão chegar, e em quantidade crescente. Na década de 1960, a expectativa de vida média do brasileiro ficava em torno de 60 anos, hoje 50 anos depois, alcança 76 anos. Grande conquista! imagine se tivéssemos bons serviços públicos?!
         Frequentes relatos nos dão conta de maravilhosos trabalhos e impressionantes projetos tecnológicos, em vários campos da Ciência, que se desenvolvem em grandes laboratórios e empresas. No emblemático Vale do Silício, na California, impera a chamada Geração Millennialsdos nascidos entre a década de 80 e o ano 2000, também referida como Geração-Y, caracterizada pela contemporaneidade com a Internet e focada nas conquistas tecnológicas que vêm revolucionando o mundo. São alimentos artificiais, peças da precisão produzidas por impressoras, supermercados sem atendentes, remédios milagrosos, próteses que prolongarão a vida e, como não poderia deixar de acontecer, a extinção de milhões de antigos empregos e a criação de novas especialidades. Não é ficção cientifica. São produtos que já estão nas prateleiras e projetos que serão realidades mudancistas, em futuro visível.
         É nesse ambiente de constantes mutações de produtos e estilos de vida, que estão reaprendendo a viver e ajustando suas interações o crescente grupo de longevos, que alarga o ápice da “pirâmide”, e o minguante contingente de jovens, que estreita o meio e a base. Daí, já pintam, aqui e acolá – conforme o estágio de desenvolvimento, cultura e crenças religiosas – arrumações de convívio e novos hábitos, há pouco inimagináveis.
         O filme “Um Senhor Estagiário(The Intern)”, com fino humor, conta a estória de Ben(Robert De Niro), um executivo aposentado, de 70 anos, que aceita trabalhar, como estagiário sênior, em uma dinâmica e jovem empresa que alimenta um inusitado projeto de contratar idosos, como estagiários, em uma tentativa de colocá-los de volta à ativa. Saindo da mesmice de sua aposentadoria, Ben almeja se reinventar, no convívio com outras gerações, e no repasse de sua experiência. No correr de engraçadas situações, planta ensinamentos, é aceito pela comunidade jovem, quebra paradigmas e proporciona um romântico  happy end.
         Noutro caso, dias atrás, recolhi do Estadão uma reportagem(NOS EUA, IDOSOS SÃO A ÚLTIMA MODA NAS UNIVERSIDADES, 15/9/2019), mostrando experiências, já em curso, de prestigiosas universidades americanas que constroem, vizinhos aos seus câmpus, condomínios para idosos. Querem, assim, aproximá-los das lides escolares e dos jovens universitários, buscando um benfazejo colóquio de troca de experiências e interface de distintas gerações, além de uma disfarçada fonte de receita. “Elas estão trazendo uma nova geração (ou velha geração) para os câmpus para encher as salas de aula, comer nos restaurantes dos alunos, assistir a performances estudantis e se tornarem mentores”, provoca a reportagem.
         Vejo com entusiasmo e confiança esse ambiente de tendências compreensivas e criativas de pontes, que podem superar preconceitos, animar encontros e interligar espaços proveitosos, para o convívio produtivo e salutar de velhos e jovens, derretendo geleiras entre gerações.
         Pessoalmente, divago sobre as linhas de um singelo projeto, mediante o qual anciãos produtivos e capacitados fossem adotados, em escolas de ensino médio, para lecionar a cadeira opcional “Troca de Ideias”, entre o mentor idoso e jovens alunos. Fica a sugestão.

         Já se desenha um bom começo, no derretimento das geleiras, mas há naturais forças repulsivas – arraigados hábitos e prevenções, de um lado, e excessos libertários e preconceitos, de outro. Entre os bisavôs e os longínquos bisnetinhos, no tempo e no espaço, cabe um estudo-de-caso. Ainda tenros, estão separados por três gerações, acumulando um hiato temporal e cultural de mais de 75 anos. É dose! Estou fazendo a minha parte, mas os bichinhos são arredios...

Jaboatão dos Guararapes, 27/9/19
FOTO: Crédito da avó Christina, no flagrante do “Bisa” com a “domada” bisneta Celina, separados por uma geleira de 87 anos!

11 comentários:

Unknown disse...

DEMOROU 16 anos.

Com o Capitão no comando, apenas 9 meses.

https://veja.abril.com.br/politica/lava-jato-mira-gerentes-do-bb-suspeitos-de-impedir-alertas-ao-coaf/

E amigo da Valdirene?

É a Matilha de Zumbis LPTSOL na BR, BB, CEF e ...

Os funcis do ECT devem estar felizes com o possível retorno da Kirschner que usurpou 9 bi com a bondade da Dilmanta.

Cadé disse...

Mestre Aristophanes parabéns pelo texto. Muito bom e bastante oportuno. Aproveito o momento para externar uma das minhas inquietações. Ou seja, percebo que os nossos jovens dispõem de todas as condições de passarem dos 100, 110, 120 anos ou mais. Entretanto, quando fazemos um exercício de futurologia, baseado em nossas experiências de vida, é razoável afirmar que os nossos jovens estão despreparados para muitas coisas. Por exemplo, poucos gostam de aprender, de estudar, de exercitar-se, de construir algo novo. Eles são muitos imediatistas. Não sabem, ou não demonstram capacidades para vencerem desafios da vida. Nos relacionamentos, no primeiro conflito se separam, não perseveram. Aqueles que estudam e são dedicados, quando entram no mercado de trabalho são muitos seletivos (poucos aceitam sair da zona de conforto). A grande maioria estão mais preocupados com a aprovação social, dos outros, do que sua autorrealização pessoal.
Mestre, aprendemos muitos com os nossos pais. "Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais". A família é base de tudo. Temos que entender a existência de Deus Misericordioso e bom que nos perdoa, e nos protege em todos os momentos. Alguns vão dizer que os nossos pais eram mais amáveis e mais cuidadosos com a família e com os filhos. Não é verdade. Somos frutos de gerações em que os filhos sequer gozavam o direito de falar (quando o seu pai falar fique calado), caso contrario, "apanha". Mesmo assim, todos nós amamos os nossos pais e antepassados. Poucos de nós gozou o direito de conhecer os avos. Mas aqueles que gozaram os tinham como uma perola.
A culpa não é só deles. É nossa também. Conheço muitos filhos de colegas do BB que hoje vivem da aposentadoria do pai, e o mais grave, ainda trata mal os pais. A grande maioria dos jovens de hoje, foram criados superprotegidos. Numa realidade social e financeira, um tanto quanto utópica. Em muito casos demos a eles uma condição de vida que não tivemos, e eles tem nos devolvido filhos que não merecemos.
Por fim, muitos de nos tivemos que enfrentar desafios inimagináveis para eles. Vamos citar: o exame de admissão ao ginásio, o vestibular, um curso de engenharia elétrica com os professores ministrando aulas em outras línguas(inglês, francês e espanhol), um concurso para o BB com n disciplinas(com detalhe dispúnhamos de alguns minutos para responder o numero x de questões), enfrentarmos concursos internos para ser escriturário, gestores, etc. Tudo isto sem contar que muitos tivemos que tomar posse em praças pouco desenvolvidas. Sem contar que o país vivia uma ditadura militar.
Hoje, as coisas estão muitos difíceis, concordo e reconheço. Mas as informações existem.
Eu procuro deixar um legado para os meus familiares, em que eles terão, caso queiram ou precisem, uma gama de exemplos de superação. Hoje, viajo 120 km para jogar futebol de campo (futebol de verdade, campo grande, com jogadores acima de 18 anos). Corro todos os dias. Leio. Estudo a Bíblia todos os dias. Vou à missa aos domingos. Torço pelo meu mengão. Critico o presidente em que votei. Ministro aulas na Universidade. Faço aconselhamento espiritual, financeiros e filosóficos. Acompanho os problemas de nossas instituições.
Enfrento tribulações, injustiças, preconceitos, esquecimentos de pessoas amadas e queridas. Mas, procuro viver feliz. Em qualquer momento triste, recordo que na Bíblia a palavra Alegria é citada centenas de vezes. O desafio de hoje é sermos feliz, quer sejamos jovens ou velhos. Vamos tolerar os outros. Fiquemos todos com Deus.
Cadé

Paulo disse...

De nada adianta expectativa de vida, sem qualidade de vida!Na década de sessenta e setenta as pessoas trabalhavam em média de 6 a 8 horas, hoje se trabalha e estuda em média de 12 a 14 horas por dia, perde-se de duas a três horas no trânsito, a liquidez da modernidade torna tudo obsoleto, e a perspectiva é que em 15 anos não teremos cerca de 50% das profissões existentes, quarta revolução industrial ( robótica, automação e inteligência artificial) deixará algo em torno de 40 a 50% da população mundial desempregada, claro, se vc é rico, o futuro é lindo, mas para a maioria do mundo será sombrio!

Blog do Ed disse...

Acho que o Paulo pintou o futuro próximo, cerca dos vinte anos próximos, com as tintas exatas... Infelizmente.
Edgardo Amorim Rego

Cadé disse...

As máquinas inteligentes, fruto da evolução e do domínio da capitalismo, me parece, que no futuro realizará o sonho que os socialistas pregavam nos anos 60. Ou seja, hoje quando se trabalha mais de 6 horas por dia estaremos tirando o trabalho de outros. Os governos tem que ofertarem entretenimento e lazer a população, para combater o desemprego e promover a distribuição de rendas. A evolução tecnológica não pode aceitar um carro a combustão movido a gasolina (em que o motor utiliza a maior parte de sua força para movimentar o veiculo). Temos urgentemente popularizar os carros inteligentes. Não podemos depender de um médico fazendo experiência com os seus pacientes (diante das evoluções tecnológicas, por exemplo, é preciso que o médico resolva os problemas de pressão arterial. Identificando e combatendo as causas e não "receitando medicamentos - vasos dilatadores", em que os pacientes, após toma-los podem vir a falecer de problemas cardíacos). Hoje existem equipamentos que podem indicar todos os "números de uma pessoa", e diante destes "números" se faz um aconselhamento médico visando corrigir hábitos alimentares, desgastes de alguns órgãos, necessidades de atividades físicas, analise do sono, analise da ansiedade, etc...Não podemos ficar refém da indústria farmacêutica e dos seus "sócios majoritários". Aqueles que iniciam uma consulta médica perguntando a idade do paciente, e o que ele sente. Ora, o ser humano é uma obra prima do Criador. Não existe duas pessoas iguais no mundo. Então, em pleno século atual, não podemos aceitar diagnósticos médicos baseados em estatísticas. "Uma pessoa de sessenta anos ""tem"" que tomar ""isto"", ou ""aquilo"". Daí advém os diagnósticos da moda, e as suas consequências; Ansiolíticos, antidepressivos e outras drogas ainda mais fortes. Até os outrora pacientes, se transformarem em morto vivos (movidos a base de drogas).
Respeito e aceito o ponto de vista dos colegas que divergem do meu ponto de vista, e das minhas observações. Aqui, antecipadamente peço desculpa por externar o meu ponto de vista.
Por fim, gente! É muito irritante e decepcionante para um jovem de 6o ou 70 anos que sofre uma lesão muscular. Ouvir de um médico: "na sua idade não pode correr, não jogar futebol, não pode pedalar, não pode namorar". Ou seja, para estes médicos despreparados, a única alternativa que existe é sentar e ficar esperando a morte chegar. Quando vou a um médico (rogo ao Criador que eu não precise consulta-los), o diálogo é sempre muito difícil para mim e para eles. Quando eles perguntam o que você sente? Respondo: saudades, frio, calor, indiferenças. Eles, então, faz a clássica pergunta: quantos anos o senhor tem? Eu respondo: O senhor atende por idade é? Ele, já com raiva, pergunta: o que você deseja? Então eu respondo, gostaria que o mal estar perdesse para o bem estar, se empatar eu já fico satisfeito. Eles piram! E disparam as perguntas do seu roteiro...(...) toma remédio para ...(...) Depois de ouvir muitos nãos e ficar aborrecido. Externa sua frustração e diz, tenha cuidado por que pessoas na sua idade morre com facilidade. Eu respondo: é interessante Doutor. Pela sua teoria medicinal, só quem morre é velhos. Se fosse verdade, crianças recém nascidas não morriam, nem jovens adultos.
Por fim, o desafio do ser humano hoje é convivência com os outros. É amar uns aos outros, não na visão humana. Mas, na visão de Deus. É se auto aceitar. Viver em paz consigo. Um dia começa as 5 horas da manhã. Todos nos temos que lembrar que o dia de hoje é um presente. Temos que viver. Podemos ler, correr, cantar, tocar um instrumento, ligar para amigo, rir de uma tolice, rir do seu próprio envelhecimento, rir do seu mal humor...aprender a ser humano. Vivemos uma época maravilhosa. Os aparelhos são quase todos eles inteligentes. Porém, nenhum deles supera a inteligência humana. Fiquemos com Deus.
Cadé

rafa disse...

ELEIÇÕES ANABB -

Não ia comentar nada por aqui, mas não aguentei depois de receber os panfletos das chapas com os de sempre ...

Tem uma com o nome assim:

SALVEMOS A ANABB !!!!

Será que li certo???

Temos que nos salvar a nós mesmos, depois a CASSI e a PREVI.

É isso que nos toca diretamente

Absurdo, parece que estão noutro mundo ( e estão mesmo ), ainda mais porque os diretores, presidente etc são remunerados, não é?

E a ANABB continua com o erro de origem:

CRIADA PARA DEFENDER O BANCO DO BRASIL E SEUS FUNCIONÁRIOS!

Não consta "APOSENTADOS E PENSIONISTAS' nos estatutos.

Blog do Ed disse...

Admito que a máquina poupe o trabalho humano. Aceito o que já afirmou Delfim Neto:a eficiência do trabalho nos premia com viabilidade de vida menos trabalhosa e oportunidade de vida mais repousante e menos onerosa. Então, é preciso que a produção se compatibilize com a quantidade e a qualidade da população, e que a renda do trabalho seja repartida de tal forma que todos garantam sobrevivência com dignidade e bem estar. O que isso significa? Até onde a economia liberal seria viável? Adam Smith só a entrevia no âmbito do mercado competitivo...
Edgardo Amorim Rego

Aristophanes disse...

Prezado Cade.
Observo, como você mesmo registrou, que o tema é instigante e você fez dois sobrevoos que mostram muitos campos de discussão. Infelizmente o espaço do blog não é próprio para tais explorações. Mesmo, assim, me alegram e me instruem os seus adendos e narrativas pessoais. Abraço cordial do bisavô Aristophanes.

Cadé disse...

Caríssimo Mestre Aristophanes, concordo contigo. Esta via não é adequada. Apresento as minhas desculpas, a você, e por extensão a todos os leitores do blog. Os sobrevoos, com certeza, são frutos das inquietações percebidas em salas de aula e no convívio com os alunos. Mas, eu não posso deixar de registrar que as minhas observações foram percebidas pelo Mestre. Grande mestre espero que continue com a sua lucidez e sabedoria nos ensinando e nos ajudando, através dos seus registros. Rogo ao Criador que Ele te permita saúde, paz e vida longa. Fiquemos todos sob a LUZ.
Cadé

Unknown disse...

"SALVEMOS A ANABB !!!!"

Ué, estaria alguém assaltando também a ANABB?

Espero que a nova Diretoria resolva DEASSENTAR EM CIMA DOS DEPÓSITOS JUDICIAIS da Ação IRPF 1/3 PREVI.

Ou, pelo menos, emitam uma cheque NOMINAL a todos os 5X.YYY participantes, PREDATADO PARA 2030???

ISSO É UMA VERGONHA.

NUJUR DA ANABB (BB TAMBÉM?), NUJUR DA RFB estão de brincadeira.

Se alguém reclamou que o Brasil é o País MAIS JUDICIALIZADO do mundo...


ANABB + RFB são os campeões.

Paulo disse...

Salvem os brasileiros: dos 3 poderes, dos maus empresários de todos os ramos, dos bancos de praça, das empresas malditas, daqueles que detém poder e fecham os olhos para os injustiçados