BANNER

Acesse aqui!
atendimento@anaplab.com.br
Joinville/SC: (47) 3026-3937
S.J. Pinhais/PR: (41) 3035-2095

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

ACORDO NA VALE POR TRÊS ANOS

Notícias

20/02/2017

Vale terá novo Acordo de Acionistas

O Acordo vigorará por três anos e busca fortalecer a Governança Corporativa da Companhia, com maior liquidez à participação da PREVI.

Os principais acionistas controladores da Vale, maior ativo da carteira da PREVI e uma das maiores mineradoras do mundo, concluíram as negociações sobre um novo Acordo de Acionistas, chamado de “Acordo Vale”. A PREVI participou ativamente das negociações e está certa de que o Acordo, que vigorará por três anos, fortalecerá a Governança Corporativa da Companhia, além de garantir maior liquidez para esse importante ativo da Entidade. A participação da PREVI na Vale se dá majoritariamente no Plano 1, pela Litel. 


vale-grafico-societario-11.jpg
A Vale é um ativo importante para a carteira do Plano 1. Esse ativo foi responsável em grande parte pela geração de superávits que na década passada ajudaram a constituir reservas especiais que propiciaram, por exemplo, que os participantes do Plano 1 ficassem com a contribuição suspensa de 2007 a 2013 e ainda tivessem o Benefício Especial Temporário (BET). 
Esse ativo, no balanço de 2016, representava 14,6% dos nossos investimentos e 30,6% da carteira de renda variável, considerando os recursos do Plano 1 e do PREVI Futuro. A participação do Plano 1 não apresenta liquidez em bolsa, tendo em vista as condições da estrutura societária existente, uma vez que o investimento de Litel é direto em Valepar (controladora da Vale). Essa falta de liquidez era um dos desafios a serem superados pela atual administração da PREVI, a fim de fazer frente aos pagamentos das aposentadorias, sem prejudicar o preço de mercado dos ativos. No âmbito da Entidade, a viabilização do Acordo Vale pela Diretoria Executiva é parte da implementação do Planejamento Estratégico, após decisão favorável unânime do Conselho Deliberativo. Atualmente, o Plano 1 da PREVI detém 15,50% do capital total da Vale. Já pelo PREVI Futuro, o investimento equivale a 0,17% do capital total.
Novo Acordo traz maior liquidez e aprimora a governança
Um dos objetivos do Plano Estratégico da PREVI para 2017-2021 é o “Balanceamento da gestão de investimentos com necessidades do passivo do Plano 1”. Com base nesse objetivo e na Política de Investimentos, a Diretoria da PREVI vem nos últimos anos trabalhando para a construção de alternativas que gerem liquidez e que agreguem valor à companhia.
Nesse sentido, o novo acordo traz:
a) Liquidez, na medida em que permitirá à Litel participar diretamente da Vale, sendo que mais da metade da participação da Litel estará desvinculada do Acordo Vale, portanto livre para negociação após o final do prazo de lock up, estimado para fevereiro de 2018. O restante da posição estará livre a partir de novembro de 2020.
b) Melhoria na governança, uma vez que a companhia evoluirá para adoção de um controle difuso, com perspectivas de crescimento e perenidade.
c) Novo estatuto social, que tem como objetivo levar a Vale para o Novo Mercado da BM&FBovespa, considerado o nível de mais alto padrão de governança corporativa.
O Acordo Vale será realizado em etapas
Três ações estão previstas para a implementação do novo Acordo:
1) Conversão voluntária das ações preferenciais classe A da Vale em ações ordinárias. Todos os acionistas da Vale que possuem ações preferenciais classe A serão convidados a converter seus papéis em ações ordinárias. Os valores obedecerão a uma relação de conversão, que foi definida com base no preço médio de fechamento das ações ordinárias e preferenciais apurado nos últimos 30 pregões da BM&FBovespa, anteriores ao anúncio do Fato Relevante. 
2) Alteração do estatuto social da Companhia. O objetivo é adequá-lo às regras do Novo Mercado da BM&FBovespa, onde  estão listadas as empresas com o mais alto padrão de governança corporativa.
3) A Vale vai incorporar a Valepar, empresa veículo que reúne as participações de Litel, Mitsui, Bradespar, BNDESpar e Eletron. Essa incorporação resultará em incremento de participação dos atuais acionistas controladores, mediante um diferencial de 10% na precificação das ações que a Valepar detém, além de permitir que participem diretamente da Vale. Durante o período de duração do novo Acordo de Acionistas, de três anos, os sócios manterão influência relevante sobre a Companhia. O objetivo é conferir estabilidade para a Vale no período de transição para um novo modelo de governança de controle difuso (“true corporation”), o que contribuirá para a perenidade e crescimento da Companhia.
A PREVI se orgulha de participar da história da Vale, maior ativo da carteira de investimentos da Entidade. A participação do Plano 1 está avaliada em cerca de R$ 24,2 bilhões. Desde a privatização, em 1997, até 30/12/2016, o retorno do investimento em Litel superou a meta atuarial no período, mas é preciso avançar, mesmo com essa história de sucesso, e tomar medidas para adequar a empresa às novas realidades de mercado e à necessidade de maior liquidez para os investimentos do Plano 1 da PREVI. Por fim, cabe ressaltar que implantado o novo Acordo, após passar pelo rito das aprovações regulamentares do mercado, este poderá contribuir para a atração de outros investidores estrangeiros, o que garante a expansão das atividades da Vale.
Para conferir na fonte (site da PREVI):

215 comentários:

1 – 200 de 215   Recentes›   Mais recentes»
C arlos - Rio Pardo (RS) disse...

Sr. Ari - Agradeceria se o sr. me tirasse uma dúvida.
Dentro da carência não podemos renovar o ES, mas e se eu liquidar com recursos próprios uma operação? Poderei, então, depois do processamento da liquidação, renovar o ES?
Morre a carência? No site da Previ fala que amortização não reduz a carência, mas não fala claramente da liquidação.
Abr,carlos

Ari Zanella disse...

Caro amigo Carlos,

Segundo informações obtidas junto à PREVI, para NOVO EMPRÉSTIMO não há carência. Só existe carência na RENOVAÇÃO.

Claro, não?

Anônimo disse...

Nestes últimos anos a participação da PREVI (Plano 1) diretamente na "VALE", caiu de +-R$ 30 bilhões, para atuais R$ 24,2 bilhões, devido a desvalorização da Empresa, visto que a PREVI, através da Litel, ainda não pode vender seus ativos, até o ANO DE 2020 !!!

Aguardamos os dividendos!!!

Anônimo disse...

Prezado Ari,
Vamos esperar que alguem expert em Bolsa desvende para nós esse novo acordo com a Vale.

Anônimo disse...

Com não entendo PN de mercado de capitais nada a dizer, com a ressalva de que nenhuma atitude é tomada visando apenas interesse do PB1.
Mesmo que fosse o melhor negócio do mundo vender tudo, dependeria de interesses de terceiros. Participante só serviu para ajuntar a montanha de dinheiro, agora quanto a destinação são outras conversas.

Anônimo disse...

Num aspecto o acordo foi positivo para a PREVI, pois ela poderá desinvestir dentro de 3 anos.

Torçamos para que nesse período a VALE gere muitos dividendos e que na ocasião própria a PREVI efetue a venda por bom preço.

O PB1 agradece...

Anônimo disse...

• [...] “a instabilidade da avaliação financeira se revela endêmica porque é totalmente ancorada nas estruturas das finanças.”

• Para um título ser considerado um investimento, disse Graham, deve haver certo grau de segurança do “principal” e uma satisfatória taxa de retorno. [...] Um rendimento satisfatório inclui não apenas uma renda, mas também uma valorização dos preços”. (10)

Em síntese, tanto a segurança do “principal”, quanto uma taxa de retorno satisfatória, são altamente questionáveis em títulos que anteriormente ultrapassaram em doze vezes a valorização dos demais títulos do índice Ibovespa, num longo período (dezesseis anos). Entretanto, alguns investidores institucionais têm uma política de manter « em carteira », de forma quase que permanente, títulos de « liquidez subordinada ». Desse modo, tais títulos estariam « sobreavaliados », como acima sustentamos. Ademais, sustentamos na tese anterior que tais títulos, estariam igualmente « manipulados ». Logo, a conservação destes títulos « em carteira » de forma quase que permanente, está em sintonia com a hipótese de que uma transferência de riquezas seria o único objetivo dos mercados bursateis hodiernos.

Ari Zanella disse...

Empiricus ‏no Twitter

A 68.600 pontos, Ibovespa precisa subir pouco mais de 7% para bater seu recorde histórico (73.516 em maio de 2008). Não deve demorar.

Anônimo disse...

olegas,

A Previ tem 2 anos para entabular negócios e vender uns 70% do bolo acionário na Vale.

Ou, nos enterrar na cova mais profunda já minerada pela Cia Vale do Rio Desce, em meio aos detritos tóxicos da bolsa de mercadorias e futuros, SMJ...

Anônimo disse...

Os indices sao feitos na mesma loja que se fazem a politica e a salsicha

Anônimo disse...

Se os 15,5% de participação da PREVI, diretamente na Empresa VALE, estão avaliados em R$ 24,2 bilhões, logo : 100% dessa Empresa valem R$ 156,12 Bilhões, equivalentes aos ativos totais do nosso Plano 1 !!!!.

Anônimo disse...

E o passivo? Afinal de contas aquela tragédia da Samarco em Minas vai cair no colo da Vale. Ou não?

Anônimo disse...

[...] a esfera da verdadeira atividade da bolsa é o mercado de títulos de juro ou de capital fictício. [...] O dinheiro é gasto definitivamente na compra de títulos de juro e não retorna mais. Reflui à bolsa anualmente apenas o juro alcançado.

Anônimo disse...

A Polícia Federal atribui aos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff crime de obstrução de Justiça e ao ex-ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil e Educação) os crimes de tráfico de influência - e também obstrução de Justiça. Em relatório de 47 páginas o delegado de Polícia Federal Marlon Oliveira Cajado dos Santos, do Grupo de Inquéritos da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, sugere que os ex-presidentes e o ex-senador e ex-ministro (Educação e Casa Civil) sejam denunciados criminalmente, mas em primeiro grau judicial - no âmbito da Justiça Federal do Distrito Federal - porque nenhum deles detém foro privilegiado na Corte máxima.

Fonte:http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2017/02/20/internas_polbraeco,575255/pf-diz-que-lula-dilma-e-mercadante-tentaram-obstruir-a-lava-jato.shtml


SERÁ QUE ISSO É VERDADE? ELES GARANTIRAM QUE NÃO FIZERAM NADA DISSO

Anônimo disse...

Pessoal,

Isso tudo quer dizer que novos bônus milionários os diretores sindicalistas, indicados pelo PT, em breve vão receber! E sobre o retorno do BET, que eles nos tiraram, alguma novidade?

Acorda, gente!

Anônimo disse...


Finalmente o nome do sombra da Dilma apareceu no noticiário. Ele estava sumido!!!! Mas quando a presidenta circulava no poder, ela dava um passo para traz, o sombra também; dava um passo pra frente, o sombra também; e assim por diante. E aquele "bigodon" sempre estava alinhadíssimo....Mas agora.....cadê ele?

Anônimo disse...

Em síntese, estamos sustentando que a “liquidez subordinada” tende para a “liquidez principal”, assim como um artefato imperfeito (“ação”) tende para o seu ideal (“valor”). Ou seja, a “liquidez subordinada” é um artefato ilegítimo, injusto e imperfeito, que tende para um ideal, que é o “valor” (“liquidez principal”). Logo, quanto mais tempo você permanece “comprado” em títulos de “liquidez subordinada”, mormente após os climaxes do mercado, mais você tende a perder.

O objetivo final da hipótese de conspiração que estamos sustentando é obter a razoabilidade que encontramos na “liquidez principal” (“moeda”), por meio do artificialismo total da “liquidez subordinada” (“ações”), o que viabiliza a “dominação da finança”, como adiante veremos.

Frente aos indícios, antes mencionados, podemos afirmar sem nenhuma dúvida: grande parte dos números relacionados à Bolsa sejam cotações, sejam resultados, sejam dividendos, tende a ser números “virtuais”.

Anônimo disse...

O capitalismo bursátil hodierno é uma manipulação de forma continuada

Para nos aprofundarmos um pouco mais no tema devemos fazer neste ponto de nossa tratativa uma parada para conhecermos os conceitos de ESPECULAÇÃO e de MANIPULAÇÃO, conforme se segue:

ESPECULAÇÃO - assunção de risco na expectativa de ganho, mas reconhecendo uma possibilidade de perda superior à média. A especulação é uma atividade necessária e produtiva. Esta pode ser rentável no longo prazo quando praticada por profissionais, que muitas vezes limitam suas perdas através da utilização de várias técnicas e dispositivos de PROTEÇÃO, incluindo negociação com OPÇÕES, VENDAS À DESCOBERTO, ORDENS DE LIMITAÇÃO DE PERDAS e transações em CONTRATOS FUTUROS. O termo especulação implica que o risco do negócio ou do investimento pode ser analisado e medido, e sua distinção do INVESTIMENTO no longo prazo encontra-se no grau de risco. Difere dos jogos de azar, que é baseado em resultados aleatórios. (negrito nosso)

Anônimo disse...

Cont.

MANIPULAÇÃO - compra ou venda de um valor mobiliário para criar uma falsa aparência de negociação ativa e, assim, influenciar outros investidores a comprar ou vender ações. Isso pode ser feito por uma pessoa ou por um grupo agindo em conjunto. Aqueles considerados culpados de manipulação estão sujeitos a penalidades civis e criminais.

Entretanto, antes vimos que “toda especulação, fracassada ou bem-sucedida, é sempre uma questão de timing!” Logo, não nos parece exagerado dizer que é suficiente manter determinada especulação por certo tempo para transformar esta numa manipulação. Em outros termos, a INCERTEZA da especulação é convertida na CERTEZA da manipulação.

Anônimo disse...

Em síntese, tanto a estratégia de Jesse Livermore objetivando distribuir as ações para o público nas cotações próximas às máximas, quanto à atual determinação dos investidores institucionais de manutenção das cotações das ações dos grupos em que estes detêm ações junto as suas máximas nominais, ou ainda o “espírito” das “Tendências Ponzi dos Mercados”, se assemelham, tem o mesmo objetivo; almejam uma especulação bem-sucedida: ou melhor, tem por objetivo apenas uma manipulação planejada e de forma continuada. Em apertada síntese, tal prática tem como objetivo viabilizar inicialmente a criação de valor, antes mencionada; em seguida, tem por objetivo materializar a mencionada transferência do valor bursátil anteriormente criado entre os diversos participantes do mercado (“transferência de renda”). O objetivo final é obter a razoabilidade encontrada na “liquidez principal” (“moeda”), por meio do artificialismo total da “liquidez subordinada” (“ações”). Assim, este é um indício da existência de paradoxos e/ou sutilezas das finanças que sustentam nossa hipótese de surgimento de uma espécie do gênero conspiração no hodierno capitalismo bursátil.

Anônimo disse...

COLEGAS


VAMOS FAZER CAMPANHA, TODOS OS APOSENTADOS. QUEREMOS DA PREVI:

1)OS 12 MESES DO BET QUE NOS TIRARAM. E PRÁ JÁ!CHEGA DE FICAR ESMOLANDO EMPRÉSTIMO SIMPLES.

2)QUEREMOS UM REAJUSTE EM JUNHO/2017 DE 10% DEZ POR CENTO).

abs

Anônimo disse...

Em síntese, devido ao fato dos mercados terem-se tornado instituições altamente hierarquizadas, após 1979/1980, mormente após 1990, os preços passaram a ser formados no “atacado”, por algumas poucas mãos: os “AGENTES”. Entretanto, os objetivos dos “AGENTES” são divergentes dos objetivos dos “PRINCIPAIS”, conforme antes vimos. Consequentemente, os preços bursateis tendem a serem preços irracionais; os preços bursateis tendem a serem preços semelhantes aos preços “virtuais”, como àqueles dos títulos de eToys, ou, como àqueles dos títulos de Petrobras, ou finalmente, como àqueles dos títulos de Vale, conforme sustentamos no ANEXO 2.

Anônimo disse...

Cont.

Tal conclusão, entretanto, nos leva a reformular nossa hipótese de que a liquidez continuada seria a única formadora dos preços “virtuais”, conforme sustentamos inicialmente na primeira tese. Assim, doravante os preços “virtuais” seriam formados por uma combinação de “liquidez continuada”, mas igualmente pelo objetivo dos “AGENTES”, o que nos conduziria a INCERTEZA de uma especulação continuada. Não obstante, uma sutil diferença nos leva a obter como resultado a CERTEZA de uma “manipulação continuada e planejada.” Explicando: ao adicionarmos aos dois fatores acima, vale dizer - a liquidez continuada e o objetivo dos AGENTES - a “percepção relativa”, característica inerente a grande maioria dos participantes do mercado, entre os quais se destacam os “PRINCIPAIS”, teremos como resultado os preços “virtuais” e/ou “manipulados”. Assim, antes vimos que os objetivos dos “AGENTES” são divergentes dos objetivos dos “PRINCIPAIS”. Entretanto, a percepção relativa, característica inerente aos “PRINCIPAIS” não permite a estes participantes do mercado perceber que está em curso uma “manipulação continuada e planejada”. Logo, enquanto houver uma “liquidez continuada” os “AGENTES” vão continuar realizando uma “manipulação continuada e planejada”.

Anônimo disse...

Consequentemente, como a liquidez não é uma vantagem para todos da comunidade financeira surge um primeiro indício de que as Bolsas de Valores hodiernas tem como seu único objetivo a transferência de rendas (riquezas) entre os participantes destas instituições. Assim, devemos nos recordar de algo que sustentamos na primeira tese: “a Bolsa de Valores é apenas mais um jogo de SOMA ZERO.” Associado a isto devemos nos recordar de algo que igualmente antes vimos: a criação de valor bursátil ocorre de forma necessariamente passageira. (30) Logo, quem fica por último tem sua renda transferida para os primeiros. Semelhantemente, nas “Tendências Ponzi dos Mercados” os primeiros a comparecer se beneficiam em detrimento dos últimos. Não obstante, tal transferência de renda se materializar tanto por meio de uma forma “considerada” legítima, a “liquidez subordinada”, quanto por meio de uma forma ilegítima, a “manipulação”, propriamente dita. Entretanto, tudo se resume a uma “manipulação de forma continuada e planejada”.

Anônimo disse...

.Cont.

Em síntese, a maneira por meio da qual ocorre a transferência de renda, acima mencionada, se assemelha a uma espécie do gênero conspiração. Assim, devemos ressaltar que tanto os efeitos da forma “considerada” legítima, quanto da forma ilegítima, são exatamente os mesmos: transferência de renda (riquezas) entre os diversos participantes do mercado bursátil. Dessa maneira, pela simples visualização dos três primeiros gráficos do presente trabalho podemos verificar que tal transferência de riquezas ocorre sutilmente e suavemente ao longo do tempo. Ademais, na primeira tese vimos que “[...] na ausência de um conhecimento objetivo do futuro, as expectativas só podem ser subjetivas: cada operador constrói a sua própria visão do futuro”. Igualmente, vimos: “[...] se você “mantém em carteira” títulos cotados no mercado bursátil você está fazendo alguma coisa. Você não está fazendo NADA! Você está participando de uma aposta. E as características de risco de uma apo

Anônimo disse...

Cont.2

Entretanto, a Bolsa de Valores é uma instituição social altamente hierarquizada, mormente após o surgimento da “opinião do próprio mercado.” (18) Neste sentido, encontramos na literatura técnica, o seguinte fragmento de texto:

[...] O contubérnio entre agentes poderosos, controladores da riqueza alheia, sobrevive à custa da ignorância dos investidores de menor porte que estão obrigados a “comprar”como boas às informações e avaliações de um grupo de administradores dotados de grande influência sobre a “opinião dos mercados”. Eles podem manter, exacerbar ou inverter tendências; podem, até mesmo, inventar “novidades”, manipular preços de ativos e engabelar a clientela. (19)

Assim, as opiniões do próprio mercado são opiniões subjetivas. Entretanto, estas opiniões subjetivas são feitas por um grupo de administradores dotados de grande influência sobre a “opinião dos mercados”. Ademais, ocorre que os objetivos destes administradores (AGENTES) são divergentes dos objetivos dos PRINCIPAIS, o que viabiliza o surgimento de preços “virtuais” e/ou “manipulados”. Por outro lado, na primeira tese vimos que “[...] é essencial do ponto de vista da liquidez é que uma ação possa a qualquer momento ser trocada por dinheiro. [...] Se esses preços são demasiado elevados ou demasiado baixos é uma questão secundária.” Igualmente, na primeira tese vimos o conceito de MANIPULAÇÃO, conforme se segue: “compra ou venda de um valor mobiliário para criar uma falsa aparência de negociação ativa e, assim, influenciar outros investidores a comprar ou vender ações. Isso pode ser feito por uma pessoa ou por um grupo agindo em conjunto.”

Anônimo disse...

Cont. 3

Assim, no hodierno capitalismo bursátil ao prevalecer a “opinião do próprio mercado” esta se equipara a um fragmento de texto que consta do conceito de MANIPULAÇÃO, acima mencionado: “[...] um grupo agindo em conjunto.” Assim, quer nos parecer que o hodierno capitalismo bursátil é uma manipulação. Consequentemente, esse é um importante indício de que o único objetivo do hodierno capitalismo bursátil é apenas um meio de transferência de rendas (riquezas). Logo, o capitalismo bursátil hodierno não é fim; é meio! Por isto, o “realismo” não considera como legítima a “liquidez subordinada”.

Anônimo disse...

Cont. 4

Por outro lado, a hipótese de transferência de renda no hodierno capitalismo bursátil, que estamos sustentando, é uma conseqüência direta da existência da “lei do valor.” Neste sentido, conforme se segue:
 A reversão bursátil, portanto, deve ser interpretada como uma forma de um lembrete da existência da lei do valor, que segue sua trilha independentemente das tendências econômicas. O que diz esta lei? Duas coisas bem simples: que há um valor que é apenas aquele criado pelo trabalho e que não se pode distribuir mais valor do que aquele que foi criado. (45) (negrito nosso)

Blog do Ed disse...

Concordo com o anônimo das l5:08 e estou na mesma expectativa do anônimo das ll:50 do dia 20.
Edgardo Amorim Rego

ADEMAR disse...

Sugiro que alguma entidade que nos represente ou algum colega mais proximo da Previ, inicie uma abaixo assinado solicitando o retorno do BET, afinal de contas ele foi fruto de um acordo.que não foi cumprido na integra.

Anônimo disse...

Comentário das 21.32. de 20.02.
Enfim, brandiu-se o cajado dos santos!
E as ações da Vale oh! Só que sobe ontem.
Vamos vender as das bolsa ? De "cadim" em "cadim" ?

Anônimo disse...

OU VAMOS PARA PORTA DA PREVI OU CONTINUAREMOS CHORANDO E ELES RINDO CHEIOS DE PREMIAÇÕES

Paulo Segundo disse...

Prevejo, com a retomada do crescimento e da estabilidade econômica, sem o PT para afundar o país, bolsa em mais de 75.000 pontos até o fim do ano.Superavit gordo para 2018, vamos ver....

Anônimo disse...

Prof Ari, sinceramente você vê alguma chance da Previ nos pagar as 12 parcelas do BET abortadas de um acordo malfadado e não honrado?

Anônimo disse...


O anônimo madrugador das 05:43, de 21/02, tem razão. Temos que começar a reivindicar agora! Senão teremos um 2018 apertadíssimo.

Anônimo disse...

[...] fenômeno semelhante ao “paradoxo da liquidez”, igualmente encontramos nas “Tendências Ponzi dos Mercados”, conforme se segue:

[...] Como “pirâmides da felicidade”, as bolhas especulativas apóiam-se numa hipótese impossível: a de que novos investidores entrarão na ciranda, para sustentar os ganhos dos que chegaram antes. (14)
Provavelmente, ninguém melhor do que Hyman Minsky evidenciou os encadeamentos da economia de mercado, resumidos por ele na eloqüente expressão: “cegueira ao desastre”. Minsky dedicou particular atenção aos distúrbios provocados por Charles Ponzi, especulador dos anos 20, que iludiu pessoas ingênuas, seduzidas por promessas de rendimentos extraordinários. Na falta de qualquer ativo real capaz de cobrir os rendimentos anunciados, Ponzi oferecia a seus primeiros clientes o capital aportado pelos que vinham depois. A sustentabilidade do conjunto supunha, portanto, a manutenção infinita do fluxo de novos clientes. (14) (negrito nosso)

Anônimo disse...

Cont. 1

Entretanto, da mesma maneira que é uma hipótese impossível – a de que novos investidores entrarão na ciranda, para sustentar os ganhos dos que chegaram antes –, conforme Minsky acima sustenta, igualmente é uma hipótese impossível àquela de que novos investidores entrarão na Bolsa para sustentar o ganho daqueles que mantiveram “em carteira” títulos bursateis, mormente após os climaxes dos mercados. Neste sentido, não por acaso os três primeiros gráficos do presente trabalho apresentam uma forma piramidal. Estes expressam graficamente “as Tendências Ponzi dos Mercados”. Assim, esta forma piramidal de tais gráficos indica-nos que as bolhas e os cracks são planejados. Ademais, a forma piramidal destes gráficos indica-nos que uma “Tendência Irreversível de Baixa da Bolsa Brasileira” - “TIBBB” está em curso. Em outros termos, isto equivale a dizer que a manipulação contínua e planejada que está em curso na Bolsa brasileira têm data e hora para terminar.

Anônimo disse...

Cont. 2

Igualmente, no sentido de ilustrarmos o paradoxo e/ou sutilezas das finanças acreditamos ser interessante à leitura de algumas observações sobre àquilo que seria o valor recente dos títulos da Petrobras, conforme João Braga, co-gestor da XP Gestão:

« Fugir da Bolsa por juros nos EUA e corte de rating é não conhecer o passado do mercado » - (25/11/2015 - Infomoney)

[...]

Petrobras está barata?

Imagine um carro que custa R$ 100 mil. Se eu dissesse que estou vendendo esse mesmo carro 0 km por R$ 10 mil, você compraria? Certamente sim. Mas e se o proprietário desse carro tem uma dívida de R$ 110 mil, esses R$ 10 mil ainda seriam uma boa oferta? É exatamente esta a situação da Petrobras. A ação já valeu R$ 40 e hoje está quase R$ 7, será que já não caiu muito? Não tenha dúvida. MAS SE VOCÊ SOMAR O VALOR DE MERCADO COM A DÍVIDA DELA, VERÁ QUE ELA NUNCA ESTEVE TÃO CARA NA BOLSA. (maiúsculo nosso). Obs.: a Petrobras fechou o terceiro trimestre de 2015 com uma dívida de pouco mais de R$ 500 bilhões, consolidando-se como uma das empresas mais endividadas do mundo.

Anônimo disse...

Emérito Professor ZANELLA:


Ao tentar resolver hoje pela manhã, assuntos relacionados a "mensalidades" da ANAPLAB, tive o prazer de, por telefone, travar conhecimento com o Dr. GILVAN. Deu tudo certo. O "homem" é "gente fina".

Anônimo disse...

Cont. 3

A nosso ver, a opinião do analista João Braga, acima mencionada, de que as ações de Petrobras nunca estiveram tão caras, mesmo após seus títulos terem sofrido acentuadas baixas, ao caírem de R$ 40 para R$ 7, é um forte indício da existência de uma conspiração nas atuais Bolsas de Valores. Em outros termos, o gestor da XP Gestão avaliou corretamente que “as ações de Petrobras nunca estiveram tão caras, mesmo após seus títulos terem sofrido acentuadas baixas”. Isto porque a dívida da estatal do petróleo brasileira é considerada extravagante. Logo não nos parece exagerado dizer que qualquer alta significativa, que porventura venha ocorrer nos títulos de Petrobras, com certeza tende a tornar os títulos de Petrobras ainda mais caros, comparativamente com os preços caros de novembro de 2015, momento da análise de João Braga, acima mencionada.

Anônimo disse...

Cont. 4

Entretanto, tal avaliação aparentemente foi desconsiderada pelo mercado, pois decorridos mais de um ano após a publicação da reportagem em comento os preços do título Petr4 ultrapassam na presente data (28/11/2016), R$ 15/ação. A nosso ver, tais preços podem ser conseqüência de três hipóteses que estamos sustentando ao longo do presente trabalho: os objetivos dos “AGENTES” serem divergentes dos objetivos dos “PRINCIPAIS”, a percepção relativa, característica inerente ao grosso dos participantes do mercado e a existência de uma liquidez continuada. Em síntese, a mistura destas três hipóteses equivale ao surgimento da “opinião do próprio mercado”; igualmente este é um indício de que a Bolsa de Valores brasileira é uma manipulação continuada e planejada, a qual tem a previsão de data e hora para sua extinção.

Anônimo disse...

Da mesma forma que o analista João Braga sustenta que os títulos de Petrobras nunca estiveram tão caros, igualmente iremos sustentar no presente trabalho que os títulos de Vale se encontram na mesma situação. Logo, o recente acordo de acionistas em que a Previ se compromete a não vender sua participação na Vale antes de 2020 (20/02/2017), equipara os “associados do Previ” aos perdedores do “esquema Ponzi”.

Cade Araujo disse...

Gente! As noticias são positivas, segundo os divulgadores, mas se trocarmos em miúdos, em que beneficiará os nossos parcos benefícios. A certeza que eu tenho é a de que se o investimento fizer água, quem paga a conta somos nós os associados. Além do mais, enquanto os senhores diretores estão fazendo conta de quanto será os seus bônus, nós continuamos vivendo com o reajuste de 6,57% (recebido em janeiro deste ano), enquanto o custo de vida aumenta de forma desacelerada em índices superiores a pífio reajuste. Pergunto: se este acordo é tão bom porque não ocorre a suspensão do pagamento da contribuição dos aposentados? Porque não promover algum alívio financeiro para os associados? Suspender as prestações por seis meses, até porque, segundo o governo a inflação está controlada...Enfim, nós os associados estamos a espera de uma boa notícia, afinal na próxima semana termina o carnaval.
Cadé

Anônimo disse...

Mais um legado da PresidenTa:
http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,aneel-aprova-indenizacoes-a-eletricas-e-preve-impacto-de-7-2-na-conta-de-luz,70001673796

Vai ser canditada...

Anônimo disse...

Colega anonimo das 10:32, podemos fazer como as esposas dos policiais, vamos para as portas das agências, não para obrigar colegas a fazerem greve, mas conscientizá-los dos absurdos praticados pela PREVI, não seria nada contra o BB mas é a única forma de conseguirmos o apoio dos colegas da ativa nas eleições da PREVI, nós sabemos que enquanto ativos somos as criaturas mais ingênuas do mundo, parece que os sindicatos fazem lavagem cerebral, nossos colegas precisam saber o que os espera no futuro e juntarmos num único interesse.

Anônimo disse...

PESSOAL QUEREMOS O BETE JÁ.

BET JÁ BET JÁ BET!

Anônimo disse...

Prezado Ari,
Em 2015 fiz uma tentativa na bolsa de valores...Escolhi as melhores, li centenas de opinioes, mas quando chegava na hora da venda, a danada da ação estava num valor inferior ao em que eu havia comprado.Foi aí que percebi que não existe lógica e sim muita especulação.Em setembro 2015 vendi todas as minhas posições, nao sem perder uns CR$ 15.000,00...Quem detém milhares de açoes praticamente faz o mercado.

divany silveira-s.lagoaas-mg disse...



'' PARA EMBAIXADA DO KARABATIANO NÓS TEMOS OS SEGUINTES NOMES"

MESTRE, Presidente Temer escolhendo nomes para compor o quadro
da embaixada do pais supra.tragam-me os nomes de todos os can-
didatos de conceito 100% : 1º candidato: Moreira franco ; 2º
Gedel , 3º Jucá (tira este nome da lista0 .Por que ,Presidente?
Ele falou uma palavra que só ouvi quando fui em Rondonia!!!4º
Lobão.não dá ! como eu mandar este homem ,com este nome)para a
Africa ( os leões vão come-lo )5º Cabral pediu uma chance,Pre -
sidente. Negativo,ele gosta de diamantes.Ademais, eu já tenho
muitos problemas.O presidente volta a inquirir: alguém brilhante
no direito internacional ,temos ? O atendente riu e falou ; aca-
bei de falar com ele,Presi! Quem é meu filho? Speak ! (o Presi
tava tenso ) o ex-deputado Cunha, senhor.Meu filho,o Presi se
recompôs,nem para o Trump que é doido e não toma remédio eu fa-
ria. senhor Presi,poso dar uma sugestão, pode, falou o Soba ,já
cansado.fala,meu filho.E o secretário com voz de soprano (todo
secretário palaciano tem um jeitinho assim( vocês sabem ) e o
vadio s o l e tr o u LOBÃO FILHO.O Presi desabafou, NEM MORTA,
ao que o serviçal resmungou; perdi um GOYA !!!!!!

Anônimo disse...

http://www.valor.com.br/financas/4876680/investigado-na-lava-jato-presidente-da-brasilcap-se-afasta-do-cargo

Anônimo disse...

[...] se observarmos o conceito de “fraude” encontrado no “Dictionary of Finance and Investment Terms” (3), vale dizer – “intencional representação ou apresentação incorreta ou falsa, ocultamento ou encobrimento da verdade com o propósito de logro ou manipulação em detrimento de uma pessoa ou organização” – somos levados a concluir que a “liquidez subordinada” equivale a uma fraude. Tal conclusão, a que chegamos, fundamenta-se em determinada parte deste conceito, que diz: “[...] ocultamento ou encobrimento da verdade com o propósito de logro ou manipulação em detrimento de uma pessoa ou organização”. Assim, a expressão “ocultamento ou encobrimento da verdade” se equipara àquela observação de Keynes, antes mencionada: “para a comunidade como um todo não há nada que corresponda à liquidez do investimento”. Este é mais um indício de que o capitalismo bursátil hodierno é uma espécie do gênero conspiração.

Anônimo disse...

Assim, a liquidez NÃO é uma vantagem para TODOS da comunidade financeira, pois a “liquidez” está ligada ao timing, conforme se segue:

A liquidez liga estreitamente os atores econômicos entre si. É assim, em primeiro lugar, porque
o valor do bem líquido que detém o indivíduo A depende do comportamento dos outros
detentores. Se os outros titulares, por um motivo ou outro, não quiserem mais o bem líquido,
seu valor irá cair a zero e o indivíduo em consideração poderá ser arruinado sem nada ter feito. (18)

- Entretanto, nenhuma venda de titulos da Vale de propriedade do Previ nos proximos 12 meses tende a ocorrer, pois o acordo em comento veda tal venda. Em apertada sintese, a Previ poderá ser arruinada sem nada poder fazer.......

Anônimo disse...

A quem interessa tal acordo? Inequivocamente, aos grandes manipuladores. Desse modo, a Previ embora seja o maior acionista da Vale fica engessada, dominada totalmente nos proximos 12 meses....

Anônimo disse...

Neste sentido, Warren Buffett, grande investidor norte-americano, faz uma observação (24), que a nosso ver não só se ajusta, mas também se complementa como luva, ao acordo em comento, conforme se segue:

To many on Wall Street, both companies and stocks are seen only as raw materials for trades.
Traduzindo:

Para muitos em Wall Street, tanto as empresas quanto as ações são vistos apenas como matérias-primas para negócios.

Anônimo disse...

[...] O contubérnio entre agentes poderosos, controladores da riqueza alheia, sobrevive à custa da ignorância dos investidores de menor porte que estão obrigados a “comprar” como boas às informações e avaliações de um grupo de administradores dotados de grande influência sobre a “opinião dos mercados”. Eles podem manter, exacerbar ou inverter tendências; podem, até mesmo, inventar “novidades”, manipular preços de ativos e engabelar a clientela. (19)

Anônimo disse...

Um forte indício de sustentabilidade da hipótese de que o capitalismo bursátil hodierno é apenas um meio de transferência de renda, encontramos nos seguintes fragmentos de texto:

 O que ocorre é que a concentração do comando desse mercado nas mãos de
um pequeno grupo de sujeitos faz com que eles lutem incessantemente para manter os lucros a todo custo, inclusive porque nesse jogo suas vidas vão, em alguma medida, se entrelaçando às das empresas. Isto significa “[...] um impulso intensificado para as orgias de especulação, que CADA VEZ TÊM MENOS RELAÇÃO COM A REALIDADE ECONÔMICA. Pois o modo mais fácil de fazer dinheiro para os homens que têm os controles nas mãos é a manipulação financeira” (HUBERMAN, 1960, p. 242-243). Como um alquimista, o especulador financeiro transformará uma idéia em profecias que se auto-realizam, pois modificam as condições do próprio mercado. (9) (negrito e maiúsculo nossos)

 “[...] Independente da mesma, o que define a propriedade é o poder de alocação e, principalmente, o destino das riquezas produzidas que, cada vez mais, se concentram em poucas mãos”. (9) (negrito nosso)

Anônimo disse...

Sugerimos formar um grupo de trabalho para tentar reverter tal acordo.

rafa disse...

Notícia no Painel da Folha de SP de 22.2.17:

"Varredura O governo Temer trabalha para eliminar resquícios da era petista na iniciativa privada. Ministros estudam os regimentos das principais empresas do país como BR Foods, Vale e JBS.

Troca da guarda O objetivo é substituir os atuais representantes dos fundos de pensão, como a Previ — do Banco do Brasil — nos conselhos de administração por nomes ligados a PMDB e PSDB."

Anônimo disse...

Enquanto houver gentem do finado P.T., ainda mandando na PREVI, nao espero nada de positivo, para our side.

Exemplo - o pagamento dos 12 meses do BET, surrupiado pelo pranteado P.T.

Anônimo disse...

Gente, será que a PREVI não vai nos ajudar? NADA? A suspensão da cobrança das prestações( 3 ou 6 meses), que aconteceu nos últimos anos, NADA! Empréstimo Simples, NADA! Suspensão das contribuições, NADA! Cálculo justo da MC, NADA! Eu realmente estou ficando desesperado e SEM SAIDA!

rafa disse...

Márcio Lobão presidente da Brasilcap há mais de 10 anos? Porquê? ele é de carreira do BB? Quanto sacrifício fiz na minha vida de bancário do BB vendendo Ourocap! Mas ele não é filho do Senador Lobão, do PMDB? E um dos próceres do Governo Temer? Sempre achei que nós do BB, ao menos aqueles que exerceram cargos de gerente geral,gerad etc, tivéssemos pelo menos a chance de disputar alguns desses cargos nas subsidiárias/coligadas da PREVI, para cujo patrimônio bilionário nós todos lutados a vida toda! Nós não passamos nem no primeiro escrutínio, peneira 50!!! Isso não é justo!

Anônimo disse...

Lendo a notícia assim, parece até que foi a Previ que sugeriu este acordo da Vale. Nada como uma boa propaganda... Inclusive no site do sindicato dos bancários de Brasília, o Zanon faz declarações no mesmo sentido nas entrelinhas. Aquele blá, blá, blá ...
A razão deste acordo foi uma exigência dos acionistas para que os fundos de pensão das estatais não tivessem tanto poder dentro da Vale (leia-se: dedo do governo) e que os conselheiros fossem mais qualificados.
Simples assim e o resto é conversa para enrolar.

Anônimo disse...

Pelo acordo na VALE, a constituição do CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, deverá ter em sua composição 20% de CONSELHEIROS INDEPENDENTES.
" Menas " boquinhas.
Seria o começo da filosofia PLP 268 ?

Anônimo disse...

Quando cabe criticas devemos criticar.
Quando couber elogios e reconhecimento, devem ser feitos.
Refiro-me a PREVI diretoria de seguridade.
Aplicaram a Lei 13183. Consertaram algumas inconsistências na margem consignável ocorridas na folha e no ES em janeiro e em fevereiro já está correto.
O "fale conosco" funcionou.

Anônimo disse...

Professor,

Fosse na terra do tramp a agência de segurança nacional faria uma visitinha ao Divany das 7 X 1 Lagoas

Edmilson lopes de sousa disse...

O demonstrativo do ir,já disponível pela previ.Uma pena,paguei 8.900,00 para a fundo da previ.Posse em maio de 1962!BET,nem pensar, dá labirintite,ok? A isso, dou o nome "suruba roraimada ".

Blog do Ed disse...

Corroborando o anônimo das 4:48 de hoje. Em 1973, o BB me manda, sem que eu pedisse ou sugerisse, que fosse a New York participar de um Seminário Internacional de Gerentes e Operadores de Câmbio. Durante uma semana, as palavras mais importantes e mais frequentemente pronunciadas pelos conferencistas e debatedores eram MARKET'S MAKERS! Estes dominam, conduzem a Bolsa. Estão na frente, determinam a tendência dos negócios, porque conhecem profundamente a economia, sabem para onde vai a economia no curto prazo e onde chegará provavelmente no longo prazo. Eles têm condição de anteciparem-se e contribuir para que a previsão aconteça.
Edgardo Amorim Rego

Anônimo disse...

ESTOU COM O ANONIMO DAS 5:43.

AUMENTO DE 10% EM NOSSOS PROVENTOS, A VOLTA DO BET, CESTA ALIMENTAÇÃO PARA TODOS, A VOLTA DO MERCADO ONDE OS MAIS ANTIGOS FUNCIONÁRIOS, PODIAM COMPRAR E PAGAR EM SUAVES PRESTAÇÃO ( QUEM LEMBRA DESSE MERCADO? MEU PAI COMPRAVA NELE) EU ACHO QUE O NOME ERA MERCADO COOPERATIVA, SÓ ACHO.

E SE PUDER, O PERDÃO DAS NOSSAS DIVIDAS (SONHO)

Anônimo disse...

PETROBRAS/PREVI:

http://www.forbes.com.br/negocios/2017/02/braskem-tem-prejuizo-de-r-26-bilhoes-no-4o-tri-segundo-balanco-nao-auditado/

Anônimo disse...

Corrijam se eu estiver errado:

NÃO VENDERÃO AS AÇÕES DA VALE AGORA NA ALTA. DAQUI 3 ANOS SE VIRAR PÓ JOGA O PREJU PARA OS PARTICIPANTES COBRIREM?


6 tão é de sacanagem

Anônimo disse...

Anônimo das 8:45,

O acordo de acionistas em comento, a nosso ver, insere-se num contexto maior de uma manipulação continuada e planejada em curso nos mercados bursateis hodiernos. Neste sentido, apresentamos os seguintes elementos:

1. [...] o papel do mercado de ações não é tal como aquele sugerido pela abordagem da reflexão, o de estimar passivamente uma realidade pré-existente, mas, muito pelo contrário, o de fazer surgir uma visão de futuro consistente, apta a ajudar os investidores a tomarem suas decisões. Esta visão do futuro, embora organize a escolha de investimentos para toda a economia, não tem outro status senão a de uma CONJECTURA ou de uma aposta. (42) (maiúsculo nosso)

Entretanto, um sinônimo da palavra CONJUNTURA é a palavra ESPECULAÇÃO. Ademais, a instabilidade da avaliação financeira se revela endêmica porque é totalmente ancorada nas estruturas das finanças. (7)

Anônimo disse...

Cont. 1

2. Por outro lado, a literatura técnica sustenta que o especulador financeiro transformará uma idéia em profecias que se auto-realizam, pois modificam as condições do próprio mercado, conforme se segue:

• O que ocorre é que a concentração do comando desse mercado nas mãos de
um pequeno grupo de sujeitos faz com que eles lutem incessantemente para manter os lucros a todo custo, inclusive porque nesse jogo suas vidas vão, em alguma medida, se entrelaçando às das empresas. Isto significa “[...] um impulso intensificado para as orgias de especulação, que cada vez têm menos relação com a realidade econômica. Pois o modo mais fácil de fazer dinheiro para os homens que têm os controles nas mãos é a manipulação financeira” (HUBERMAN, 1960, p. 242-243). Como um alquimista, O ESPECULADOR FINANCEIRO TRANSFORMARÁ UMA IDÉIA EM PROFECIAS QUE SE AUTO-REALIZAM, POIS MODIFICAM AS CONDIÇÕES DO PRÓPRIO MERCADO. (9) (maiúsculo nosso)

Anônimo disse...

Cont. 2

O comentado “Acordo de Acionistas” obriga que mais da metade da participação da Litel estará desvinculada do Acordo Vale APENAS após o final de fevereiro de 2018 (“lock up”). O restante da posição estará livre SOMENTE a partir de novembro de 2020. Entretanto, ninguém pode ignorar o fato de que tal acordo MODIFICA AS CONDIÇÕES DO PRÓPRIO MERCADO. Neste sentido, mesmo o fundo Previ, sendo o maior acionista da Litel, têm seus interesses na Cia. Vale diminuído. Assim, este fundo ao participar do citado acordo obriga-se a somente alienar suas ações de Vale APENAS após fevereiro de 2018 e novembro de 2010, respectivamente.

3. Ademais, devido o mercado bursátil atual ser uma instituição social altamente hierarquizada, as manipulações de preços são explicadas facilmente. Este fato, quando associado ao grande incremento no uso de derivativos pode levar algumas poucas mãos, mormente àquelas dos “AGENTES”, a tirarem proveito destas situações por meio de manipulações.

Anônimo disse...

Cont. 3

(...) Os grandes beneficiários de tais práticas seriam, portanto, os próprios “AGENTES”, pois estes não são apenas os melhores em prever a opinião da maioria; estes fazem a opinião da maioria, como no “Acordo de Acionistas” em comento. Em outros termos, as manipulações tendem a beneficiar àqueles que estão no topo da pirâmide das assimetrias de informação, pois a Bolsa de Valores é uma instituição social altamente hierarquizada. Logo, esse é um indício de que a Bolsa de Valores hodierna é apenas um meio de transferência de rendas. Igualmente, podemos comprovar tal assertiva pela interpretação do conceito de MANIPULAÇÃO (3), conforme se segue:

MANIPULATION – buying or selling a security to create a false appearance of active trading and thus influence other investors to buy or sell shares. This may be done by one person or by a group acting in concert. Those found guilty of manipulation are subject to criminal and civil penalties. (3)
Traduzindo:

Anônimo disse...

Cont. 4

Traduzindo:
MANIPULAÇÃO - compra ou venda de um valor mobiliário para criar uma falsa aparência de negociação ativa e, assim, influenciar outros investidores a comprar ou vender ações. Isso pode ser feito por uma pessoa ou por um grupo agindo em conjunto. Aqueles considerados culpados de manipulação estão sujeitos a penalidades civis e criminais.

Entretanto, “toda especulação, fracassada ou bem-sucedida, é sempre uma questão de timing!” Logo, não nos parece exagerado dizer que é suficiente manter determinada especulação por certo tempo para transformar esta numa manipulação. Em outros termos, a INCERTEZA da especulação é convertida na CERTEZA da manipulação.

Ocorre que aqueles considerados culpados de manipulação estão sujeitos a penalidades civis e criminais, conforme o conceito de manipulação, antes mencionado. Logo, nos parece adequado criar um grupo de trabalho para averiguar se são razoáveis as considerações acima aventadas.

Anônimo disse...

Cont. 5


(...) Se o Grupo de Trabalho concluir que o comentado “Acordo de Acionistas” insere-se num contexto maior de manipulação sugerimos protocolar no fundo Previ petição solicitando medidas para cancelar o comentado “Acordo de Acionistas.”

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

(3) Dictionary of finance and investment terms / John Downes, Jordan Elliot Goodman - 4th ed.
(7) BOURGHELLE, David e HYME, Pauline. Du mythe de l'efficience des marchés au krach: l'illusion de la liquidité boursière, 2010. Disponível em: . Acesso em: 27.06.2011;
(9) VACCARO, Stefania Becattini. Fundos de Pensão : Um Caminho Socioeconomicamente Viável ? Universidade Federal do Espírito Santo. Centro de Ciências Econômicas e Jurídicas, Vitória, 2009;
(42)http://www.parisschoolofeconomics.com/orlean-andre/depot/publi/RAP2004tBOUR.pdf

Colocamos-nos a disposição para maiores esclarecimentos

Anônimo disse...

Caro Ary,

Saúde!
Acho, desculpe(m), mas os colegas internautas perdem muito tempo com
assuntos alheios aos aposentados e pensionistas da PREVI.Por exemplo: sobre BOLSA DE VALORES, VALE, indicação de presidente da BRASILCAP-BB,
TEMER, apadrinhados, Warren Buffet e tantas outras ilações que nada
pesam em benefício dos assistidos pela PREVI. Desculpe(m), mas é meu
ponto de vista1!... Boa tarde! Williams Silva-Aposentado.

Anônimo disse...

Delação da Odebrecht será usada em ação contra chapa Dilma/Temer no TSE. Processo pode gerar cassação do mandato do atual presidente.

Anônimo disse...

O colega Williams Silva, das 13:40 tem razão.
Quem quiser saber assuntos alheios à Previ que sejam de nosso interesse imediato, deve acessar este blog e o da senhora Rosalina.
Comentários abrangentes, sem entendimento e aplicação prática poderiam deixar para jornais e revistas, youtube etc.

Anônimo disse...

Concordo com os comentários 13.40 e 15.25. Os assuntos tratados estão sedo ampliados demais.Todos os assuntos são importantes mas cada um deve ser tratado no lugar certo.Entendo que que entre nós o foco deva ser Previ, BB e Cassi (sem teses muito avançadas que dependam dos universitários para serem entendidas)

Anônimo disse...


Gosto de acompanhar o Blog principalmente pela pluralidade de assuntos e diversidades de opiniões manifestadas. Espero que continue assim.
Onde todos pensam igualmente, todos estão pensando de menos.
Obrigado.

Anônimo disse...

Gosto muito dos assuntos tratados aqui e no blog da Rosalina, porque tratam de assuntos diretamente ligados a nós, é claro que os outros blogs indicados são excelentes como noticiário e sempre que uma matéria me chama a atenção eu leio, mas nestes últimos dois meses fiquei triste com o mínimo de comentários e falta de solução sobre um assunto tão importante: Divulgaram que a partir do dia 20/01/17 a PREVI respeitararia a Lei 13.183/2015 e TODOS teriam o desconto em folha limitado a 30%, notícia ventilada aos quatro cantos, e aí o que aconteceu no dia 20 de janeiro? quantos foram contemplados? quantos ainda estão (como eu) tendo descontos acima de 70% EX: bruto de 5.000,00 e consignações de 3.800,00 ?Por que não houve isonomia? Será que a PREVI quis poupar os seus produtos?Os nossos advogados da ANAPLAB já se manifestaram ?Aqueles que já entraram com a ação 30% não seria o caso de enquadrar na liminar?
Prezado Prof. Ari se puder me responder ao menos um destes questionamentos ficarei imensamente grata, pois não consigo mai sobreviver com um líquido de 25% com mais de 500 contribuições pagas à PREVI , a respeito deste assunto um colega também questionou em 19/01 às 13:26 e em 18/01 às 19:08.

Anônimo disse...

Sugiro ao estimado professor que esses extensos textos sobre bolsa de valores sejam veiculados como artigos, pois na forma atual estariam atrapalhando os demais comentários.

E, como seriam artigos longos e tediosos aos não afeitos ao tema, somente os realmente interessados na área é que deles poderiam tirar proveito.

Isto com todo o respeito devido ao autor intelectual.

Anônimo disse...

Colega das 15:13,

Entretanto, o blog "Terceira Via", gentilmente cedido pelo Professor Ari para tal finalidade, nao estah aceitando colagens. Seria um virus?

Anônimo disse...

Colega de 23/02/2017 15:41

Sugiro enviar o artigo para o e-mail do professor que -- acredito eu -- ele fará a veiculação no blog citado.

Anônimo disse...

Colega de 21: 28,

Vou fazer isto nos proximos dias. O rascunho tem inconsistencias. Preciso sana-las. A grande denuncia (manipulation) acredito que logrei postar...

Anônimo disse...

A BOLSA DE VALORES BRASILEIRA ESTÁ EM TENDÊNCIA IRREVERSÍVEL DE BAIXA?

INTRODUÇÃO

PRIMEIRA TESE: O ATUAL CAPITALISMO BURSÁTIL É UMA ESPÉCIE DO GÊNERO CONSPIRAÇÃO (pags. 9-36)

I.1. Primeira referência de que as Bolsas de Valores seriam uma conspiração global
I.2. As duas linhas de força em torno das quais se estruturou o novo regime de acumulação são falhas maiores
I.3. A Bolsa de Valores é apenas mais uma aposta
I.4. “A liquidez NÃO é uma vantagem para TODOS da comunidade financeira”
I.5. « A rivalidade se destaca como o marcador de valor das ações no capitalismo hodierno »
I.6. A “liquidez subordinada” do capitalismo hodierno é bem mais injusta do que àquela dos tempos de Keynes
I.7. A “liquidez subordinada” do capitalismo bursátil hodierno não é um artefato legítimo
I.8. Gráficos indicativos de manipulação
I.9. O capitalismo bursátil hodierno é uma manipulação de forma continuada
I.10.« A manipulação das cotações e dos dividendos » : « manipulação de cotação » e « manipulação de cabeças »

Anônimo disse...

Cont. 1

SEGUNDA TESE: O ÚNICO OBJETIVO DO HODIERNO CAPITALISMO BURSÁTIL É TRANSFERIR RENDAS (pags. 37-54)

II.1. A emergência da “opinião do próprio mercado” coincide com o surgimento de uma “manipulação continuada e planejada”

II.2. Gráficos indicativos da irreversibilidade de uma tendência primária de baixa
II.3. Alguns preços virtuais encontrados em títulos de “grande liquidez”
II.4. CERTEZA: a nova “lei” do mercado bursátil

TERCEIRA TESE: O TEMPO É O FATOR VITAL DA CRIAÇÃO DE VALOR BURSÁTIL (pags. 55-68)

III.1. Toda especulação, fracassada ou bem-sucedida, é sempre uma questão de timing!
III.2 “O tempo é o fator vital da criação de valor bursátil”
III.3. “O tempo é o fator vital da criação de valor bursátil”: dois casos
III.4. A principal característica dos sistemas fechados: “a hiper-instabilidade intrínseca”
III.5. Por que cada vez mais as riquezas se concentram em poucas mãos?

Anônimo disse...

Cont. 2

QUARTA TESE: O RETORNO AO REAL NOS REENVIA AO VERDADEIRO “FUNDAMENTO” DA BOLSA DE VALORES: A EXPLORAÇÃO DOS “TRABALHADORES” (pag. 69-78)

IV.1. “Os Estados se servindo dos Mercados, os Mercados prosperando aos ombros dos Estados”- Os Mecanismos Exógenos do poder Público -“MEPP”
IV.2. O que determina o preço de uma ação?
IV.3. A Bolsa de Valores é uma instituição social hierárquica

IV.4. Assimetria de Informação e Percepção Relativa dos participantes das Bolsas de Valores

QUINTA TESE: A BOLSA DE VALORES BRASILEIRA DEVE SER EXTINTA ? (pag. 79-85)

V.1 - V.5. Indícios de que a Bolsa de Valores hodierna é apenas um meio de transferência de renda
V.6 - V.9. Indícios de que a Bolsa de Valores se afastou de seus objetivos originais
V.10 - V.13. Indícios de que a Bolsa de Valores hodierna deve ser extinta
RESUMO e CONCLUSÃO (pag. 86-97)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (pag. 96-99)

ANEXOS (pag. 100-1110)

ANEXO 1. Todo problema de sistema aberto tem solução!

ANEXO 2. Preços bursateis virtuais: estudo de três casos

ANEXO 3. O retorno à “alquimia da centralização financeira”




Anônimo disse...

Cont. 3

INTRODUÇÃO

A motivação de escrever o presente trabalho surgiu da constatação pelo autor da existência de muitas fraudes no ambiente da Bolsa de Valores brasileira e do relacionamento íntimo destas fraudes com a fraqueza do tecido institucional brasileiro. Entretanto, iremos oferecer neste trabalho nossa contestação a algo que é considerado legítimo por alguns economistas. Estamos aqui nos referindo à liquidez bursátil, também chamada de liquidez subordinada. Assim, em apertada síntese, iremos sustentar que os efeitos da liquidez subordinada são equivalentes aos efeitos da fraude. Desse modo, pretendemos oferecer no presente trabalho uma solução prática e alternativa para a solução do problema em comento. Neste sentido, iremos focar em apontar sistemas econômicos e sociais equivocados e inadequados. Em outros termos, iremos indicar sistemas econômicos e sociais que, a nosso ver, não tem uma finalidade transparente; são apenas meios.

Anônimo disse...

Cont. 4


Pela leitura da totalidade da presente obra o leitor irá perceber que geralmente escoramos nossas observações em conclusões feitas por uma miríade de diferentes autores, como renomados economistas e grandes investidores. Entretanto, sustentamos nossas hipóteses também em observações atribuídas a pessoas comuns. Entretanto, acreditamos que o presente trabalho não representa nenhuma ideologia. Neste sentido, iremos focar tão somente na questão central: a eficácia dos mercados. No intuito de desmistificar o que é a Bolsa de Valores apresentamos inicialmente um fragmento de texto que define a contestação contida em nossa abordagem:

[...] o papel do mercado de ações não é tal como aquele sugerido pela abordagem da reflexão, o de estimar passivamente uma realidade pré-existente, mas, muito pelo contrário, o de fazer surgir uma visão de futuro consistente, apta a ajudar os investidores a tomarem suas decisões. Esta visão do futuro, embora organize a escolha de investimentos para toda a economia, não tem outro status senão a de uma conjectura ou de uma aposta. (42) (negrito nosso)


Anônimo disse...

Cont. 5

O presente trabalho foi escrito por um trader, não por um economista. Consequentemente, vão surgir interpretações diferentes de algumas hipóteses sustentadas pelos economistas ao longo do presente trabalho. Entretanto, devemos observar que no presente trabalho estamos simplesmente oferecendo uma abordagem que procura desmistificar o que é a Bolsa de Valores. Em síntese, estamos apresentando uma alternativa que acreditamos ser mais ampla, mais completa, e na qual sustentamos que o hodierno capitalismo bursátil é uma espécie do gênero conspiração.

O livro “L’Empire de la Valeur” de autoria do economista francês André Orléan (18) é a principal referência bibliográfica do presente trabalho. Não obstante, iremos oferecer algumas poucas contestações a este magnífico trabalho. André Orléan apresenta em seu trabalho algumas teses, entre as quais a do “mimetismo” a qual iremos oferecer uma alternativa.

Anônimo disse...

Cont. 6

Assim, por exemplo, àquilo chamado de “convenção” ou “crença convencional” por André Orléan (18), a nosso ver, seria simplesmente uma criação da mente fértil de alguns economistas. A chamada “convenção” seria apenas uma manipulação de forma continuada e planejada, conforme iremos sustentar ao longo do presente trabalho.

Outro artigo igualmente bastante citado no presente trabalho é “Et si on fermait la Bourse...” (55) (“E se fecharmos a Bolsa...”). Entretanto, pretendemos ir um pouco além da tese defendida por Frédéric Lordon em tal artigo. Logo, não estamos indo a reboque; acreditamos que estamos atuando na ponta.

Em síntese, o presente trabalho tem como uma de suas hipóteses sustentar o surgimento de uma conspiração no hodierno capitalismo bursátil; entretanto, tal hipótese é materializada por meio de outra tese. Assim, iremos demonstrar que os mercados bursateis hodiernos são apenas meios de transferência de renda (riquezas).

Anônimo disse...

Cont. 7

A seguir iremos apresentar uma síntese do papel que seria desempenhado pelas Bolsas de Valores no hodierno capitalismo bursátil.

Como se processa a introdução na Bolsa de uma empresa?

Quando uma empresa precisa de capital, por exemplo, para investir ou sanear suas dívidas, duas soluções se apresentam: tomar emprestado dos bancos comerciais ou financiar diretamente com os investidores.

A Bolsa

A Bolsa de Valores é um mercado onde partes do capital de uma empresa são negociadas: as ações. A empresa entra, então, em contato direto com os investidores, que podem ser pessoas físicas, funcionários da empresa, empresas de investimentos, companhias de seguros, mas também bancos.

Bolsa = mercados financeiros?

Não exatamente. A Bolsa de Valores é um mercado financeiro entre outros: aquele onde transacionamos as ações. Em outros mercados financeiros, pode-se transacionar os títulos da dívida, moedas ou qualquer tipo de produto financeiro.

Anônimo disse...

Cont. 8

Dividendos

As partes do capital negociadas na Bolsa são as ações, ou seja, os títulos que dão ao detentor - o acionista - possuir uma participação na empresa, mas também o direito de participar da gestão da empresa (poder votar nas assembléias gerais) e receber uma remuneração, distribuída de acordo com o lucro da empresa: os dividendos.

Mas a empresa também pode escolher em reinvestir seus lucros, sem distribuição aos acionistas.

IPO: modo de funcionamento

O mercado de ações, como o mercado de títulos é dividido em dois: um mercado primário e um mercado secundário.
Mercado Primário

Quando uma empresa é listada na Bolsa, tem suas ações cotadas pela primeira vez em um mercado de ações. E é no mercado primário que esta primeira cotação se efetua. A operação é chamada de Oferta Pública Inicial (IPO).

Mercado Secundário

Uma vez que as ações foram emitidas no mercado primário, elas podem ser revendidas a outros investidores no mercado secundário. O mercado secundário é chamado de "mercado de oportunidades" dos produtos financeiros.

Anônimo disse...

Cont. 9

Como definir o preço certo de uma ação?

O preço de uma ação recém listada depende do método de introdução na Bolsa de Valores escolhido pela empresa.
Em caso de oferta a preço fixo, a empresa fixa o preço e o número de ações com antecedência.
Se a oferta é aberta, a empresa oferece uma faixa de preços para a comunidade financeira. O preço não será conhecido até o último momento e este corresponde à demanda do mercado: quanto mais compradores existem, mais o preço é elevado.

Avaliação de Mercado

A capitalização de mercado (ou capitalização de mercado) de uma empresa corresponde à soma do valor das suas ações cotadas.

Condições a serem cumpridas para entrar no mercado de ações

Uma companhia listada é sujeita a diversas regras que escapam àquelas que não se ajustam a estas. Estas devem informar ao público sobre o estado das finanças da empresa e apresentar os requisitos da "polícia" da Bolsa. No Brasil, é a CVM (Comissão de Valores Mobiliários); nos Estados Unidos é a SEC (Securities and Exchange Commission), que deve validar o IPO.

Anônimo disse...

Cont. 10

As informações fornecidas permitem ao público investir ou não, na empresa com conhecimento de causa.

Entretanto, uma visão mais realista da Bolsa de Valores hodierna pode ser conhecida por meio da leitura dos seguintes fragmentos de texto:

• No papel, o plano global não foi sem encanto. Os agentes (investidores) têm recursos financeiros em excesso e à procura de emprego, outros (empresas) estão à procura de capitais: o mercado de ações é a forma institucional adequada que iria colocar todas essas pessoas em contato e possibilitar uma união mutuamente benéfica para alguns e das necessidades de outros por recursos de financiamento. Faria melhor ainda: trazendo recursos permanentes (em contraste com empréstimos, o capital, levantado pela emissão de ações, não são reembolsáveis), iria estabilizar o financiamento e minimizar o custo. Falácia: nada disso irá realizar-se. (55) (negrito nosso)

Anônimo disse...


Cont. 11


• No mundo real, cada mercado é entrelaçado com outras instituições e uma determinada cultura social. Por conseguinte, não existe objetivamente apenas um tipo de mercado, mas muitos mercados diferentes, cada um consoante as suas próprias regras inerentes, normas culturais, institucionais e maquiagem. A diferenciação dos mercados em função da tipologia dos livros texto - da concorrência perfeita ao oligopólio até o monopólio - está longe de toda a história. Instituições, rotinas e cultura têm de ser trazidos para a pintura. Os economistas experimentais descobriram uma verdade equivalente nas configurações de laboratório e aprenderam que os resultados experimentais dependem frequentemente de pressupostos tácitos e configurações culturais dos participantes. Diferentes tipos de instituição de mercado envolvem diferentes rotinas de procedimentos, preços e assim por diante. A noção de um único tipo de mercado universal perdeu credibilidade (McMillan, 2002). (53)

Anônimo disse...

Cont. 12

Em apertada síntese, as Bolsas de Valores hodiernas se afastaram do conceito original de mercado após 1979/1980, mormente após 1990; em outros termos, os mercados bursateis se afastaram dos seus objetivos originais, após tal marco temporal, como veremos.

Apresentaremos, a seguir, algumas características do “novo regime de acumulação” que passou a vigorar após 1979/1980, mormente após 1990:

Enquanto a relação salarial era o elemento central do fordismo, é na esfera do mercado financeiro que agora devemos buscar o núcleo do novo regime de acumulação e das duas linhas de força em torno do qual esse se estruturou, ou seja, a « desregulamentação dos mercados de ativos » e a « poupança concentrada coletiva* ». (4)

* Fundos de pensão e fundos de mútuo

Nos últimos trinta anos, o total de ativos financeiros globais – depósitos bancários, títulos de dívida (pública e privada), ações e outros papeis – saiu de uma posição em que igualava a riqueza obtida com a produção de bens e serviços para um nível quatro vezes maior (KUPFER, 2010). (43)

Anônimo disse...

Cont. 13

Para os defensores do novo capitalismo financeiro, os mercados bursáteis têm uma tripla função: financiamento, avaliação e regulação das empresas. A observação da realidade mostra que não só os mercados não conseguem cumprir essas três funções, como ainda fragilizam os sistemas produtivos. (19)

Assim, o fragmento de texto, acima mencionado, resumidamente significa que as Bolsas de Valores se afastaram de seus objetivos originais. Em outros termos, as Bolsas de Valores hodiernas se afastaram do equilíbrio.

Finalmente, nessa etapa da Introdução observamos que o presente trabalho é composto de seis teses, quais sejam:

A Bolsa de Valores Brasileira está em tendência irreversível de baixa (tese principal);

Três são os modos que pretendemos desenvolver no presente trabalho para demonstrar esta tese principal: análise gráfica de alguns títulos bursateis, a emergência de relações matemáticas e/ou fundamentalistas extravagantes nestes títulos bursateis, e finalmente, o surgimento de paradoxos e/ou sutilezas das finanças.

Anônimo disse...

Cont. 14

Teses auxiliares

• O atual capitalismo bursátil é uma espécie do gênero conspiração (primeira tese).

Assim, vamos demonstrar que a “liquidez subordinada” (ações e depósitos obrigatórios*) é um artefato injusto, imperfeito e ilegítimo;

A raiz das crises financeiras, mas também de forma mais geral do que chamamos fragilidade sistêmica, encontra-se no volume extremamente elevado dos CRÉDITOS sobre a produção futura que os possuidores de ativos financeiros consideram poder pretender; (19)

Por outro lado, a nosso ver, as palavras que melhor representam os sistemas bursateis “fechado” (anterior 1990 aprox.) e “aberto” (posterior 1990 aprox.), são respectivamente, INCERTEZA e CERTEZA, conforme iremos sustentar ao longo do presente trabalho.

* Requisitos de reserva (ou taxas de liquidez), impostas por um banco central, definem a quantidade mínima de dinheiro que os bancos comerciais devem manter em reserva sob a forma de depósitos à vista e notas. Colasse (2009). (18)


Anônimo disse...

Cont. 15

• O único objetivo do hodierno capitalismo bursátil é transferir riquezas (segunda tese);

Neste sentido, a finança repousa em grande parte sobre uma ilusão que ela acalenta: a de que seria possível transferir de maneira segura a riqueza ao longo do tempo.

Com a criação de direitos em excesso sobre a riqueza futura, a finança seria uma causa permanente de conflitos distributivos. Isso geraria e faria circular precariedade e angústia. » (34) [...] Naturalmente, quem permanece “comprado” de forma permanente em títulos bursateis, mormente após os climaxes do mercado, transfere riquezas para os outros participantes do mercado.

Anônimo disse...

Cont.16

• O tempo é o fator vital da criação de valor bursátil (terceira tese).


Em síntese, tanto a estratégia de Jesse Livermore objetivando distribuir as ações para o público nas cotações próximas às máximas, quanto à atual determinação dos investidores institucionais de manutenção das cotações das ações dos grupos em que estes detêm ações junto as suas máximas nominais, ou ainda o “espírito” das “Tendências Ponzi dos Mercados”, se assemelham, tem o mesmo objetivo; almejam uma especulação bem-sucedida: ou melhor, tem por objetivo apenas uma manipulação planejada e de forma continuada.

Entretanto, o objetivo acima mencionado, de manter as cotações próximas às máximas pode ser considerado como um objetivo desnecessário, ultrapassado, ou mesmo dispensável. Neste sentido, consta da primeira tese, o seguinte fragmento de texto:

[...] o que é essencial do ponto de vista da liquidez é que uma ação possa a qualquer momento ser trocada por dinheiro. [...] Se esses preços são demasiado elevados ou demasiado baixos é uma questão secundária. (18)

Anônimo disse...

Cont. 17

Tal preferência ocorre porque todo problema de sistema aberto tem solução!
Assim, vamos sustentar que a Bolsa de Valores brasileira é apenas uma manipulação continuada e planejada com data e hora para terminar;

• O retorno ao real nos reenvia ao verdadeiro “fundamento” da Bolsa de Valores: a exploração dos “trabalhadores” (quarta tese);

A história recente do capitalismo é (em parte) a história de uma luta de poder entre duas frações do capital: o capital financeiro e o capital industrial, o primeiro tendo recebido a modificação das estruturas de poder sem precedentes que lhe permitiu desbancar o segundo da sua antiga soberania. E impor tudo e mais alguma coisa. E no final o capital industrial passa o “mico”* para o trabalhador... (56)

Na quarta tese iremos sustentar que existe um relacionamento entre a percepção relativa, característica singular inerente a maioria dos personagens do mercado e a manipulação continuada e planejada dos mercados bursateis.

* do francês “mistigri”

Anônimo disse...

Cont.18

• A Bolsa de Valores brasileira deve ser extinta (quinta tese).

[...] a Bolsa é uma forma institucional, não saiu do rabo de uma galinha ou caiu do céu. Esta foi feita pela mão do homem. Portanto, ela pode ser desfeita se nos parece que tem mais vantagens do que desvantagens - - - - - o que me afigura notoriamente o caso. (56)

Na quinta tese iremos abordar situações que identificam facilmente um ganhador e um perdedor. Logo, tal situação é semelhante àquela situação de uma transferência de renda (riquezas), conforme sustentamos na segunda tese.

QUESTIONAMENTOS INICIAIS

Os mercados bursateis desempenham bem seu papel?

Os mercados bursateis são eficazes?

As cotações bursateis são um estimador confiável da rentabilidade futura das empresas?
Qual é a única finalidade do capitalismo bursátil hodierno?

Anônimo disse...

Cont.19

Aqui nos parece oportuno fazer dois questionamentos finais: (1) Quais eram os objetivos das Bolsas de Valores durante àquilo que podemos chamar de “vida normal”? (2) Por que as Bolsas de Valores se afastaram do equilíbrio após 1979/1980, mormente após 1990?

Como conseqüência do afastamento do equilíbrio, acima mencionado, dois fenômenos igualmente emergiram no hodierno capitalismo bursátil: a “CONCENTRAÇÃO FINANCEIRA” e a “CENTRALIZAÇÃO FINANCEIRA”. Assim, após 1979/1980, mormente após 1990, a finalidade principal da Bolsa de Valores é transferir renda dos trabalhadores para “determinado capital financeiro”, conforme veremos na quarta tese. Em segundo lugar, no caso específico da Bolsa brasileira, além da transferência de renda dos trabalhadores para “determinado capital financeiro” - “CONCENTRAÇÃO” – a finalidade da Bolsa brasileira, é, também, transferir renda dos pequenos investidores para “determinado capital financeiro” – “CENTRALIZAÇÃO”.

Anônimo disse...

Cont. 20

PRIMEIRA TESE: O ATUAL CAPITALISMO BURSÁTIL É UMA ESPÉCIE DO GÊNERO CONSPIRAÇÃO

I.1. Primeira referência de que as Bolsas de Valores seriam uma conspiração global
A primeira referência de que as Bolsas de Valores seriam uma conspiração global viemos a conhecer por meio da leitura de certa obra de Robert Beckman (1) (1992), conforme se segue:

A indústria de ações nunca vai admitir isso, e provavelmente não vai gostar de ouvir isso ser dito. Mas, é um fato, e você pode estar certo de que: a indústria de títulos é como uma conspiração global maciça. Como qualquer conspiração, o mercado de ações não é o que parece ser. Se este for retratado – como este realmente foi, sem dúvida, este deixará de existir. Como um investidor, não é possível acumular lucros com ações, participando da ilusão como ela é percebida. Para o investidor médio, investir é um jogo de azar, nada mais, nada menos (negrito nosso).

Anônimo disse...

Cont. 21

I.2. As duas linhas de força em torno das quais se estruturou o novo regime de acumulação são falhas maiores

O megaespeculador George Soros considera que o surgimento da crise de 2007/2008 teve raízes “endógenas”, conforme se segue:

A crise foi gerada pelo próprio sistema financeiro. Este fato – que o defeito era inerente ao sistema – contradiz a teoria prevalecente, que sustenta que os mercados financeiros tendem ao equilíbrio e que os desvios do equilíbrio, ou ocorrem de forma aleatória ou foram causados por algum evento externo repentino, ao qual os mercados tem dificuldade em se ajustar. A gravidade e amplitude da crise fornecem evidências convincentes de que há algo fundamentalmente errado com esta teoria dominante e com a abordagem da regulação do mercado que tem caminhado em paralelo com esta. Para entender o que aconteceu, e que o deve ser feito para evitar uma crise tão catastrófica no futuro, exigirá uma nova forma de pensar sobre como os mercados funcionam.

Anônimo disse...

Cont. 22

Neste sentido, as duas linhas de força em torno das quais se estruturou o novo regime de acumulação – a “desregulamentação dos mercados de ativos” e a “poupança concentrada coletiva”, são falhas maiores, conforme se segue:

A quase invariável tendência por parte dos investidores em seguir a trilha das oscilações observadas no preço de mercado é inteiramente oposta à lei da oferta e da demanda. Em 2007 e 2008, por exemplo, quando o preço de um grande número de produtos securitizados começou a cair dramaticamente, nenhum correspondentemente forte aumento na demanda privada esteve próximo de aparecer para restaurar a estabilidade, assim como a hipótese dos mercados eficientes previa. Entretanto, foi somente através da intervenção dos governos e de outras autoridades públicas que uma queda livre foi evitada. O pânico foi contido e, finalmente dissipado, apenas como resultado de uma ação orquestrada por parte de agências externas ao sistema. Sem isto, o sistema teria explodido. A partir disto, fica claro que não só a concorrência financeira não é auto-regulável, mas também que a desregulamentação dos mercados é uma falha maior. (18) (negrito nosso)

Anônimo disse...

Cont. 23

O surgimento de tais anomalias é em primeiro lugar conseqüência de um paradoxo, vale dizer – para dizer diretamente, quando os preços sobem, a demanda aumenta, em vez de abrandar como no mundo real. (51)

Assim, ao olharmos para o interior das transações bursateis hodiernas fica nítido o surgimento de um grande vício na formação dos preços bursateis, após 1979/1980, mormente após 1990. Isto é conseqüência do incremento da segunda linha de força em torno das quais se estruturou o novo regime de acumulação: “a poupança concentrada coletiva”.

Em apertada síntese, tal vício é uma conseqüência dos chamados “problemas de agência”. Tais problemas decorrem do extraordinário incremento concedido a “poupança concentrada coletiva” a partir de 1990. Assim, a concentração do grosso da poupança em poucas mãos, após tal marco temporal, leva ao surgimento de uma “indústria ineficiente”. (21) Esta “indústria ineficiente” tem sua origem na divergência de objetivos entre os “PRINCIPAIS” – “proprietários FORMAIS da poupança concentrada coletiva” – e os “AGENTES” – “proprietários MATERIAIS da poupança concentrada coletiva”. Voltaremos a este tema na quarta tese.

Anônimo disse...

Cont. 24

I.3. A Bolsa de Valores é apenas mais uma aposta

“A premissa de que os preços das ações refletem a qualquer momento o valor fundamental das empresas é parte de uma visão naturalista das finanças que reduz os mercados bursateis a um papel estritamente passivo, uma simples transcrição de uma realidade econômica preexistente. No entanto, na ausência de um conhecimento objetivo do futuro, as expectativas só podem ser subjetivas: cada operador constrói a sua própria visão do futuro.” (7) (negrito nosso)

Inicialmente, nossa abordagem, que iremos doravante denominar de “realismo”, igualmente ao “mimetismo”, também acredita que a Bolsa de Valores é apenas uma aposta.

Assim, um ponto de concordância entre o “realismo” e o “mimetismo” pode ser encontrado no papel desempenhado pelo mercado financeiro de, “com base em estimativas subjetivas, de uns e outros, fazer surgir uma estimativa de referência, à qual todo mundo adere”. Neste sentido, a tese do “mimetismo”, conforme se segue:

Anônimo disse...

Cont. 25

[...] Aussi, le rôle de la Bourse n’est-il pas, comme le croit l’approche du reflet, d’estimer passivement une réalité préexistante, mais, tout au contraire, de faire émerger une vision du futur cohérente, apte à aider les investisseurs à prendre leurs décisions. Cette vision du futur, bien qu’elle organise les choix d’investissement de toute l’économie, n’a pas d’autre statut que celui d’une conjecture ou d’un pari. (42) (negrito nosso)

Traduzindo:

[...] Além disso, o papel do mercado de ações não é tal como aquele sugerido pela abordagem da reflexão, o de estimar passivamente uma realidade pré-existente, mas, muito pelo contrário, o de fazer surgir uma visão de futuro consistente, apta a ajudar os investidores a tomarem suas decisões. Esta visão do futuro, embora organize a escolha de investimentos para toda a economia, não tem outro status senão a de uma conjectura ou de uma aposta.

Anônimo disse...

Cont. 26

Igualmente ao “mimetismo”, o “realismo” também sustenta que o mercado é uma conjectura ou aposta. Neste sentido, fundamentando-se em BECKMAN (1), a tese do “realismo” é a seguinte:

[...] a Bolsa de Valores lida com o futuro, não sendo esta algo mais do que uma sombra do passado; esta é a regra cardeal do comportamento da Bolsa de Valores. (1)

Entretanto, devido ao fato do mercado ser apenas uma aposta surge um primeiro indício de que a Bolsa de Valores é uma espécie do gênero conspiração, pois em toda aposta sempre tem um perdedor. Em outros termos, a Bolsa de Valores é apenas mais um jogo de SOMA ZERO. A explicação teórica do por que a Bolsa é apenas mais um jogo de SOMA ZERO encontra seus fundamentos na teoria econômica que sustenta que a Bolsa de Valores apenas transfere a titularidade das riquezas. Falta ainda que tais riquezas sejam produzidas. (23)

Anônimo disse...

Cont. 27

Assim, iremos demonstrar no presente trabalho que o único objetivo do hodierno capitalismo bursátil é transferir renda dos participantes das Bolsas de Valores (segunda tese). Chegamos a tal conclusão observando, entre outros indícios, que a Bolsa de Valores é apenas mais uma aposta, como André Orléan (18), doravante AO, antes sustenta. Em outros termos, iremos demonstrar que o capitalismo bursátil hodierno é simplesmente um jogo de SOMA ZERO.

Neste sentido, as duas linhas de força em torno das quais se estruturou o novo regime de acumulação, vale dizer, – a “poupança concentrada coletiva” e a “desregulamentação dos mercados de ativos” – são falhas maiores, como vimos no item anterior.

Anônimo disse...

Cont. 28

Entretanto, tais falhas maiores trouxeram importantes e complicadas conseqüências: as cotações bursateis hodiernas se tornaram “virtuais” e/ou “manipuladas”. Em outros termos, houve uma criação de valor de forma necessariamente passageira. (30) Ademais, o surgimento desta criação de valor bursátil, de forma necessariamente passageira, parece ter coincidido com a emergência da “opinião do próprio mercado”. (18) Este é um segundo indício de que o hodierno capitalismo bursátil é uma espécie do gênero conspiração.

Entretanto, como conseqüência do fato do mercado ser apenas uma aposta, sempre haverá um perdedor. Quem será este perdedor? Esta é nossa indagação.
No entanto, antes de respondermos a questão acima devemos tentar compreender como funcionam os mercados bursateis. Neste sentido, na finança de mercado existe um fator que distingue esta dos demais ramos da economia: o timing, conforme nos indica os seguintes fragmentos de texto:

Anônimo disse...

Cont. 29


• O que distingue o campo das finanças dos outros estudados pela teoria econômica é o fato de que ele tem por objeto não os retornos dos indivíduos com as mercadorias, como frequentemente ocorre no da economia, mas os retornos dos indivíduos, com o tempo. Entretanto, uma dificuldade maior é introduzida, devido à natureza intrinsecamente incerta destas grandezas. Com efeito, os investidores não conhecem de maneira certa quais serão os ganhos financeiros futuros. (18)

• Trata-se de mais um mercado, no qual a transação se faz essencialmente na compra e venda do novo produto, os títulos de rendimento. Os ganhos e perdas se dão, essencialmente, nos diferenciais das oscilações. As transações estarão centradas, majoritariamente, no mercado secundário de títulos por intermédio de uma avaliação dos riscos imbuídos na operação (CHESNAIS 2005), como num jogo. (VACCARO, 2009, p. 24). (9)

• O objetivo não é gerar um fluxo sustentado de renda na forma da regularidade dos dividendos distribuídos, mas de realizar ganhos de capital através da exploração de variações transientes no preço das ações. (18)

Anônimo disse...

Cont. 30

Portanto, grosso modo se você vender uma ação anteriormente adquirida, por um preço inferior ao da aquisição, surge uma diferença; vem à tona aquilo que os economistas chamam de “destruição de valor”.

Em outros termos, há uma diferença básica entre “preço” e “valor”; “preço é o que você paga; valor é o que você obtém!” (24)

Entretanto, da mesma forma, que o capital produtivo permanece imobilizado, quaisquer que sejam as compras e as vendas que venham a conhecer os títulos que eles representam, também assim ocorre com a poupança aplicada em renda variável que permanece imobilizada, quaisquer que sejam as operações que venham a ser realizadas por “determinado capital financeiro.” Isso é o que nós entendemos como uma conseqüência extremamente negativa daquilo conhecido como « paradoxo da liquidez » (7).

Esta contradição aparece em plena luz quando nós consideramos os interesses potencialmente antagônicos que exprimem a especulação (geralmente, “determinado” capital financeiro) e a “poupança concentrada coletiva” (geralmente, investidores institucionais).

Anônimo disse...

Cont. 31

Exemplificando, o objetivo de “determinado” capital financeiro, como um fundo hedge é simplesmente realizar lucro. Por outro lado, um fundo de pensão pode manter suas reservas técnicas aplicadas em renda variável, enquanto aguarda a aposentadoria de seus associados. É exatamente aí que pode surgir uma surpresa negativa para esses investidores institucionais, como veremos na segunda tese.
Dessa maneira, tende a haver uma “destruição de valor”, quando você simplesmente “mantém em carteira” títulos bursateis, visto que a “verdadeira forma” do valor começará a se revelar com o passar do tempo, pois os fatores cíclicos começarão a se manifestar. Em outros termos, existe uma hora certa para colhermos a fruta, como iremos sustentar ao longo do presente trabalho.

Assim, se você “mantém em carteira” títulos cotados no mercado bursátil você está fazendo alguma coisa. Você não está fazendo NADA! Você está participando de uma aposta. E as características de risco de uma aposta não podem ser eliminadas. Grosso modo, o seu Capital está em risco.

Anônimo disse...

Cont. 32

Em síntese, nas Bolsas de Valores os ganhos e perdas se dão, essencialmente, nos diferenciais das oscilações. Entretanto, as Bolsas de Valores hodiernas se afastaram do equilíbrio, como inicialmente mencionamos na Introdução. Logo, os problemas desta instituição são estruturais.

Por último, mas não menos importante parece-nos oportuno aqui perguntar: qual seria a mencionada aposta?

- Nessa etapa de nossa tratativa apresentamos uma singela resposta a esta questão: basicamente, estimar a duração da liquidez continuada por vir. Neste sentido, o seguinte fragmento de texto:

“Foi o grande fluxo de capitais de investimento permanente em direção à Wall Street, o que permitiu aos mercados acionários norte-americanos (e, por mimetismo os mercados de ações europeus) ficarem tanto tempo em um estado de levitação.” (5)

Anônimo disse...

Cont. 33

Em sentido semelhante, ao acima mencionado, encontramos no Anexo 1:

[...] Tudo, no fundo, depende do que fazemos com os “ganhos” dos ativos financeiros. Enquanto esses forem totalmente reinvestidos, os ativos crescem sem qualquer conexão física com a economia real e a diferença pode tornar-se potencialmente infinita. Mas se uma parte destes direitos de retiradas correspondentes aos ganhos financeiros procurar se transferir para a esfera real – ou seja, procurar se trocar por bens e serviços –, tal transferência deve obedecer à lei do valor ou, mais prosaicamente, àquela lei da oferta e da demanda. [...] Este cenário é tipicamente aquele de uma crise nos fundos de pensão, quando toda uma geração de aposentados passa ao mesmo tempo, de uma situação de investidor, que compra títulos para aquela de um aposentado, que vende os títulos para financiar o seu consumo. (22)

Em síntese, os preços bursateis estão ligados a “quantidade” de “liquidez subordinada”; entretanto, a “quantidade” de “liquidez subordinada” depende dos “MEPP” - “Mecanismos Exógenos do Poder Público”, entre os quais se destacam àqueles que tem origem na Seguridade Social.* Voltaremos a esse tema na quarta tese.

* Fundos de Pensão (Poupança Concentrada Coletiva)

Anônimo disse...

Quarto dia de queda consecutiva nos papeis da Vale: o ideograma chines do numero 4 tb. significa morte...

Anônimo disse...

Emérito Professor ZANELLA:


"Escaldante" mesmo, é "Edison Lobão Mau", dizer que o Congresso Nacional é um dos que "mais trabalha no mundo". Por favor, Caro Professor, atenda o apelo de "inúmeros" blogueiros que respeitam a boa-vontade, o interesse, o mérito e a pessoa do missivista, e "dê um tempo", pois já "não aguentam" mais nem ouvir a expressão "capitalismo bursátil".

Anônimo disse...

Cont. 34

I.4. “A liquidez NÃO é uma vantagem para TODOS da comunidade financeira”

• As duas ilusões das finanças

A finança repousa em grande parte sobre uma ilusão que ela acalenta: a de que seria possível transferir de maneira segura a riqueza ao longo do tempo. A verdade é que não é. Separando certa quantidade de dinheiro que dá direito a fruição imediata de bens e serviços, nós compramos sempre direitos incertos sobre a riqueza futura. De fato, o futuro não é totalmente calculável, isto é probabilisável. É irredutivelmente condicionado. Quando esta incerteza é percebida, não escapamos de cair em uma segunda ilusão: a liquidez dos títulos financeiros. De fato, quando se lida com dúvidas sobre o valor futuro de um título é tranqüilizante pensarmos que podemos realizá-lo a qualquer momento (assim, vendê-lo) e transformá-lo em dinheiro. Entretanto, se todos os titulares desse título atuar desta maneira, ao mesmo tempo, esse, instantaneamente, nada mais valerá. Isso é assim, porque a moeda que é separada para a compra de um título é imediatamente mobilizada e imobilizada em um projeto socializado de risco de aumento de riqueza.

Anônimo disse...

Cont. 35

(...) Você não pode obter esse dinheiro antes do vencimento, a menos que outra pessoa esteja disposta a assumir o seu lugar nesta aventura e, em última análise, este é apenas recuperado, se o processo social de aumento de riqueza é implantado sem muitos acidentes. A incerteza fundamental de qualquer investimento financeiro é, portanto, a única coisa que é fornecida a um especulador. Ele especula sobre um futuro incerto. (34) (negrito nosso)

• GRAÇAS À “AUTONOMIA” PROVIDA PELA LIQUIDEZ E ENQUANTO ESTA LHES PARECE GARANTIDA, OS MERCADOS FINANCEIROS CONSTROEM UM AMBIENTE ENCLAUSURADO, UM MUNDO EM QUE OS FETICHES REINAM. [...] André Orléan situa neste ponto o calcanhar de aquiles das Finanças. Sua extraordinária capacidade de se tornar impermeável durante longos períodos àquilo que acontece no mundo real tem como efeito permitir a formação de convenções, cujas disparadas constituem a origem das bolhas financeiras e bursateis, deixando o espaço aberto para craques. [...]

Anônimo disse...

Cont. 36

[...] O nível das cotações que surge do confronto interno entre os participantes do mercado tem para eles o valor de um consenso, mas este se forma em condições nas quais “a autorreferencialidade das interações faz surgir uma opinião comum apenas pelo jogo da autorrealização das crenças, não por ser intrinsecamente verdadeira, mas porque todo mundo acredita que é verdadeira” (Orléan, 1999: 84). (20) (negrito e maiúsculo nossos)

• As grandes reversões que marcaram a história econômica de fato são atribuíveis ao “paradoxo da liquidez” (Orléan, 1999 e 2004): se a liquidez dos investimentos é uma oportunidade para cada jogador considerado isoladamente, é impossível de alcançá-la para a comunidade de investimento como um todo, ou seja, quando todo mundo quer se livrar de seus títulos simultaneamente. [...] Em face de uma perda de confiança na capacidade do mercado acionário em satisfazer a liquidez das posições, a decisão de vender imediatamente aplica-se racionalmente para cada um. (7)

Anônimo disse...

Cont. 37

• Keynes não cessou de lutar contra a primazia injustamente concedida à liquidez: “De todas as máximas da finança ortodoxa não há nenhuma mais anti-social do que o fetichismo da liquidez. Tal teoria ignora o fato de que para a comunidade como um todo, não há nada que corresponda à liquidez do investimento”. (28) (negrito nosso)

Parece-nos oportuno aqui registrar que a NEGAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE UM VALOR INTRÍNSECO estável dos títulos é um dos argumentos centrais do “mimetismo”, conforme se segue:

• [...] Selon les économistes néoclassiques, les titres ont une valeur intrinsèque, encore appelée « valeur fondamentale », qui détermine le mouvement des prix. L'adéquation de cette hypothèse à la réalité n'a rien d'évident: comment peut-on concilier, sans contorsions excessives, les mouvements erratiques que connaissent sans cesse les cours boursiers, à la hausse comme à la baisse, avec l'hypothèse d'une valeur intrinsèque stable? Le plus souvent, les économistes sont conduits à admettre que les données objectives ne réussissent pas à expliquer les variations de prix. (18)
Traduzindo:

Anônimo disse...

Cont. 38

[...] Segundo os economistas neoclássicos, os títulos têm um valor intrínseco, também chamado de “valor fundamental”, que determina o movimento dos preços. A adequação desta hipótese com a realidade nada tem de óbvio. Como podemos conciliar, sem contorções excessivas, os movimentos erráticos que sofrem as cotações bursateis, tanto para cima como para baixo, com a hipótese de um valor intrínseco estável? Assim, freqüentemente, os economistas são levados a reconhecer que os dados objetivos não são bem sucedidos em explicar as variações dos preços. (18) (negrito nosso)

• “A liquidez cria um mundo no qual a única justificativa para o preço é a sua legitimidade. [...]Tudo o que importa é que estes sejam aceitos pela comunidade financeira.” (18)

Embora concordemos com a observação constante da assertiva acima mencionada de que tudo o que importa é que os títulos de liquidez sejam aceitos pela comunidade financeira, discordamos que a liquidez cria um mundo no qual a única justificativa para o preço é a sua legitimidade. Neste sentido, inicialmente, parece-nos oportuno chamar à atenção para o fato de que “a liquidez NÃO é uma vantagem para TODOS da comunidade financeira.”

Anônimo disse...

Cont. 39

Assim, a liquidez NÃO é uma vantagem para TODOS da comunidade financeira, pois a “liquidez” está ligada ao timing, conforme se segue:

A liquidez liga estreitamente os atores econômicos entre si. É assim, em primeiro lugar, porque o valor do bem líquido que detém o indivíduo A depende do comportamento dos outros detentores. Se os outros titulares, por um motivo ou outro, não quiserem mais o bem líquido, seu valor irá cair a zero e o indivíduo em consideração poderá ser arruinado sem nada ter feito. (18)

Ademais, parece-nos aqui oportuno registrar certo fragmento de texto, conforme se segue:

“[...] a crise não vem do fato de que as regras do jogo financeiro foram violadas, mas do fato de que elas foram seguidas.” (40)

Em síntese, parece haver certo relacionamento sutil entre estes dois fragmentos de texto acima mencionados. Ademais, tal relacionamento sugere que os mercados bursateis hodiernos se equiparam a uma conspiração. Neste sentido, o seguinte fragmento de texto:

A raiz das crises financeiras, mas também de forma mais geral do que chamamos fragilidade sistêmica, encontra-se no volume extremamente elevado dos CRÉDITOS* sobre a produção futura que os possuidores de ativos financeiros consideram poder pretender; (19)

* ações

Anônimo disse...

Cont. 40

De modo semelhante, o economista britânico, John Kay, ao observar certo paradoxo encontrado na maneira de avaliar as obrigações dos fundos de pensão, provavelmente, estaria nos confirmando, igualmente, que a liquidez NÃO é uma vantagem para TODOS da comunidade financeira, conforme se segue:

Na economia financeira moderna, o principal efeito do QE - Quantitative Expansion - é impulsionar os preços dos ativos, como as oscilações do mercado das últimas semanas têm claramente ilustrado. Mas é a busca de preços mais elevados para os ativos um meio eficaz ou desejável de promover o crescimento econômico? O impacto distributivo desta política exige atenção; a conseqüência certa de impulsionar os preços dos ativos é que aqueles com ativos se beneficiam em relação àqueles sem. Muitas pessoas possuem casas – mas, embora no Reino Unido, por exemplo, precisemos de mais casas, nós não precisamos de outro boom imobiliário. O público também detém ativos financeiros indiretamente, em grande parte por meio dos fundos de pensão. Mas, aqui tem ocorrido um efeito paradoxal: devido à maneira com que os fundos de pensão são avaliados, o QE geralmente tem aumentado mais as obrigações dos fundos de pensão do que seus ativos. (49) (negrito nosso)

Anônimo disse...

Cont. 42

O “QE” é a espécie mais recente de desenvolvimento do gênero “liquidez”. Entretanto, pretendemos aqui chamar à atenção para o efeito paradoxal acima observado pelo economista britânico, John Kay: tal economista observou que o modo pelo qual os fundos de pensão são avaliados tem aumentado mais as OBRIGAÇÕES dos fundos de pensão, do que dos seus ativos, como conseqüência da implementação do “QE”. Tal paradoxo mostra-nos a face artificial da liquidez, advinda do “QE”. Desse modo, quer nos parecer que a observação do economista John Kay, acima mencionada, seria igualmente um exemplo de que a liquidez NÃO é uma vantagem para TODOS da comunidade financeira.

Em síntese, por meio da leitura em conjunto dos três últimos fragmentos de texto destacados, existem fortes indícios de que a liquidez NÃO é uma vantagem para TODOS da comunidade financeira. Explicando: a liquidez permite-nos a criação de valor, entretanto de forma necessariamente passageira. (30) Em outros termos, a liquidez é criadora de valor; entretanto, a liquidez igualmente é destruidora de valor, pois “para a comunidade como um todo, não há nada que corresponda à liquidez do investimento”. (28)

Anônimo disse...

Cont. 43

(...) Logo, quanto mais tempo você permanece “comprado” em títulos de “liquidez subordinada”, mormente após os climaxes do mercado, que são facilmente reconhecíveis, mais você tende a perder. Neste sentido, Hilferding (9) (1985, p. 138) explica que

[...] a esfera da verdadeira atividade da bolsa é o mercado de títulos de juro ou de capital fictício. [...] O dinheiro é gasto definitivamente na compra de títulos de juro e não retorna mais. Reflui à bolsa anualmente apenas o juro alcançado.
Parece-nos oportuno aqui apresentar nossa resposta a determinado “questionamento”: por que quanto mais tempo você permanece “comprado” em títulos bursateis, mormente “comprado” em títulos bursateis de “liquidez subordinada”, mais você perde?

- Porque a “liquidez subordinada” (“AÇÃO”) é um artefato INJUSTO, ILEGÍTIMO e IMPERFEITO, que tende para algo IDEAL (“VALOR”), que pode ser obtido na “liquidez principal” (“MOEDA”), conforme iremos demonstrar ao longo do presente trabalho. Estes são indícios da existência de paradoxos e/ou sutilezas das finanças que sustentam nossa hipótese de surgimento de uma espécie do gênero conspiração no hodierno capitalismo bursátil.

Anônimo disse...

Cont. 44

Neste sentido, encontramos no “O Estado de S. Paulo” de 28 Janeiro 2017 | 07h52, o seguinte fragmento de texto:

“Dos US$ 16,5 milhões pagos como propina pelo empresário Eike Batista ao ex-governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ), conforme apontam as investigações da Operação Eficiência, apenas um décimo foi recuperado. Os valores foram repassados em ações da Vale, da Petrobrás e da Ambev e, ao liquidar os papéis, somente US$ 1,6 milhão (R$ 5,4 milhões) foi arrecadado pelo Ministério Público Federal.

O montante é 10% do valor investido nos papéis e uma parcela pequena dos cerca de R$ 270 milhões repatriados até agora pela força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro. “Por opção de Cabral, os US$ 16,5 milhões foram investidos em ações. O que se conseguiu recuperar dessa conta da (empresa) Arcadia no (banco) Winterbotham é um valor muito pequeno porque boa parte do que foi aplicado nas ações evaporou”, disse o procurador da República Sérgio Pinel. Ele afirmou que no fim do ano passado a força-tarefa solicitou a liquidação dos papéis restantes na conta e a repatriação do valor correspondente.”

Anônimo disse...

Cont. 45

Assim, valores equivalentes a apenas 10% do originalmente aplicado, foram obtidos “no fim do ano passado”, mesmo após a significativa alta ocorrida na BM&FBOVESPA a partir de fevereiro / 2016. Assim, tais valores obtidos de apenas 10% dos valores originais comprovam algo que antes vimos e que merece nossa atenção: “o valor do bem líquido que detém o indivíduo A depende do comportamento dos outros detentores.” Entretanto, após o surgimento da “opinião do próprio mercado”, esta opinião é determinada por alguns poucos AGENTES, os quais tem objetivos divergentes dos objetivos dos PRINCIPAIS, como veremos na quarta tese. Assim, os efeitos da liquidez se assemelham aos efeitos de uma fraude, como iremos sustentar ao longo do presente trabalho

Anônimo disse...

Caro Dr. Edgardo,

Seu comment de 22/02/1017 (10:55):
Inicialmente, enriquece bastante o debate suas observacoes. Realmente, a primeira observacao eh verdadeira: MARKET MAKERS. A segunda (economia) eh um equivoco, como poderemos constatar a medida que a apresentacao for se desenrolando. Assim, todos tenderao a ter uma conclusao diferente. Fico quieto para permitir aos colegas acharem as razoes pelas quais a Bolsa eh um ambiente enclausurado longe da economia...

Anônimo disse...

I.5. « A rivalidade se destaca como o marcador de valor das ações no capitalismo hodierno »

AO (18) sustenta que a « força » que move os mercados bursateis hodiernos é um entusiasmo mimético, conforme se segue :
Cont. 46

[...] Ao contrário dos desejos estruturados pela utilidade, também chamados de “necessidades”, o desejo mimético é criador de retroações positivas, o que pode torná-lo muito desestabilizador e destrutivo. Isto pode conduzir a um entusiasmo mimético, tendo por apoteose a unanimidade de todos. Em outras palavras, a lógica do desejo mimético conduz a uma valorização paradoxal do obstáculo por si mesmo. “[O sujeito], portanto, vai escolher seus modelos com base não nas suas qualificações positivas, mas na sua inacessibilidade (negrito nosso).

Semelhantemente, a ideia de que “em um mundo regido pelo mimetismo a rivalidade se destaca como o marcador de valor das coisas” pode ser expressa, conforme se segue:

[...] Isto é devido ao fato substancial de que os agentes em um mercado financeiro não estão comprando ativos para o seu uso, mas estão comprando participações para realizar um lucro mais tarde. Este lucro virá como um benefício pós-venda. (51)


Semelhantemente, a ideia de que “em um mundo regido pelo mimetismo a rivalidade se destaca como o marcador de valor das coisas” pode ser expressa, conforme se segue:

[...] Isto é devido ao fato substancial de que os agentes em um mercado financeiro não estão comprando ativos para o seu uso, mas estão comprando participações para realizar um lucro mais tarde. Este lucro virá como um benefício pós-venda. (51)

Anônimo disse...

Cont. 47

Assim, os dois fragmentos de texto, acima mencionados, sugerem-nos que em um mercado em que a preferência é pelos títulos de liquidez, tal tipo de escolha conduz a que se imponha a rivalidade como um marcador de valor desses títulos. Em outros termos, quanto maior a liquidez de determinado título, maior a valorização paradoxal deste título. Assim, [O sujeito], vai escolher os títulos com base não nas suas qualificações positivas, mas na sua inacessibilidade. Logo, acreditamos que as razões que levam a comunidade financeira a optar pela preferência pela liquidez deve ser estudada com maior alcance e profundidade. Como exemplo deste fenômeno apresentamos a Tabela 1, na segunda tese.

Anônimo disse...

Cont. 48

I.6. A “liquidez subordinada” do capitalismo hodierno é bem mais injusta do que àquela dos tempos de Keynes

AO sustenta que “a crise não vem do fato de que as regras do jogo financeiro foram contornadas, mas do fato de que elas foram seguidas”, conforme se segue:

A tese que nós defendemos é que esta crise tem por origem a primazia concedida à finança de mercado. [...] Esta crise é endógena, em nossa opinião. Em outras palavras, se trata de retornar a questão teórica central, aquela da eficiência dos mercados financeiros. [...] A crise não vem do fato de que as regras do jogo financeiro foram violadas, mas do fato de que elas foram seguidas. (40) (negrito nosso)

Assim, a observação acima, percebida por AO, vale dizer – “a crise não vem do fato de que [...] mas do fato de que elas foram seguidas”, a nosso ver, seria o reconhecimento tácito da existência de alguma coisa semelhante a uma “conspiração” no capitalismo bursátil hodierno. Não obstante, o economista francês não ter usado a palavra “conspiração” em seu texto, parece-nos que suas palavras subliminarmente isso sugere. Entretanto, a palavra “dominação” é usada pelos economistas, provavelmente em sentido semelhante, àquele de uma conspiração. Neste sentido, os seguintes fragmentos de texto:

Anônimo disse...

Cont. 49

• A análise levou André Orléan à conclusão de que "a forma ‘mercado financeiro’ não é uma forma neutra. A liquidez expressa a vontade da autonomia e dominação da finança. É produto de interesses poderosos. Ela responde a finalidades específicas que se sobrepõem apenas parcialmente àquelas perseguidas pelos gestores do capital produtivo. Tem consequências macroeconômicas gerais sobre o equilíbrio de forças que atravessa a sociedade de mercado, em especial sobre a relação entre credores e devedores como àquela que opõem a finança à indústria". (op. cit. page 49) (5)

• Não há dúvidas, entretanto, que essa forma de riqueza capitalista (capital fictício) assume grande importância no capitalismo contemporâneo, não no sentido de uma dominação bancária sobre as empresas industriais, o que “[...] traria limites excessivamente estreitos a um conceito muito mais abrangente” (PINTO, 1997, p. 25), mas como uma forma de gerir e realizar a acumulação privada de riqueza. Como portador de um título sem substância, todavia, a expansão do capital fictício alimenta uma combinação extremamente instável. (9) (negrito nosso)

Aqui nos parece oportuno pausar nossa tratativa, para tentar responder aos seguintes questionamentos: (1) Como seria a « dominação da finança »? (2) Qual seria o relacionamento entre a « liquidez principal » (« moeda ») e a « liquidez subordinada » (« ações »)?

Anônimo disse...

Cont. 50

Entretanto, antes de respondermos as perguntas acima nos parece essencial conhecer os conceitos de « liquidez principal » e de « liquidez subordinada ». Neste sentido, a seguir iremos apresentar os seguintes fragmentos de texto:

• Le choix d’un bien comme monnaie résulte-t-il seulement d’une imitation des individus entre eux? La monnaie est élue équivalent universel parce qu’elle est garantie par la puissance publique, et elle n’est richesse par excellence, elle n’a de valeur que si, parallèlement, un travail productif est effectué. Autrement dit, comme la monnaie est un droit à valoir sur la production, il faut considérer que notre économie n’est pas une économie monétaire mais une économie monétaire de production, ainsi que l’ont exprimé avec des mots différents Marx et Keynes. En abandonnant toute théorie de la valeur fondée sur le travail, on ne peut voir dans les excès de la finance qu’un phénomène uniquement autoréférentiel qui s’entretiendrait de lui-même sans aucun lien avec ce qui se déroule dans la production. […] La finance est seulement capable de transférer dans le temps la propriété des richesses. Encore faut-il que celles-ci soient produites. (23)
Traduzindo:

Anônimo disse...

Cont. 51

A escolha de um bem como moeda resulta somente de uma imitação dos indivíduos entre eles? A moeda foi eleita equivalente universal porque é garantida pelo Estado e não é riqueza por excelência, tem valor apenas se, paralelamente, um trabalho produtivo é efetuado. Em outras palavras, como a moeda é um direito ao valor sobre a produção, devemos considerar que nossa economia não é uma economia monetária, mas uma economia monetária da produção, assim como se expressaram com diferentes palavras Marx e Keynes. Abandonando qualquer teoria do valor baseada no trabalho, pode-se ver nos excessos financeiros um fenômeno auto-referencial que se manteria apenas sem qualquer conexão com o que está acontecendo na produção. [...] A finança só é capaz de transferir ao longo do tempo a propriedade da riqueza. É também necessário que estas sejam produzidas.

• D’ailleurs, AO écrit dans un texte récent : « La thèse que nous défendrons est que cette crise a pour origine la primauté accordée à la finance de marché. Plus précisément, la cause des désordres se trouve dans l’instabilité propre aux marchés financiers, à savoir leur incapacité à faire en sorte que les évolutions de prix soient maintenues dans des limites raisonnables, à la hausse comme à la baisse. » Que sont ces limites raisonnables, sinon quelques références fondamentales données, par exemple, par le système productif ? (23)

Traduzindo:

Anônimo disse...

Cont. 52

Além disso, AO escreveu em um texto recente: "A tese que nós defendemos é que esta crise se originou da primazia concedida à finança de mercado. Especificamente, a causa da desordem está na instabilidade dos mercados financeiros, ou seja, na sua incapacidade de garantir que as flutuações de preços sejam mantidas dentro de limites razoáveis, para cima ou para baixo.” Quais são esses limites razoáveis, senão algumas referências básicas, dadas, por exemplo, pelo sistema produtivo?

• Recalling the analogy I proposed earlier between liquid assets and languages, we may think of subordinate liquid assets (demand deposits and financial securities) as being like patois-local languages spoken by specific groups. This comparison is suggestive since the value of a patois, the nature of its influence, is not to be sought in its resemblance to the national language, on the model of the convertibility of financial instruments into a national currency, but in its own dynamism, its ability to establish itself more or less broadly as a means of communication. (18)

Anônimo disse...

Cont. 53

Traduzindo:

Recordando a analogia que eu propus anteriormente entre os ativos líquidos e as línguas, podemos pensar nos ativos líquidos subordinados (depósitos obrigatórios e títulos financeiros) como sendo algo como dialetos – línguas locais faladas por grupos específicos. Esta comparação é sugestiva desde que o valor de um dialeto, a natureza de sua influência não deve ser procurada na sua semelhança com a língua nacional, sobre o modelo da convertibilidade de instrumentos financeiros em moeda nacional, mas no seu próprio dinamismo, na sua capacidade de se estabelecer mais ou menos amplamente como um meio de comunicação.

• A liquidez cria um mundo no qual a única justificativa para o preço é a sua legitimidade. Os preços das ações não pretendem fornecer uma imagem adequada da realidade do ponto de vista da produção, se tal coisa é sequer imaginável em uma economia que, em um grau ou outro, é caracterizada por uma incerteza radical. Tudo o que importa é que estes sejam aceitos pela comunidade financeira. (18) (negrito nosso)

AO sustentou que “a liquidez cria um mundo no qual a única justificativa para o preço é a sua legitimidade”, conforme acima mencionamos.

Anônimo disse...

Cont. 54

Neste sentido, importante citação de autoria do grande investidor norte-americano, Warren Buffett (24), conforme se segue:

Preço é o que você paga; valor é o que você obtém (conheça a diferença entre Preço e Valor).

Em outros termos, estamos sustentando ao longo do presente trabalho, que o “preço” tende para o “valor”, assim como um “artefato imperfeito” tende para o seu “ideal”.

Adicionalmente, estamos sustentando que a “liquidez subordinada” do capitalismo hodierno é bem mais injusta que àquela “liquidez subordinada” dos tempos de Keynes. Chegamos a tal conclusão pela observação de que as duas linhas de força em torno das quais se estruturou o novo regime de acumulação são falhas maiores, como vimos no item I.2. Consequentemente, os preços bursateis hodiernos se tornaram “virtuais” e/ou “manipulados”, conforme iremos sustentar ao longo do presente trabalho. Neste sentido, a discrepância entre a inflação exuberante da esfera financeira e o crescimento mais moderado da economia real é o cerne do problema. (44) Assim, este é um indício do surgimento de relações matemáticas e/ou fundamentalistas extravagantes nos títulos bursateis, o que sustenta a hipótese de emergência de uma espécie do gênero conspiração no hodierno capitalismo bursátil.

Anônimo disse...


Cont. 55

Agora podemos apresentar nossa resposta aos questionamentos feitos no início do presente item:

(1) Como seria a dominação da finança?

Seria algo equivalente a uma tentativa de obtenção da razoabilidade existente na « liquidez principal » (« moeda »), como antes vimos, pelo artificialismo total encontrado na « liquidez subordinada » (« ações »).

(2) Qual seria o relacionamento entre a « liquidez principal » (moeda) e a « liquidez subordinada » (“títulos bursateis”)?

Seria o equivalente ao relacionamento entre o « valor » (moeda) e o « preço dos títulos bursateis ». Em outros termos, seria equivalente ao relacionamento entre um ideal (« valor ») e um artefato imperfeito (« ações»).

