quinta-feira, 1 de agosto de 2019

AS CINCO SOLAS

Reforma Protestante se iniciou no dia 31 de outubro de 1517, quando Martinho Lutero protestou contra a Igreja Católica Romana ao afixar à porta da Igreja da cidade alemã de Wittemberg, as suas famosas 95 teses ou 95 proposições para serem debatidas, com o foco principal em debater vários pontos teológicos da doutrina católico romana, sobretudo a questão sobre a salvação era pela fé somente, sem a ajuda das obras praticadas pelos cristãos.
Depois de Lutero, grandes reformadores protestantes foram importantes ao movimento de renovação do cristianismo. João Calvino, homem de mente privilegiada, sistematizou brilhantemente os princípios doutrinários em várias publicações, principalmente em suas “Instituições da Religião Cristã” (Institutas), obra que ainda é muito usada por teólogos, professores e principalmente cristãos que buscam os valores verdadeiros do Cristianismo. Também foram importantes Filipe Melanchton, Theodore de Béze, Ulrich Zuínglio, Martim Bucer, Menno Simons (reforma radical) e tantos outros.
Resumidamente, as proposições teológicas que serviram como pilares da Reforma Protestante são os chamados Cinco Solas - frases latinas que surgiram para enfatizar a diferença entre a teologiareformada protestante e a teologia católica romana. Sola, vem do latim e significa “somente” ou “apenas”, na língua portuguesa. E os cinco solas são: Sola Fide, Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia e Soli Deo Gloria. Esses são os pilares da Reforma Protestante.
Sola Fide (somente a fé): este princípio afirma que o homem é justificado única e exclusivamente pela fé, sem o acréscimo das obras do mérito humano e, por meio dele, a tradição reformada é sustentada.
Sola Scriptura (somente a Escritura): A Escritura é a única regra de fé e prática da igreja e o protestantismo aceita doutrinas de sua inspiração, autoridade, inerrância, clareza, necessidade e suficiência. Somente as Escrituras são o fundamento da teologia reformada.
Solus Christus (somente Cristo): como forma de reação dos protestantes contra a igreja católica secularizada e contra os sacerdotes que afirmavam ter uma posição especial e serem mediadores da graça e do perdão por meio dos sacramentos que ministravam. A reforma defendeu que tal mediação entre o homem e Deus é feita somente por Cristo, único capaz de salvar a humanidade e o tema central da reforma protestante.
Sola Gratia (Somente a Graça): Além de a graça ser um dos atributos de Deus é, também, o próprio Cristo (em sua encarnação) e é o Espírito Santo quem aplica a graça ao coração do pecador. A graça comum é comunicada a todos os homens, indistintamente. Mas, graça especial é soteriológica (salvadora) e por meio dela que o homem é salvo, quando há a comunicação da salvação de Deus ao pecador. "Sola gratia" diz respeito a tudo que o homem possui (graça comum) e, em especial, à salvação que é dada pela graça somente. Graça especial somente, por meio da qual o homem é escolhido, regenerado, justificado, santificado, glorificado, recebe dons espirituais, talentos para o serviço cristão e as bênçãos de Deus.
Soli Deo Gloria (somente a Deus a glória): este pilar da teologia reformada afirma que o homem foi criado para a glória de Deus e que tudo que ele fizer deve destinar a glorificar a Deus.
Referências bibliográficas:
CHAUNU, Pierre. O tempo das reformas (1250-1550): a reforma protestante. Lugar na História, v. 49-50. Lisboa: Edições 70, 1993.
MARTINA, Giacomo. História da igreja: de Lutero aos nossos dias. V. 1: A era da Reforma. São Paulo: Loyola, 1997.
SILVESTRE, Armando A. Calvino: o potencial revolucionário de um pensamento. São Paulo: Vida, 2009.
______. Calvino e a resistência ao Estado. São Paulo: Mackenzie, 2003.