Anônimo disse...

Cont. 56

I.7. A “liquidez subordinada” do capitalismo bursátil hodierno não é um artefato legítimo
Em síntese, frente aos indícios antes mencionados, não nos parece exagerado dizer que o atual capitalismo bursátil pode ser equiparado a uma espécie do gênero “conspiração”. Neste sentido, sugerimos ao leitor comparar o fragmento de texto antes mencionado, vale dizer – “a crise não vem do fato de que as regras do jogo financeiro foram contornadas, mas do fato de que elas foram seguidas” – com o conceito de “conspiração”, encontrado no “dictionary.com”, que se segue:

“Conspiracy: Law. an agreement by two or more persons to commit a crime, fraud, or other wrongful act” (dictionary.com).

Traduzindo:

Conspiração (Lei): um acordo entre duas ou mais pessoas para cometer um crime, fraude, ou outro ato injusto.

Assim, um dos componentes do conceito de conspiração, encontrado no “dictionary.com” é um “ato injusto”. Igualmente, Keynes observou a primazia injustamente concedida à liquidez, conforme se segue: “de todas as máximas da finança ortodoxa não há nenhuma mais anti-social do que o fetichismo da liquidez.” Em outros termos, “para a comunidade como um todo não há nada que corresponda à liquidez do investimento”.

Anônimo disse...

Cont. 57

Por outro lado, ao associarmos o fato de que a liquidez é um “ato injusto”, conforme antes mencionamos, com a constatação que o valor do bem líquido que detém o indivíduo A depende do comportamento dos outros detentores, igualmente antes mencionada, não nos parece exagerado concluir que o hodierno capitalismo bursátil é uma espécie do gênero conspiração, o qual tende a mostrar seus efeitos maléficos com a passagem do tempo.

Assim, um indício de que o hodierno capitalismo bursátil é uma conspiração pode ser encontrada no simples fato de que a liquidez não é uma vantagem para todos da comunidade financeira, conforme antes vimos.

Ademais, podemos equiparar o “fato de que para a comunidade como um todo, não há nada que corresponda à liquidez do investimento”, mencionado no item anterior, ao seguinte fragmento de texto:

[...] Em virtude do fato de que agora existe um fórum organizado para a negociação de ações, torna-se possível comprar, com vista a revender mais tarde a um preço mais elevado. Este é um novo tipo de comportamento estratégico, de investimento de longo prazo bem diferente. O objetivo não é gerar um fluxo sustentado de renda na forma da regularidade de dividendos distribuídos, mas de realizar ganhos de capital através da exploração de variações transientes no preço das ações. (18)

Anônimo disse...

Cont. 58

Entretanto, se é “possível comprar, com vista a revender mais tarde a um preço mais elevado” igualmente pode ocorrer o inverso, vale dizer, “comprar com vista a revender mais tarde a um preço menos elevado”, intencionalmente, ou não. Neste sentido, neste ponto de nossa abordagem, pensamos ser oportuno à leitura do seguinte fragmento de texto: “as principais dificuldades no tocante à administração dos fundos de pensão (poupança concentrada coletiva) relacionam-se à separação entre propriedade e gestão, assimetria de informação e divergência de objetivos entre o principal (associados dos fundos de pensão) e o agente (executivos dos fundos de pensão), tendo como conseqüência os chamados problemas de agência.” (21)

Assim, ao associarmos a observação de Keynes da injustiça contida na liquidez com a possibilidade de “comprar com vista a revender mais tarde a um preço menos elevado”, não nos parece exagerado imaginar que, certamente tal prejuízo tende a se materializar com o passar do tempo (timing), conforme o fragmento de texto recuado antes mencionado sugere, pois como acima vimos existe uma divergência de objetivos entre o “PRINCIPAL” e o “AGENTE”.

Anônimo disse...

Cont. 59

Desse modo, os acionistas que “mantém em carteira” posições permanentemente “compradas”, tendem a ter grande parte de suas rendas transferidas para determinado capital financeiro, devido o atual capitalismo bursátil ser uma espécie do gênero conspiração, como estamos sustentando. Em outras palavras, existem fortes indícios de que alguns participantes do mercado vão receber pouco ou nada, pois a finança somente é capaz de transferir ao longo do tempo a titularidade das riquezas. Entretanto, ainda falta que estas riquezas sejam produzidas. (23) Assim, embora a Bolsa de Valores seja uma máquina de fazer fortunas, esta não cria riquezas. Neste sentido, vale aqui lembrar algo que antes sustentamos: a Bolsa é apenas mais um JOGO DE SOMA ZERO. Em outros termos, na Bolsa de Valores não existe o milagre da multiplicação dos pães. (31)

Em síntese, na Bolsa de Valores existe tão somente uma criação de valor bursátil, entretanto de forma necessariamente passageira. (30)

Por outro lado, se observarmos o conceito de “fraude” encontrado no “Dictionary of Finance and Investment Terms” (3), vale dizer – “intencional representação ou apresentação incorreta ou falsa, ocultamento ou encobrimento da verdade com o propósito de logro ou manipulação em detrimento de uma pessoa ou organização” – somos levados a concluir que a “liquidez subordinada” equivale a uma fraude. Tal conclusão, a que chegamos, fundamenta-se em determinada parte deste conceito, que diz:

Anônimo disse...

Cont. 60

“[...] ocultamento ou encobrimento da verdade com o propósito de logro ou manipulação em detrimento de uma pessoa ou organização”. Assim, a expressão “ocultamento ou encobrimento da verdade” se equipara àquela observação de Keynes, antes mencionada: “para a comunidade como um todo não há nada que corresponda à liquidez do investimento”. Este é mais um indício de que o capitalismo bursátil hodierno é uma espécie do gênero conspiração.

Ademais, os preços bursateis hodiernos ao serem formados internamente à transação, são “preços viciados”, pois as duas linhas de força em torno das quais se estruturou o novo regime de acumulação são falhas maiores, como antes sustentamos.

Em outros termos, os preços dos títulos de “liquidez subordinada” do hodierno capitalismo bursátil tende a serem preços “virtuais” e/ou “manipulados”. Adicionalmente, o surgimento de tais preços “virtuais” e/ou “manipulados” pode ser deduzido da leitura dos seguintes fragmentos de texto:

• Um capital constituído de títulos é uma grande ficção; na medida em que é composto de créditos, ou seja, de promessas sobre a atividade produtiva futura, que são então negociados em um mercado muito específico, o qual fixa o preço de acordo com mecanismos e convenções muito especiais. (21)

Anônimo disse...

Cont. 61


• Nada nos permite estar absolutamente certo de que esta promessa será cumprida, pois do futuro ninguém pode estar certo. As finanças como um todo são apenas "promessas comerciais". (34)

Em síntese, estamos sustentando que a “liquidez subordinada” tende para a “liquidez principal”, assim como um artefato imperfeito (“ação”) tende para o seu ideal (“valor”). Ou seja, a “liquidez subordinada” é um artefato ilegítimo, injusto e imperfeito, que tende para um ideal, que é o “valor” (“liquidez principal”). Logo, quanto mais tempo você permanece “comprado” em títulos de “liquidez subordinada”, mormente após os climaxes do mercado, mais você tende a perder.

O objetivo final da hipótese de conspiração que estamos sustentando é obter a razoabilidade que encontramos na “liquidez principal” (“moeda”), por meio do artificialismo total da “liquidez subordinada” (“ações”), o que viabiliza a “dominação da finança”, como adiante veremos.

Frente aos indícios, antes mencionados, podemos afirmar sem nenhuma dúvida: grande parte dos números relacionados à Bolsa sejam cotações, sejam resultados, sejam dividendos, tende a ser números “virtuais”.

Anônimo disse...

Cont. 62

Neste sentido, o seguinte fragmento de texto:

« Par les débordements frénétiques qu’elle autorise et les contraintes qu’elle impose aux entreprises en matière de gouvernance, la liquidité boursière rend les marchés financiers incapables d’assumer correctement leur fonction cognitive d’élaboration et de diffusion collective d’un scénario crédible de l’avenir. L’instabilité de l’évaluation financière se révèle endémique parce que totalement ancrée dans les structures de la finance. L’utilité économique des marchés d’actifs financiers en est alors radicalement réduite à leur capacité présumée à garantir la liquidité des positions des investisseurs et donc la réversibilité de leur engagement. Mais même ici, la faillite des marchés est totale. Dans la mesure où elle repose sur une foi collective momentanée en la pertinence des évaluations, la liquidité boursière ne constitue en rien une propriété intrinsèque des marchés d’actifs qu’un certain type d’organisation de marché permettrait de garantir à coup sûr. Si la croyance partagée en la justesse de l’estimation de marché tend à s’éroder, les craintes sur l’irréversibilité des engagements individuels finissent par s’agréger, aboutissant alors à une tentative de fuite collective aussi brutale que désespérée. En ce sens, la liquidité boursière n’est qu’une illusion collective, une promesse jamais tenue. » (7)

Traduzindo:

Anônimo disse...

Cont. 63

« Pelos excessos desvairados que esta autoriza e às limitações que impõe às empresas em termos de governança, a liquidez do mercado bursátil torna os mercados financeiros incapazes de assumir corretamente a sua função cognitiva de desenvolvimento e disseminação de um cenário coletivo credível do futuro. A instabilidade da avaliação financeira se revela endêmica porque é totalmente ancorada nas estruturas das finanças. A utilidade econômica dos mercados de ativos financeiros é então reduzida radicalmente a sua suposta capacidade em garantir a liquidez das posições dos investidores, por conseguinte, a reversibilidade do seu engajamento. Mas mesmo aqui, a falência dos mercados é total. A utilidade econômica dos mercados de ativos financeiros na medida em que é baseada em uma fé coletiva e momentânea na pertinência das avaliações, a liquidez bursátil não constitui uma propriedade intrínseca dos mercados de ativos que um determinado tipo de organização de mercado deveria por certo assegurar. Se a crença compartilhada na correção da estimativa do mercado tende a minar os receios sobre a irreversibilidade dos engajamentos individuais eventualmente agregados, conduz a uma tentativa de fuga coletiva tão brutal quanto desesperada. Neste sentido, a liquidez bursátil do mercado é uma ilusão coletiva, uma promessa jamais realizada. »

Anônimo disse...

Cont. 64

I.8. Gráficos indicativos de manipulação

Nunca se esqueça que a palavra “especulador” vem do latim “speculari”, que quer dizer “observar”. (57) (Bernard Mannes Baruch – estadista e especulador norte-americano)

Parece-nos oportuno aqui enfatizar que nesta nossa abordagem iremos sustentar a existência nos mercados bursateis atuais de um “processo consciente de seleção”, ou mesmo, da existência de uma “manipulação continuada e planejada” nestes mercados; contrariamente, portanto, àquilo preconizado pelo “mimetismo”, que é o seguinte:

« Il ne s'agit nullement d'un processus conscient de sélection, mais d'une dynamique d'essais et erreurs qui, in fine, conduit à ce que le marché se focalise sur la croyance qui sert le mieux sa prospérité. » (18)

Traduzindo:

“Não se trata em absoluto de um processo consciente de seleção, mas de um processo de tentativas e experiências que, como resultado, leva o mercado a focar na crença que melhor serve a sua prosperidade.”

Anônimo disse...

Cont. 65

Entretanto, contrariamente ao acima mencionado, existem nítidas evidências da ocorrência de uma manipulação planejada de forma continuada nos mercados bursateis hodiernos. Em outros termos, a “crença que melhor serve a sua prosperidade”, acima mencionada por AO, seria simplesmente uma manipulação planejada e continuada. Neste sentido, iremos a seguir apresentar nossa interpretação a certo fragmento de texto encontrado na obra de AO, conforme se segue:

“Market value is not a substance... that predates trade. Rather it must be considered as a sui generis creation of market relations.” (53)

Traduzindo :

« O valor de mercado não é uma substância... que precede a transação. Preferivelmente este deve ser considerado como uma criação sui generis das relações do mercado. »

Assim, aqui nos parece oportuno perguntar: o que seria esta « criação sui generis das relações de mercado »?


Anônimo disse...

Cont. 66

- Seria, a nosso ver, simplesmente uma manipulação de forma continuada e planejada. Neste sentido, alguns indícios de nossa hipótese de manipulação continuada e planejada podem ser encontrados mesmo nos títulos de dois itens anteriores: « A Bolsa de Valores é apenas mais uma aposta » e « A liquidez NÃO é uma vantagem para TODOS da comunidade financeira ».

Adicionalmente, o seguinte fragmento de texto, sugere-nos que o hodierno capitalismo bursátil é algo equivalente a uma manipulação:

[...] « booms e bolhas especulativas não podem, conseqüentemente, ser comparados a simples acidentes de percursos, frutos da irracionalidade momentânea dos investidores. São uma conseqüência direta da cotação contínua e da superabundância de liquidez ». (50)

Exemplo de manipulação – “Desmonte de uma pirâmide”: gráficos das ADRs de Petrobras

Anônimo disse...

Cont. 67




Gráfico 1 - ADRs de PETROBRAS (Acesso em 07/04/2014)

Anônimo disse...

Cont. 68

A forma do gráfico de ADRs de PETROBRAS, acima disponibilizado (Gráfico 1), nos mostra os efeitos do “paradoxo da liquidez”, mormente nos últimos quatro anos de tal gráfico. Assim a forma piramidal deste gráfico está relacionada a constatação de que a “liquidez não é para todos”, o que confirma àquilo que com palavras antes mencionamos. Entretanto, a forma piramidal do Gráfico 1 sugere-nos que a manipulação continuada que ora estamos sustentando, igualmente é planejada.

Neste sentido, àquilo percebido por David Bourghelle e Pauline Hyme, acima mencionado, vale dizer – « booms e bolhas especulativas não podem, conseqüentemente, ser comparados a simples acidentes de percursos, frutos da irracionalidade momentânea dos investidores. São uma conseqüência direta da cotação contínua e da superabundância de liquidez » – é, a nosso ver, o reconhecimento tácito da existência de uma “manipulação planejada e continuada” no capitalismo bursátil hodierno. Assim, não obstante David Bourghelle e Pauline Hyme não terem utilizado a palavra “manipulação” em seu texto, parece-nos que suas palavras subliminarmente isso sugerem.

Anônimo disse...

Cont. 69

[...] Em síntese, as bolhas (e os “cracks”) são fenômenos planejados, como a seguir veremos. Assim, observamos no item I.3 que “[...] o papel do mercado de ações não é tal como aquele sugerido pela abordagem da reflexão, o de estimar passivamente uma realidade pré-existente, mas, muito pelo contrário [...]. Esta visão do futuro [...] não tem outro status senão a de uma conjectura ou de uma aposta.” Assim, quer nos parecer que a forma piramidal observada em vários gráficos constantes do presente trabalho está intimamente relacionada ao planejamento de uma manipulação continuada.

Como exemplo do acima mencionado, iremos sustentar que os mercados dos títulos de Petrobras estariam totalmente manipulados. Assim, ao visualizarmos o Gráfico 2 (Gráfico 1 em modo de exibição ZOOM: período de apenas dois anos) é possível verificar que a tendência primária dos títulos de Petrobras é incontestavelmente de baixa. Ademais, no Gráfico 2, que abaixo disponibilizamos podemos visualizar pelo menos em dois períodos de tendência de baixa mais acentuada, conforme se segue:

Período 1 - 29/04/2013 - 01/07/2013;
Período 2 - 18/11/2013 - 17/03/2014.

Anônimo disse...

Professor Ari: os graficos desaparecem ao serem colados neste lugar. Algumas partes do presente trabalho se destacam. Entretanto, a analise grafica eh a cereja do bolo. Existe alguma maneira de apresenta-los?

Ari Zanella disse...

Nos comentários só são aceitos TEXTOS. (palavras).

Mesmo nas postagens do blog, os gráficos precisam estar na configuração "IMAGENS" para serem colados. Sequer arquivos em PDF é possível passar para postagens/comentários. Simplesmente não aceita.

Infelizmente.

Anônimo disse...

Professor Ari,

Grato pela explicacao.

Anônimo disse...

Cont. 70

Gráfico 2- ADRs de PETROBRAS (Acesso em 07/04/2014)

A visualização mais detalhada do Gráfico 2, comparativamente ao Gráfico 1, revela-nos uma evidente tendência secundária em “ondas”, alternativamente para cima e para baixo, com mudanças bruscas de tendência, às vezes. Entretanto, em tal gráfico sempre predomina a tendência primária de baixa, como pode ser comprovado pela simples visualização deste. Um dos indícios de que está em curso uma “tendência irreversível de baixa” é a constatação de que embora tenham ocorrido tendências secundárias, ou repiques, no período de dois anos do Gráfico 2, como àquele entre o Período 1 e o Período 2, os movimentos na direção da tendência primária de baixa visivelmente são bem mais agudos, o que nos sugere uma manipulação continuada e planejada, conforme estamos sustentando. Assim, o “REPIQUE”, conceituado como uma tendência secundária, hierarquicamente é subordinado a tendência primária, como podemos visualizar no Gráfico 2. Um segundo indício da existência de uma manipulação continuada e planejada pode ser encontrada na forma piramidal do Gráfico 1. Assim, tal forma piramidal encontrada no Gráfico 1 seria uma conseqüência direta da cotação contínua e da superabundância de liquidez, como antes observamos.

Anônimo disse...

Cont. 71

[...] Ademais, “a instabilidade da avaliação financeira se revela endêmica porque é totalmente ancorada nas estruturas das finanças”, como vimos no item anterior. Adicionalmente, acreditamos que podemos estender a Bolsa de Valores brasileira tal “tendência irreversível de baixa”, pois os títulos de Petrobras têm peso significativo no índice IBOVESPA, principal indicador da Bolsa brasileira. Assim, num modo de pensamento por indução estamos sustentando que está em curso uma “Tendência Irreversível de Baixa da Bolsa Brasileira”, doravante “TIBBB”.

Aqui nos parece oportuno observar algo que iremos apresentar mais detalhadamente na terceira tese: “toda especulação fracassada, ou bem sucedida é sempre uma questão de timing”; em outros termos, “o tempo é o fator vital da criação de valor bursátil”. Explicando: tanto o “Período 1”, quanto o “Período 2”, quanto os demais períodos do Gráfico 2, foram especulações bem sucedidas, como visualmente nos sugere a visualização do Gráfico 2; em síntese, a característica que distingue uma especulação fracassada de uma especulação bem-sucedida é sempre o timing. Assim, podemos considerar o “repique” inserido entre o “Período 1” e o “Período 2”, apenas como uma pausa (timing), que antecede a planejada continuação da tendência primária de baixa observada nas ADRs de Petrobras.

Anônimo disse...

Cont. 72

Ademais, iremos sustentar na segunda tese que as ADRs de Petrobras estão igualmente “nada baratinhas”, mesmo após anos de continuadas quedas. Em síntese, tais ADRs estão em tendência irreversível de baixa, tendo como modelo uma queda lenta (soft landing), como os gráficos 1 e 2 nos sugere.

Neste sentido, no ANEXO 1, observamos que uma crise nos fundos de pensão, traz reflexos baixistas nas Bolsas de Valores. Assim, por definição fundamental, todo mundo sabe que, o preço se se afastando dos fundamentos, este afastamento “anormal” não pode durar. (34) Entretanto, a manipulação das cotações de forma continuada, atenua a intensidade da queda das ações, como o Gráfico 2 nos sugere.
Aqui nos parece oportuno fazer uma pequena pausa para fazermos uma pergunta importante: por que sustentamos que a manipulação deve ser conduzida de forma continuada para se atingir os almejados objetivos de nossa hipótese de “conspiração”?

- A resposta imediata a tal questionamento pode ser encontrada em AO (18), conforme se segue:

[...] o que é essencial do ponto de vista da liquidez é que uma ação possa a qualquer momento ser trocada por dinheiro. [...] Se esses preços são demasiado elevados ou demasiado baixos é uma questão secundária. (18)
Em outros termos, tal preferência ocorre porque todo problema de sistema aberto tem solução!

Anônimo disse...

Cont. 73

Pergunta adicional: por que é uma questão secundária que os preços bursateis estejam demasiado elevados ou demasiado baixos, conforme acima mencionamos?

- Porque o essencial do ponto de vista da liquidez é que uma ação possa a qualquer momento ser trocada por dinheiro, como AO (18) acima sustenta. Entretanto, não nos parece exagerado dizer que partindo da assertiva de que está em curso uma “manipulação continuada e planejada”, tais preços “demasiado baixos”, provavelmente, seriam na realidade preços “demasiado elevados”.

Explicando: Arquimedes disse algo que talvez aqui nos seja útil, conforme se segue: “dai-me uma alavanca e um ponto de apoio e eu moverei o mundo!” Entretanto, a nosso ver, se os preços são manipulados, logicamente não existe nenhum ponto de apoio. Assim, tanto faz dizer que os preços são “demasiado elevados”, ou são “demasiado baixos”. Logo, um colapso (break out) do mercado bursátil pode ocorrer a qualquer momento, pois inexiste um ponto de apoio. Em outros termos, como os mercados se afastaram do equilíbrio os problemas do mercado bursátil hodierno são estruturais.

No sentido de permitir uma importante reflexão, sobre a hipótese que estamos sustentando do surgimento de uma manipulação continuada e planejada no hodierno capitalismo bursátil vale a transcrição da sutil diferença que encontramos ao compararmos duas distintas assertivas. A primeira, atribuída ao especulador Jesse Livermore (1923), e a segunda, de autoria do economista André Orléan (2011), conforme se segue:


Anônimo disse...


Cont. 74

• Não há sentido em aumentar os preços das ações a um nível muito alto se você não pode induzir o público a tirar as ações de sua mão mais tarde. Na realidade, o único momento em que um vendedor pode ganhar dinheiro grande vendendo uma ação é quando a ação está alta demais. E você pode apostar seu último centavo na certeza de que os grandes acionistas não vão proclamar este fato para o mundo. (10)

• Para dizer simplesmente, o que é essencial do ponto de vista da liquidez é que uma ação possa a qualquer momento ser trocada por dinheiro. Isso requer que um conjunto de preços seja determinado por meio do qual as ações possam ser compradas ou vendidas. Se esses preços são demasiado elevados ou demasiado baixos é uma questão secundária. (18) (negrito nosso)

A leitura comparativa dos fragmentos de texto, acima mencionados, é mais um forte indício do surgimento de uma conspiração no hodierno capitalismo bursátil.

Anônimo disse...

Cont. 75

Explicando: foi dito que “[...] os preços demasiado baixos é uma questão secundária.” Entretanto, isto nos permite pensar que tais preços “demasiado baixos” são na realidade preços “demasiado elevados.” Neste sentido, parece-nos oportuno lembrar que tais preços “demasiado baixos” foram formados pela “opinião do próprio mercado”. (18) Logo, tais preços são fruto de uma “manipulação continuada”, conforme estamos sustentando ao longo do presente trabalho. Consequentemente, tais preços chamados de “demasiado baixos” podem ser simplesmente preços “demasiado elevados.” O importante para os manipuladores é continuar a transferência de renda que continuamente ocorre no hodierno capitalismo bursátil, como iremos sustentar na segunda tese.

“Quem não sabe definir o que quer, que riqueza é esta sobre a qual deposita tantas expectativas, vai acabar desperdiçando seu tempo. Isto é típico daqueles que conhecem os preços mas desconhecem os valores. Acabam pagando muito por coisas de pouco valor. E dão lances irrisórios para obter coisas que, se soubessem seu valor, se pudessem enxergar, se martirizariam pelas oportunidades constantemente desperdiçadas. Quem não sabe o que quer não pode investir, e o Mercado, em vez de representar sustento, lhe tomará tempo e vitalidade.” (38)

Anônimo disse...

Cont. 76

I.9. O capitalismo bursátil hodierno é uma manipulação de forma continuada
Para nos aprofundarmos um pouco mais no tema devemos fazer neste ponto de nossa tratativa uma parada para conhecermos os conceitos de ESPECULAÇÃO e de MANIPULAÇÃO, conforme se segue:

SPECULATION - assumption of risk in anticipation of gain but recognizing a higher than average possibility of loss. Speculation is a necessary and productive activity. It can be profitable over the long term when engaged in by professionals, who often limit their losses through the use of various HEDGING techniques and devices, including OPTIONS trading, SELLING SHORT, STOP LOSS ORDERS, and transactions in FUTURES CONTRACTS. The term speculation implies that a business or investment risk can be analyzed and measured, and its distinction from the term INVESTMENT is one degree of risk. It differs from gambling, which is based on random outcomes. (3)

Traduzindo:

ESPECULAÇÃO - assunção de risco na expectativa de ganho, mas reconhecendo uma possibilidade de perda superior à média. A especulação é uma atividade necessária e produtiva. Esta pode ser rentável no longo prazo quando praticada por profissionais, que muitas vezes limitam suas perdas através da utilização de várias técnicas e dispositivos de PROTEÇÃO, incluindo negociação com OPÇÕES, VENDAS À DESCOBERTO, ORDENS DE LIMITAÇÃO DE PERDAS e transações em CONTRATOS FUTUROS. O termo especulação implica que o risco do negócio ou do investimento pode ser analisado e medido, e sua distinção do INVESTIMENTO no longo prazo encontra-se no grau de risco. Difere dos jogos de azar, que é baseado em resultados aleatórios. (negrito nosso)

Anônimo disse...

Cont. 77

MANIPULATION – buying or selling a security to create a false appearance of active trading and thus influence other investors to buy or sell shares. This may be done by one person or by a group acting in concert. Those found guilty of manipulation are subject to criminal and civil penalties. (3)

Traduzindo:

MANIPULAÇÃO - compra ou venda de um valor mobiliário para criar uma falsa aparência de negociação ativa e, assim, influenciar outros investidores a comprar ou vender ações. Isso pode ser feito por uma pessoa ou por um grupo agindo em conjunto. Aqueles considerados culpados de manipulação estão sujeitos a penalidades civis e criminais.

Entretanto, antes vimos que “toda especulação, fracassada ou bem-sucedida, é sempre uma questão de timing!” Logo, não nos parece exagerado dizer que é suficiente manter determinada especulação por certo tempo para transformar esta numa manipulação. Em outros termos, a INCERTEZA da especulação é convertida na CERTEZA da manipulação.

Ademais, logramos encontrar na Internet certo fragmento de texto, conforme se segue:

Anônimo disse...

Cont. 78

Para dizer diretamente, quando os preços sobem, a demanda aumenta, em vez de abrandar como no mundo real. [...] Isto é devido ao fato substancial de que os AGENTES em um mercado financeiro não estão comprando ativos para o seu uso, mas estão comprando participações para realizar um lucro mais tarde. Este lucro virá como um benefício pós-venda. Ao contrário dos mercados do bom e velho agricultor, a qualidade intrínseca e real do que é negociado nos mercados financeiros não é relevante para os compradores, apenas a PREVISÃO DE PREÇOS É. [...] O único obstáculo a um aumento sem fim é a perda de confiança sobre o aumento de amanhã. (51) (negrito e maiúsculo nossos)


Em apertada síntese, a artificialidade das observações, acima mencionadas, pode-se materializar como mais um indício do surgimento de uma “conspiração” no hodierno capitalismo bursátil.

Por outro lado, AO (18) sugere que a liquidez é baseada em uma crença convencional, conforme se segue:

Anônimo disse...

Cont. 79

[...] Elas são apenas a ilustração de que a liquidez é baseada em uma crença convencional. A liquidez desaparece quando esta crença é questionada. (negrito nosso).

Entretanto, iremos discordar que a liquidez seja baseada em uma crença convencional. A nosso ver, a mencionada “perda de confiança” decorre do esgotamento da liquidez, a qual, por sua vez, é conseqüência da exaustão dos “MEPP” - “Mecanismos Exógenos do Poder Público”. Neste sentido, comprova tal assertiva a forma piramidal de vários gráficos apresentados no presente trabalho. Assim, a forma piramidal que podemos visualizar em tais gráficos expressa o “paradoxo da liquidez”; igualmente, tal forma expressa o prévio planejamento da manipulação continuada. Ademais, podemos expressar com palavras tal fenômeno, conforme se segue:

[...] se é possível a um indivíduo se livrar de um título que ele julga pouco competitivo, tal possibilidade não existe para o mercado como um todo. O mercado, tomado em sua totalidade, não consegue se livrar deste título. Para que um indivíduo venda um título, é necessário que outro se disponha a comprá-lo. Em verdade, independente dos movimentos de compra e venda, o número de ações permanece constante, assim como o lado do capital permanece inalterado na forma de capital produtivo. Isto é o que chamamos de “paradoxo da liquidez”. (18) (negrito nosso)


Anônimo disse...

Cont. 80

Em outros termos, a representação gráfica dos mencionados gráficos indica-nos que os mercados bursateis hodiernos obedecem ao “paradoxo da liquidez”. (18) Coincidência, ou não, o incremento do “paradoxo da liquidez” no hodierno capitalismo bursátil ocorreu simultaneamente à emergência da “opinião do próprio mercado”. (18) Assim, não nos parece exagerado dizer que o incremento do “paradoxo da liquidez” permite o surgimento de uma manipulação de forma continuada e planejada no hodierno capitalismo bursátil. Em síntese, a coincidência da emergência simultânea de dois distintos fenômenos - “paradoxo da liquidez” e surgimento da “opinião do próprio mercado” - é um indício da hipótese de surgimento de uma manipulação continuada e planejada no hodierno capitalismo bursátil.

Por outro lado, a hipótese de que está em curso uma “TIBBB” tem seu fundamento no seguinte fragmento de texto:

A falta de reconhecimento da causa fundamental da crise financeira, decorrente da ilusão da "máquina moto-contínuo" é sintomática do espírito do nosso tempo. O corolário é que as perdas não são apenas a fase de crise de uma empresa ou ciclo financeiro. Elas expressam uma verdade simples que é muito dolorosa de ser aceita pela maioria, de que os ganhos anteriores não eram reais, mas apenas valores artificialmente inflacionados que borbulhavam na esfera financeira, sem âncora e justificação na economia real. Na última década, os bancos, companhias de seguros, Wall Street, bem como Main Street e muitos de nós têm nos levado a acreditar que éramos mais ricos. Mas essa riqueza foi apenas o resultado de uma série de bolhas auto-realizáveis. (44) (negrito nosso)

Anônimo disse...

Cont. 81

Igualmente, neste sentido, o seguinte fragmento de texto:

• [...] “É no prazo de execução da reorganização que reside a preocupação dos controladores da empresa, especialmente do Citigroup, que deseja vender seus papéis. É exercício constante dos especialistas tentar estimar quanto tempo mais deve durar a grande liquidez dos mercados internacionais. Embora ninguém consiga responder com precisão, há consenso de que o momento positivo não deve durar para sempre”* (negrito nosso).

* Ver, por exemplo, Opportunity pode voltar à cena no futuro da BrT, de autoria de Grazielia Valenti, Catherine Vieira e Helena Magalhães, redatoras do Valor Econômico de 20/07/2007.

Em outros termos, « a autonomia de que a finança desfruta sobre esse plano (de forma necessariamente passageira) repousa sobre os mecanismos internos de avaliação dos preços dos títulos próprios aos mercados financeiros ». (29)

Aqui nos parece oportuno fazer uma pausa para fazermos um importante questionamento: quais e como seriam os mecanismos internos de avaliação dos preços dos títulos próprios aos mercados financeiros?


Anônimo disse...

Cont. 82

- [...] “ao associarmos o fato dos resultados alcançados pelos AGENTES serem observados somente no futuro” (54), com “a divergência de objetivos entre os AGENTES e os PRINCIPAIS” (21) [...], não nos parece exagerado dizer que iremos ter como resultado o surgimento dos chamados preços “virtuais” e/ou “manipulados”. Ademais, antes vimos que [...] “o valor do bem líquido que detém o indivíduo A depende do comportamento dos outros detentores. Se os outros titulares, por um motivo ou outro, não quiserem mais o bem líquido, seu valor irá cair à zero”. Em síntese, o conjunto destes paradoxos sugere-nos que o hodierno capitalismo bursátil é uma espécie do gênero conspiração.

Assim, ao associarmos o fato dos resultados alcançados pelos AGENTES serem observados somente no futuro, com a divergência de objetivos entre os AGENTES e os PRINCIPAIS, o que certamente resulta no surgimento dos chamados preços “virtuais” e/ou “manipulados”. Entretanto, a percepção relativa, característica inerente a maioria absoluta dos participantes do mercado bursátil, não permite a esses participantes perceber que está em curso uma manipulação continuada e planejada. Voltaremos a esse tema mais detalhadamente na quarta tese. Neste sentido, “[...] o modo mais fácil de fazer dinheiro para os homens que têm os controles nas mãos é a manipulação financeira.” (9)

Anônimo disse...

Cont. 83

Em conclusão, antes vimos que “o valor do bem líquido que detém o indivíduo A depende do comportamento dos outros detentores”. De uma maneira geral, grande parte destes “outros detentores” passou a ser os “AGENTES”, devido ao incremento da “poupança concentrada coletiva”, após 1979-80, mormente após 1990, como veremos no ANEXO 3. Entretanto, a “divergência de objetivos entre os AGENTES e os principais”, certamente conduz a uma manipulação por parte dos AGENTES, como veremos na quarta tese.

Em síntese, no presente trabalho estamos sustentando que àquilo chamado de “convenção” ou “crença convencional” por alguns economistas (18), é simplesmente uma criação da mente fértil destes economistas. A nosso ver, a chamada “convenção” seria apenas uma manipulação de forma continuada e planejada, conforme observamos no Gráfico 2. Neste sentido, toda especulação fracassada, ou bem sucedida é sempre uma questão de timing; (20) em outros termos, “o tempo é o fator vital da criação de valor bursátil”. Em síntese, tanto a “especulação”, quanto a “criação de valor” bursátil são fenômenos diretamente relacionados ao tempo. Logo, criar valor bursátil é apenas uma forma de especular, mas de forma bem-sucedida, conforme nos sugere o conceito de “especulação” mencionado na parte inicial do presente item. Em outros termos, criar valor na Bolsa de Valores é simplesmente manipular de forma continuada e planejada como estamos sustentando ao longo do presente trabalho. Entretanto, quanto mais tempo você permanece comprado em títulos de determinada Bolsa de Valores, mormente após os climaxes do mercado, mais você tende a perder.

Anônimo disse...

Cont. 84

Neste sentido, grande parte da “liquidez subordinada” tem sua origem nos “Mecanismos Exógenos do Poder – “MEPP”, como antes vimos (item I.4). Logo, não nos parece exagerado dizer que após o esgotamento da “liquidez subordinada” originária dos “MEPP”, a tendência de baixa tende a tornar-se irreversível. Tal hipótese de irreversibilidade fica bastante evidente pela visualização da forma piramidal que pode ser encontrada nos gráficos 1 e 5.

Estamos bem perto de um importante questionamento. A título ilustrativo, aqui nos parece oportuno perguntar novamente: por que a manipulação deve ser conduzida de forma continuada para se atingir os almejados objetivos da hipótese de “conspiração”, que sustentamos no item anterior?

Quer nos parecer que o fragmento de texto de AO(18), mencionado no item anterior, provavelmente, tem suas raízes na obra de Marx, conforme se segue:

Marx a toujours dit que le travail qui produisait une marchandise qui ne se vendait pas ne créait aucune valeur :

Enfin, aucun objet ne peut être une valeur s’il n’est une chose utile. S’il est inutile, le travail qu’il renferme est dépensé inutilement, et conséquemment ne crée pas de valeur. […] C’est seulement dans leur échange que les produits du travail acquièrent comme valeurs une existence sociale identique et uniforme, distincte de leur existence matérielle et multiforme comme objets d’utilité. (23) (negrito nosso)

Anônimo disse...

Cont. 85

Traduzindo:

Marx sempre disse que o trabalho que produzia uma mercadoria que não pode ser vendida não criou nenhum valor:

Finalmente, nenhum objeto pode ter um valor se não for uma coisa útil. Se este é inútil, o trabalho que ele contém foi gasto desnecessariamente, e, por conseguinte, não criou nenhum valor. […] É apenas por meio de uma transação que os produtos do trabalho adquirem valores como uma existência social idêntica e uniforme, distinta da sua existência material e multiforme como objetos de utilidade.

Portanto, na obra de Marx a « mercadoria que não pode ser vendida, não criou nenhum valor. » Em outros termos, o trabalho gasto em tal mercadoria, foi gasto desnecessariamente. Contrariamente, a mercadoria que pode ser vendida, criou algum valor, pois possibilitou o surgimento de uma transação. Entretanto, para que as transações ocorram de forma continuada é imprescindível uma « liquidez continuada.» Logo, o surgimento de transações de forma continuada é o germe do surgimento de uma manipulação continuada. Em outros termos, a liquidez continuada materializa a « conspiração », ou permite materializar a « dominação da finança », ou, ainda, torna possível uma “manipulação continuada” e planejada. Em outros termos, todo problema de sistema aberto tem solução! Neste sentido, inicialmente, observamos:

O relacionamento entre a « liquidez subordinada » e a « liquidez principal » é equivalente ao relacionamento entre uma « coisa imperfeita » (« ação ») e o seu « ideal » (« valor »).


Anônimo disse...

Cont. 86

Em síntese, para continuar a “dominação da finança” faz se necessário apenas a manutenção de uma liquidez continuada, conforme AO (18) sustenta. Ademais, estamos sustentando que “o tempo é o fator vital da criação bursátil”. Assim, veremos que quanto maior for o tempo de determinada especulação, maior será a respectiva criação de valor; consequentemente, maior será a respectiva transferência de renda. Voltaremos a este tema na terceira tese.

Entretanto, a « liquidez continuada », que encontramos nos « sistemas abertos » é imprescindível para evitar que os mercados venham a colapsar como ocorre nos “sistemas fechados”, conforme se segue :

“In ‘closed’ systems something eventually will force them to ‘break out’” (negrito nosso). (32)

Em tradução livre:

“Em sistemas fechados algo, finalmente, deverá forçá-los a se desintegrar.”
Aqui nos parece oportuno questionar: o que seriam os “sistemas fechados”?

- Em termodinâmica, “sistemas fechados” são aqueles que não trocam calor com o exterior; similarmente, na finança de mercado “sistemas fechados” seriam aqueles que não trocam liquidez com o exterior do sistema. Assim, em termos grosseiros, um “sistema fechado” seria um país em que a liquidez se resume apenas àquela liquidez do respectivo país. Entretanto, após a “desregulamentação dos mercados de ativos” os mercados são globais, ou “abertos”.

Em outros termos, para a manipulação continuada se perenizar é essencial manter o sistema aberto, pois “todo problema de sistema aberto tem solução”. O objetivo primordial é manter a dominação da finança.

Anônimo disse...

Se enviamos os graficos para o Professor alguem consegue configurar estes em IMAGENS?

Anônimo disse...

Alguem consegue configurar os graficos em IMAGENS?

Anônimo disse...

Cont. 87

I.10. « A manipulação das cotações e dos dividendos »: « manipulação de cotação » e « manipulação de cabeças »

Os preços dos títulos bursateis devem ser devidamente orquestrados no intuito de se alcançar elevados patamares de preços.

Neste sentido, conforme VACCARO (2009, p. 25) (9), aduz:

A lógica subjacente ao processo, ao contrário do que pode parecer, é bastante simples. Deve-se ampliar sempre o número de jogadores, com o envolvimento de pequenos investidores. Para tanto, faz-se uma campanha em que se propaga a imagem da riqueza fácil, dos lucros abundantes e do tempo de bonança. Corações e mentes são capturados e a bolsa irá adquirir, como adverte Galbraith (1972), uma centralidade espantosa na cultura e no contexto social (VACCARO, 2009, p. 25).
Também será preciso que os preços das ações subam, permitindo a realização de arbitragem para que, posteriormente, os ganhos sejam apropriados. Aqui as peripécias são das mais diversas. Um dos mecanismos mais antigos é o posicionamento no mesmo sentido, o que infla o preço dos títulos. O casamento é perfeito quando os analistas de risco (figura hoje desenvolvida pelas agências de rating) têm relação direta com os avaliados. Pode-se ainda utilizar de formadores de opinião, noticiados por Galbraith (1972) como gerentes de manobra e pela Revista Exame, na coluna Seu Dinheiro, como formadores de mercado (A INOVAÇÃO..., 2007).

Anônimo disse...

Cont. 88

A semelhança dos eventos vale a transcrição:

[...] os gerentes de manobra prometiam não se trair reciprocamente por meio de operações particulares, e o “gerente de manobra” assumia então uma posição com respeito a essa ação, que devia incluir também outros papéis fornecidos pelos participantes. Essa compra causava a elevação dos preços e atraía o interesse das pessoas que acompanhavam a cotação em todo o país. Esse interesse era então posteriormente estimulado pelas vendas e compras ativas, as quais davam a impressão de que algo muito grande estava no ar. As folhas informativas e os comentaristas da bolsa falavam das empolgantes possibilidades à vista. Se tudo corresse bem, o público afluiria para comprar, e os preços subiriam por si mesmos. O “gerente de manobra” então vendia tudo, tirava para ele a percentagem dos lucros e dividia o resto com seus investidores (GALBRAITH, 1972, p. 118) (negrito nosso).

Mais de 50 empresas brasileiras de capital aberto utilizam hoje um serviço que era inédito no Brasil até 2003 – contratam corretoras para fazer o papel de formadores de mercado. O objetivo dos formadores é fazer com que as ações de uma companhia sejam mais negociadas. Para isso, eles têm a obrigação de comprar e vender os papéis em determinada faixa de preço. O volume medido diário de negócios da rede de laboratórios Dasa, por exemplo, aumentou 71% desde que a empresa contratou um formador, em agosto deste ano (A INOVAÇÃO..., 2007, p. 124) (negrito nosso).

Anônimo disse...

Cont. 89

Reforça os indícios de que a Bolsa de Valores é uma espécie de conspiração, determinadas exigências feitas pelos investidores institucionais aos grupos onde estes detêm ações, vale dizer – “[...] eles exigem que a atividade dos grupos dos quais eles detêm ações sejam voltados para dois objetivos: a manutenção das cotações das ações no nível nominal o mais elevado possível e a maximização dos fluxos de dividendos. » (30)

Semelhantemente a estas observações, vale à transcrição daquilo que ocorria, mesmo nos Estados Unidos, conforme se segue:

De modo geral, as corporações americanas sempre fizeram tudo que podiam para garantir que seus resultados correspondessem às expectativas dos mercados financeiros. Em vez de somar as vendas e subtrair as despesas para calcular o lucro, algumas empresas trabalhavam ao contrário. Começavam com o lucro esperado pelos investidores e manipulam as vendas e as despesas para assegurar que os resultados acomodassem as previsões. A General Electric, por exemplo, sempre ultrapassava as previsões de lucros em um ou dois centavos por ação, independentemente do ambiente econômico. Portanto, analistas financeiros e investidores presumiam que uma certa manipulação dos balanços era prática corrente, mas na margem, a fim de diminuir a instabilidade dos negócios. (11) (negrito nosso)

Anônimo disse...

Cont. 90

Assim, parte de uma singela exigência dos grandes investidores institucionais aos grupos onde estes detêm ações, também poderia ser alcançada por meio de uma espécie de manipulação. Estamos aqui nos referindo, a maximização dos fluxos de dividendos. Entretanto, tal prática igualmente seria uma “espécie de manipulação”. Em outros termos, a manipulação não se limitaria apenas a manipulação dos balanços e manutenção das cotações das ações num nível o mais elevado possível, pelo tempo mais longo possível.

Em outros termos, os “AGENTES” ao exigirem das empresas onde estes detêm ações que estas manipulem os resultados dos balanços, teriam como objetivo, provavelmente, “manipular a cabeça” da grande maioria dos “proprietários FORMAIS da poupança concentrada coletiva”, também conhecidos por “PRINCIPAIS”. Este é um indício da existência de paradoxos e/ou sutilezas das finanças que sustentam nossa hipótese de surgimento de uma espécie do gênero conspiração no hodierno capitalismo bursátil.


Anônimo disse...

Cont. 91

Entretanto, a maximização dos fluxos de dividendos, é uma medida artificial. Consequentemente, tal medida está em confronto com o “espírito” daquilo que seria o adequado fator de avaliação de um título bursátil, conforme a seguir iremos demonstrar. Em outros termos, a referida exigência dos investidores institucionais se equipara a uma espécie do gênero manipulação: uma “manipulação de cabeças”. Ou melhor, tal medida artificial é uma manipulação de números, com o objetivo de manipular cabeças. Consequentemente, estamos sustentando que a maximização dos fluxos de dividendos é uma importante peça de nossa hipótese do surgimento de uma “conspiração” nos mercados bursateis atuais. Igualmente, a maximização dos fluxos de dividendos é uma importante peça da hipótese de manipulação continuada e planejada, que estamos sustentando no presente trabalho. Assim, para nos permitir uma comparação, acreditamos ser aqui oportuno apresentar certo fragmento de texto, conforme se segue:

É óbvio que quanto maiores forem os dividendos atuais e sua taxa de crescimento, maior será o valor da ação. Assim, as diferenças entre as taxas de crescimento são o principal fator na avaliação de uma ação; (48)

Por outro lado, abaixo disponibilizamos o fragmento de texto antes mencionado, conforme se segue:

[...] eles exigem que a atividade dos grupos dos quais eles detêm ações seja voltada para dois objetivos: manter as cotações das ações no nível mais elevado possível; e manter a maximização dos fluxos de dividendos. (30)


Anônimo disse...

Cont. 92

Entretanto, saltam aos nossos olhos a total diferença entre si, do espírito dos dois fragmentos de texto acima mencionados, embora ambos objetivem a maximização dos fluxos de dividendos. Em outros termos, é total a incompatibilidade entre a maximização artificial do fluxo de dividendos, mencionada no segundo fragmento de texto acima, com àquilo que seria o verdadeiro objetivo dos dividendos, antes mencionado.

Neste sentido, o mercado, segundo o filósofo francês Dany-Robert Dufour, “seria a única verdadeira realidade no mundo de ficção dos homens”. Assim, em seu recente livro, O Divino Mercado (46), ao se referir ao Mercado, ele diz: “Ele possui a onipotência, contanto que o deixem realmente agir”. Ou, ainda, quando declara: “Nada deve poder entravar o exercício soberano dessa força”, conforme se segue:

Anônimo disse...

Cont. 93

O Mercado corresponde, assim, a uma tentativa de produzir um novo grande Sujeito suscetível de ultrapassar em potência todos os antigos, graças a essa Providência, enfim, decifrada, aceita e, sobretudo, posta em prática. Basta, em suma, para que tudo enfim vá bem, que aceitemos nos submeter a essa força, incoercível e sem limites, que representa como tal um grau superior de regulamentação, uma forma derradeira e, enfim, verdadeira de racionalidade, que se manifesta não só por eventuais efeitos simbólicos, mas, sobretudo, pela extensão infinita da riqueza, tanto em forma de bens quanto em forma de moedas de metal. Nada deve poder entravar o exercício soberano dessa força. Tudo o que se assemelha a um desejo de regulamentação moral ou política resultaria apenas de irrisórias tentativas do homem tentando submeter à Providência a seus miseráveis pequenos cálculos. É preciso, segundo a palavra de ordem do liberalismo, “deixar fazer” [laisser-faire], pois, no fundo, é Deus quem faz. O liberalismo, nesse sentido, está no fundamento do desenvolvimento do capitalismo. É por essa razão, como dizia de maneira provocadora Lyotard, que “há algo de sublime na economia capitalista. Ela não é acadêmica, não é fisiocrática, não admite nenhuma natureza. Ela é, num sentido, uma economia regrada sobre uma ideia, a riqueza ou a potência infinitas.” * (negrito nosso)

Anônimo disse...

Cont. 94

Com a invenção do Mercado, de certo modo, estivemos às voltas com uma Aufhebung** divina, em que as precedentes formas de Providência acabaram realçadas por uma nova, mais poderosa que as precedentes. Com efeito, o Mercado apresenta os próprios atributos da divindade: ele possui a onipotência, contanto que o deixem realmente agir, e se apresenta como o próprio lugar da verdade. Diz-se, até, que o Mercado seria a única verdadeira realidade no mundo de ficção dos homens (negrito nosso).

* Jean-François Lyotard, “Le sublime et l’avant-garde”, L’Inhumain, Galilée, Paris, 1988, p. 116.

** A Aufhebung se refere, na dialética hegeliana, ao que é ao mesmo tempo conservado e superado.

No entanto, ser oportuno aqui fazer duas indagações:

1a) Considerando a hipótese de surgimento de uma “tripla manipulação” (manipulação de balanços / manipulação de cabeças / manipulação de cotações), antes mencionadas, ainda poderíamos dizer que estariam deixando o Mercado bursátil hodierno realmente agir?

2a) As duas conhecidas exigências dos investidores institucionais __ vale dizer, a manutenção das cotações no nível nominal o mais elevado possível e a maximização dos fluxos de dividendos __ poderiam “estar entravando o uso soberano desta força”? (do Mercado bursátil).

Anônimo disse...

Cont. 95

Em síntese, estamos sustentando no presente trabalho que a manipulação não se restringe apenas a manipulação de cotações, como anteriormente vimos. Igualmente, existe uma manipulação de balanços, e finalmente, temos uma manipulação de “cabeças”; logo, seriam pelo menos três, os possíveis tipos de manipulação existentes no hodierno capitalismo bursátil.

Entretanto, as próprias condições do mercado podem ser modificadas, o que igualmente se enquadra no conceito de manipulação. Neste sentido, determinados “acordos de acionistas” que vedam ao principal acionista de certa empresa alienar suas ações durante determinados períodos, mormente quando nitidamente está em curso na Bolsa onde estas ações são transacionadas uma tendência irreversível de baixa .

A hipótese de que o hodierno capitalismo bursátil é uma espécie do gênero conspiração pode ser expressa por meio dos seguintes indícios de existência de uma manipulação continuada e planejada neste:

• As duas linhas de força em torno das quais se estruturou o novo regime de acumulação são falhas maiores; (item I.2)

• A Bolsa de Valores é apenas mais uma aposta; (item I.3)

• “[...] a crise não vem do fato de que as regras do jogo financeiro foram violadas, mas do fato de que elas foram seguidas;” (40) (item I.4)

Anônimo disse...

Cont. 96


• “A liquidez NÃO é uma vantagem para TODOS da comunidade financeira”; (item I.4)

• « A rivalidade se destaca como o marcador de valor das ações no capitalismo hodierno »; (item I.5)

• O objetivo final da hipótese de conspiração que estamos sustentando é obter a razoabilidade que encontramos na “liquidez principal” (“moeda”), por meio do artificialismo total da “liquidez subordinada” (“ações”), o que viabiliza a “dominação da finança.” (item I.5)

• A liquidez expressa a vontade da autonomia e dominação da finança. É produto de interesses poderosos; (item I.6)

• A “liquidez subordinada” do capitalismo bursátil hodierno não é um artefato legítimo; (item I.7)

• [...] o que é essencial do ponto de vista da liquidez é que uma ação possa a qualquer momento ser trocada por dinheiro. [...] Se esses preços são demasiado elevados ou demasiado baixos é uma questão secundária. (18) (item I.8)

• Coincidência, ou não, o incremento do “paradoxo da liquidez” no hodierno capitalismo bursátil ocorre simultaneamente à emergência da “opinião do próprio mercado”; (18) (item I.9)

• [...] a forma piramidal que podemos visualizar nos gráficos 1, 3 e 5 expressa o “paradoxo da liquidez”; igualmente, tal forma expressa o planejamento da manipulação continuada; (item I.9)

• Em outros termos, a manipulação não se limitaria apenas a manipulação dos balanços e manutenção das cotações das ações num nível o mais elevado possível, pelo tempo mais longo possível. (item I.10)

Em síntese, a comprovação de que o hodierno capitalismo bursátil é uma manipulação continuada e planejada equivale a tese de que o hodierno capitalismo bursátil é uma espécie do gênero conspiração.





Anônimo disse...

Cont. 97

SEGUNDA TESE: O ÚNICO OBJETIVO DO HODIERNO CAPITALISMO BURSÁTIL É TRANSFERIR RENDAS

II.1. A emergência da “opinião do próprio mercado” coincide com o surgimento de uma “manipulação continuada e planejada”

In an entirely liquid market, everyone is a speculator. The price that is formed in such a market for any given share is the result of each investor's expectation of how the market as a whole will behave. This process differs from the one contemplated by the neoclassical model, which is concerned with an objective reality external to the market, in a crucial respect: agents substitute for fundamental value the opinion of the market itself, regarding it instead an endogenous variable. (18)

Traduzindo:

Em um mercado totalmente líquido, todo mundo é um especulador. O preço que é formado em tal mercado para uma dada ação é o resultado da expectativa de cada investidor de como o mercado como um todo irá se comportar. Este processo difere daquele contemplado pelo modelo neoclássico, o qual está relacionado com uma realidade objetiva exterior ao mercado, em um aspecto crucial: os agentes substituem o valor fundamental pela opinião do próprio mercado, considerado ao invés como uma variável endógena.

Anônimo disse...

Cont. 98

No “realismo” – observamos que este tem pelo menos um ponto em comum com o “mimetismo”; assim, anteriormente sustentamos que a Bolsa é apenas mais um tipo de aposta. Entretanto, o “realismo” distingue-se do “mimetismo” em um aspecto central. Em apertada síntese, não obstante o núcleo de nossa abordagem ainda ter como norma uma variável endógena, a nossa variável endógena não é simplesmente o “surgimento da opinião do próprio mercado”, conforme AO (18), acima sustenta. Diferentemente, estamos tentando demonstrar ao longo do presente trabalho que a própria emergência de uma “opinião do próprio mercado” coincide com o surgimento de uma “manipulação continuada e planejada” no hodierno capitalismo bursátil, como vimos na tese anterior. Em apertada síntese, se a liquidez continuada é o germe da emergência da manipulação continuada e planejada, o surgimento da “opinião do próprio mercado” é o início desta.

Gráfico 3 – ADRs da Vale na Bolsa NASDAQ (acesso em 20/11/2015) – www.nasdaq.com/symbol/vale/interactive-chart (opção: Max.)

Anônimo disse...

Cont. 99

Neste sentido, observamos que o Gráfico 3, acima disponibilizado, é uma representação gráfica que nos indica o “paradoxo da liquidez”. Assim, similarmente aos gráficos 1 e 2, representativos das cotações das ADRs de Petrobras, podemos observar idêntico comportamento nas ADRs de Vale.

Em síntese, a forma piramidal destes três gráficos confirma-nos que a liquidez NÃO é uma vantagem para TODOS da comunidade financeira, conforme sustentamos na primeira tese.

Ademais, podemos ver no Gráfico 3 outros indícios de nossa hipótese de surgimento de uma conspiração no hodierno capitalismo bursátil. Assim, tal gráfico nos mostra que após atingir certo topo, à aproximadamente seis anos atrás, os preços das ADRs de Vale começaram a fazer, a partir daquele marco temporal, um movimento em sentido contrário ao anterior. Entretanto, tal forma piramidal do Gráfico 3, mormente quando posteriormente associada a uma acomodação das cotações em menores patamares, sugere-nos a irreversibilidade, ou certeza do surgimento de uma tendência primária irreversível de baixa, como adiante veremos. Entretanto, tal forma piramidal sugere-nos outra coisa: a manipulação dos mercados; semelhantemente, portanto, àquilo que antes demonstramos no Gráfico 2. Em síntese, tal forma piramidal destes gráficos sugere-nos que a manipulação continuada que estamos sustentando ao longo do presente trabalho, igualmente é planejada.

Anônimo disse...

Cont. 100

[...] Desta forma, o Gráfico 3 corrobora nossa hipótese de surgimento de uma conspiração no hodierno capitalismo bursátil (primeira tese), que se materializa por meio de outra hipótese em que os mercados bursateis hodiernos são apenas meios de transferência de renda (segunda tese).

Em síntese, iremos sustentar no presente trabalho que enquanto a liquidez for crescente as cotações tendem a continuar a crescer, independentemente de qualquer relação com os valores fundamentais. Entretanto, à medida que a liquidez começar a diminuir as cotações bursateis igualmente tendem a diminuir. A simples visualização dos três primeiros gráficos do presente trabalho, mormente dos últimos seis anos, comprova tal observação; ademais, tal conclusão, sugere a razoabilidade de nossa hipótese de transferência de renda ser o único objetivo do hodierno capitalismo bursátil.

Este cenário é tipicamente aquele de uma crise nos fundos de pensão, quando toda uma geração de aposentados passa ao mesmo tempo, de uma situação de investidor, que compra títulos para aquela de um aposentado, que vende os títulos para financiar o seu consumo. (22)

Podemos expressar com palavras tal fenômeno, conforme se segue:


Anônimo disse...

Cont. 101

[...] se é possível a um indivíduo se livrar de um título que ele julga pouco competitivo, tal possibilidade não existe para o mercado como um todo. O mercado, tomado em sua totalidade, não consegue se livrar deste título. Para que um indivíduo venda um título, é necessário que outro se disponha a comprá-lo. Em verdade, independente dos movimentos de compra e venda, o número de ações permanece constante, assim como o lado do capital permanece inalterado na forma de capital produtivo. Isto é o que chamamos de “paradoxo da liquidez”. (18) (negrito nosso)

Possibilitam-nos entender os fundamentos dos mecanismos acima mencionados, os seguintes fragmentos de texto:

• A dinâmica dos preços

[...] No momento em que uma transação ocorre, a possível disparidade entre o volume do lado da oferta e do lado da demanda, não têm nenhum efeito sobre o preço, como vimos. Os volumes irão, entretanto, desempenhar nenhuma maneira direta de formação dos preços: estes trabalham mais sutilmente através do fato de que, após uma transação, se os volumes ligados às ordens de compra e venda não forem idênticos, parte da demanda ou da oferta permanecerá insatisfeita, e uma das duas ordens sobreviverá em alguns na forma de uma "cauda”. Em seguida, observe o seguinte: Se uma nova oferta ou uma nova aplicação não se materializar rapidamente a este nível para compensar esta parte garupa, o potencial comprador será tentado a aumentar um pouco o preço da sua oferta, se a demanda permanece insatisfeita, e o eventual vendedor será tentado a diminuir um pouco o preço que ele exigia, se ao contrário o fornecimento permanece insatisfeito. (52)

Anônimo disse...

Cont. 102

O mesmo processo será repetido para recriar o preço de liquidação e as ordens de compra e vendas garupa, os volumes não satisfeitos dentro de ordens pré-existente, irá exercer alguma pressão sobre a direção em que o preço vai mudar. (52)
Estamos bem perto de uma importante conclusão: se o que mantém o mercado em expansão é o afluxo permanente de liquidez, o advento de uma possível hipótese de diminuição da liquidez do sistema financeiro irá consequentemente, reconduzir esse mercado de um sistema “aberto” para um sistema ”fechado”, como àquele existente nos anos anteriores a 1979/1980, mormente àquele anterior a 1990. Naturalmente, quando isso vier a ocorrer, se já não ocorreu, tal mercado passará a ser um mercado de fluxos, e “contra fluxos não há argumentos”! Em outros termos, todo problema de sistema aberto tem solução! O problema é que os sistemas não permanecem abertos ad aeternum. Assim, um sistema aberto, mais cedo ou mais tarde, irá se transformar em um sistema fechado. E nos sistemas fechados os excessos são corrigidos. Portanto, a Bolsa é apenas mais um “jogo de soma zero”, como estamos sustentando ao longo do presente trabalho.

As conclusões acima mencionadas sugerem a razoabilidade da hipótese de transferência de renda ser o único objetivo do hodierno capitalismo bursátil.

Anônimo disse...

Cont. 103

Finalmente, os gráficos 1, 2 e 3 confirmam uma importante “lei” do mercado, conforme se segue:

• Preço é o que você paga; valor é o que você obtém (conheça a diferença entre Preço e Valor). (24)

Por outro lado, fenômeno semelhante ao “paradoxo da liquidez”, igualmente encontramos nas “tendências Ponzi dos mercados”, conforme se segue:

[...] Como “pirâmides da felicidade”, as bolhas especulativas apóiam-se numa hipótese impossível: a de que novos investidores entrarão na ciranda, para sustentar os ganhos dos que chegaram antes. (14)

Provavelmente, ninguém melhor do que Hyman Minsky evidenciou os encadeamentos da economia de mercado, resumidos por ele na eloqüente expressão: “cegueira ao desastre”. Minsky dedicou particular atenção aos distúrbios provocados por Charles Ponzi, especulador dos anos 20, que iludiu pessoas ingênuas, seduzidas por promessas de rendimentos extraordinários. Na falta de qualquer ativo real capaz de cobrir os rendimentos anunciados, Ponzi oferecia a seus primeiros clientes o capital aportado pelos que vinham depois. A sustentabilidade do conjunto supunha, portanto, a manutenção infinita do fluxo de novos clientes. (14) (negrito nosso)


Anônimo disse...

Entretanto, da mesma maneira que é uma hipótese impossível – a de que novos investidores entrarão na ciranda, para sustentar os ganhos dos que chegaram antes –, conforme Minsky acima sustenta, igualmente é uma hipótese impossível àquela de que novos investidores entrarão na Bolsa para sustentar o ganho daqueles que mantiveram “em carteira” títulos bursateis, mormente após os climaxes dos mercados. Neste sentido, não por acaso os três primeiros gráficos do presente trabalho apresentam uma forma piramidal. Tal forma expressa graficamente as “tendências Ponzi dos mercados”. Em outros termos, esta forma piramidal de tais gráficos indica-nos que as bolhas e os cracks são planejados. Ademais, a forma piramidal destes gráficos sugere-nos que uma “Tendência Irreversível de Baixa da Bolsa brasileira” - doravante “TIBBB”, está em curso. Em outros termos, isto equivale a dizer que a manipulação contínua e planejada que estamos sustentando têm data e hora para terminar.

Anônimo disse...

Cont. 105

Assim, semelhantemente as “tendências Ponzi dos mercados”, na falta de qualquer ativo real capaz de cobrir os rendimentos anunciados, o mercado bursátil oferece aos participantes deste mercado os títulos de “grande liquidez, tais como os títulos de Vale e Petrobras. Entretanto, devido a demanda por tais títulos ser grande esta se equipara a uma competição; a demanda por tais títulos causa algo como uma rivalidade, como vimos na tese anterior. Desse modo, a rivalidade se destaca como o marcador de valor destes títulos, conforme veremos na Tabela 1. Assim, ocorre àquilo que antes observamos na primeira tese: “[O sujeito], portanto, vai escolher seus modelos com base não nas suas qualificações positivas, mas na sua inacessibilidade”. (18)

Neste sentido, encontramos na primeira tese, os seguintes fragmentos de texto:

Em síntese, estamos sustentando que a “liquidez subordinada” tende para a “liquidez principal”, assim como um artefato imperfeito (“ação”) tende para o seu ideal (“valor”). Ou seja, a “liquidez subordinada” é um artefato ilegítimo, injusto e imperfeito, que tende para um ideal, que é o “valor” (“liquidez principal”). Logo, quanto mais tempo você permanece “comprado” em títulos de “liquidez subordinada”, mormente após os climaxes do mercado, mais você tende a perder.

Anônimo disse...

Cont. 106

O objetivo final da hipótese de conspiração que estamos sustentando é obter a razoabilidade que encontramos na “liquidez principal” (“moeda”), por meio do artificialismo total da “liquidez subordinada” (“ações”), o que viabiliza a “dominação da finança”.

Consequentemente, como a liquidez não é uma vantagem para todos da comunidade financeira surge um indício de que as Bolsas de Valores hodiernas tem como seu único objetivo a transferência de rendas (riquezas) entre os participantes destas instituições. Assim, devemos nos recordar de algo que sustentamos na primeira tese: “a Bolsa de Valores é apenas mais um jogo de SOMA ZERO.” Associado a isto devemos nos recordar de algo que igualmente antes vimos: a criação de valor bursátil ocorre de forma necessariamente passageira. (30) LOGO, QUEM FICA POR ÚLTIMO TEM SUA RENDA TRANSFERIDA PARA OS PRIMEIROS. Semelhantemente, nas “tendências Ponzi dos mercados” os primeiros a comparecer se beneficiam em detrimento dos últimos. Não obstante, tal transferência de renda se materializar tanto por meio de uma forma “considerada” legítima, a “liquidez subordinada”, quanto por meio de uma forma ilegítima, a “manipulação”, propriamente dita. Entretanto, tudo se resume a uma “manipulação de forma continuada e planejada”. Em síntese, a maneira por meio da qual ocorre a transferência de renda, acima mencionada, se assemelha a uma espécie do gênero conspiração. Assim, devemos ressaltar que tanto os efeitos da forma “considerada” legítima, quanto da forma conhecida por ilegítima, são exatamente os mesmos: transferência de renda (riquezas) entre os diversos participantes do mercado bursátil. Dessa maneira, pela simples visualização dos três primeiros gráficos do presente trabalho podemos verificar que tal transferência de riquezas ocorre sutilmente e suavemente ao longo do tempo.

Anônimo disse...

Cont. 107

A hipótese de transferência de renda no hodierno capitalismo bursátil, que estamos sustentando, é uma conseqüência direta da existência da “lei do valor.” Em outros termos, a hipótese de transferência de renda tem seus fundamentos na existência da lei do valor. Neste sentido, conforme se segue:

A reversão bursátil, portanto, deve ser interpretada como uma forma de um lembrete da existência da lei do valor, que segue sua trilha independentemente das tendências econômicas. O que diz esta lei? Duas coisas bem simples: que há um valor que é apenas aquele criado pelo trabalho e que não se pode distribuir mais valor do que aquele que foi criado. (45) (negrito nosso)

Em sentido semelhante, ao acima mencionado, no ANEXO 2 encontramos o seguinte fragmento de texto:

Da mesma forma que a “máquina do moto-contínuo” é um sonho impossível por violar as leis fundamentais da física, é impossível para uma economia que se expande a uma taxa de crescimento real de 2-3 por cento ao ano proporcionar um lucro universal de 10-15 por cento ao ano, como muitos investidores têm sonhado (e obtido, em ganhos de mercado na sua maioria não realizados na última década). A taxa de crescimento da riqueza global tem de se igualar a taxa de crescimento da economia. Claro, alguns setores podem apresentar um crescimento acelerado transitório devido às inovações e descobertas. Mas é uma identidade matemática simples que a apreciação global da riqueza tem de se igualar a um igual crescimento do PIB. (44)


«Mais antigas ‹Antigas   1 – 200 de 215   Recentes› Mais recentes»