      Fácil perceber que das cinco teses acima pelo menos uma (a primeira) não vem de Cristo. Se apenas a fé fosse necessária ou suficiente para a salvação, grande parte do evangelho seria inútil. Vamos pegar o evangelho de Mateus, capítulo 25, do versículo 31 em diante. Ali Jesus Cristo dá a resposta para Martinho Lutero.
        Sobre a tese "Somente as Escrituras" o que dizer do final do evangelho de João (o discípulo que Jesus amava)? Leiam Jo 21:25
O ideal é ler todo o capítulo 21 onde Jesus dá a primazia a Pedro na pregação do reino. Vejam em Atos 3 6 E disse Pedro: Não tenho prata nem ouromas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda.
       Não nos cabe julgar nem condenar ninguém. Por tal nunca devemos basearmos em doutrinas de homens. Diz um estudioso da doutrina calvinista, o Luiz Shimoyama: "Joguem essa doutrina na lata de lixo!" De se notar que o Luiz não é católico, é apenas um rapaz que estuda a Bíblia. Ele tem um canal no YouTube chamado Reino Eterno.
        Finalizando, não gosto de me alongar, gosto de ser sucinto e coeso, vejam o vídeo abaixo sobre o que a livre interpretação da Bíblia produz. Notem que a pessoa tem uma igreja cujo lema é: "Jesus Cristo é o único Senhor". Será que ele entendeu a doutrina de Jesus?

3 comentários:

Trader anônimo disse...

Professor Ari, colegas de chat,

Logramos publicar no "Terceira Via" 4 (quatro) pequenos textos:

SEGUNDA TESE: O HODIERNO CAPITALISMO BURSÁTIL É UMA CONSPIRAÇÃO CUJO ÚNICO OBJETIVO É TRANSFERIR RIQUEZAS

II.1.Primeiros indícios de que o único objetivo do hodierno capitalismo bursátil é a transferência de riquezas: o surgimento de extravagantes cotações durante longos períodos de tempo

(Um guia para compreendermos a diferença entre "preço" é "valor")

Trader anônimo

José Lagoa disse...


A Sola Scriptura NÃO SE SUSTENTA
Pois bem, em algumas passagens do Novo Testamento notamos que Nosso Senhor dá primazia à autoridade do ensino de Sua Igreja e sua proclamação em Seu nome.
Em Mateus 28,20 vemos Jesus ordenando os apóstolos a ir e ensinar em Seu nome, fazendo discípulos em todas as nações.
Em Marcos 16,15 vemos que os apóstolos são enviados a pregar a todo o mundo.
E em Lucas 10,16 vemos que aquele que escuta os setenta e dois escuta o Senhor.
Estes fatos são muito importantes, pois em lugar algum vemos Nosso Senhor ordenando que seus apóstolos evangelizem o mundo escrevendo em Seu nome. A ênfase está sempre na pregação do Evangelho, não na sua impressão e distribuição escrita.
Jesus escolheu, autorizou e enviou os Apóstolos, sob a presidência de Pedro, a evangelizar todos os povos, estabelecendo assim o Magistério da Igreja.
Esse ensinamento, oral e pelas cartas, foi transmitido pelos Apóstolos, como Tradição Apostólica, aos bispos e presbíteros por eles escolhidos e consagrados.

Nos primeiros séculos, quando o cânon ainda não estava definido, existiam os livros Admitidos, os Discutidos e os Espúrios. Todos do Novo Testamento.

Admitidos: os evangelhos de São Mateus, São Marcos, São Lucas, Atos dos Apóstolos, as cartas de São Paulo, I carta de São João, I carta de São Pedro e Apocalipse de São João.

Discutidos – a carta de Tiago, a carta de Judas, a II carta de São Pedro e as II e III cartas de São João e Evangelho dos Hebreus.

Espúrios – Atos de Paulo, o Pastor, o Apocalipse de Pedro, a Carta de Barnabé, Ensinamento dos Apóstolos, Evangelhos de Pedro, de Tomás, de Matias, Atos de André, de João e de outros apóstolos e, talvez, o Apocalipse de São João (História Eclesiástica – Eusébio de Cesaréia Livro III, cap. XXV).

A definição oficial dos livros do Novo Testamento, só foi realizado pela Igreja Católica, no século IV quando São Jerônimo realizou a compilação completa da bíblia. Ficaram definidos os 27 livros como os conhecemos.

Paulo Segundo disse...

Romanos 9 verso 7 em diante:
Nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência.
8 Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência.
9 Porque a palavra da promessa é esta: Por este tempo virei, e Sara terá um filho.
10 E não somente esta, mas também Rebeca, quando concebeu de um, de Isaque, nosso pai;
11 Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama),
12 Foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor.
13 Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú.
14 Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma.
15 Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia.
16 Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece.
17 Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra.
18 Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer.
19 Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua vontade?
20 Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?
21 Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?
22 E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição;
23 Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou,
24 Os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?
25 Como também diz em Oséias: Chamarei meu povo ao que não era meu povo; E amada à que não era amada.
26 E sucederá que no lugar em que lhes foi dito: Vós não sois meu povo; Aí serão chamados filhos do Deus vivo.
27 Também Isaías clama acerca de Israel: Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo.